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Brasil é o 2º maior mercado de influenciadores do mundo, aponta estudo

Estudo da Primetag mapeou 1,28 milhão de criadores com mais de 10 mil seguidores no Instagram e 55 mil marcas ativas no país, enquanto o setor ganha lei própria e avança em profissionalização.

O mercado brasileiro de influência cresceu ao ponto de virar o segundo maior do mundo, e foi esse mesmo tamanho que elevou o nível de exigência para quem vive de conteúdo. O Brasil reúne 4,4 milhões de influenciadores no Instagram, 10,2% de todos os criadores da plataforma no planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o relatório State of Influencer Marketing 2026, da HypeAuditor.

Um levantamento da Primetag, na primeira edição brasileira do estudo Influencer Economy, analisou o Instagram entre julho de 2025 e junho de 2026 e encontrou 1,28 milhão de criadores com mais de 10 mil seguidores e 55 mil marcas ativas comprando esse tipo de conteúdo.

No mesmo período, o volume de publicações patrocinadas subiu 50%, enquanto as menções orgânicas a marcas cresceram 18%. Mais oferta e mais dinheiro no mesmo lugar significam mais disputa por cada contrato.

O dinheiro acompanha o tamanho. O setor movimentou US$ 5,47 bilhões no Brasil em 2025 e tem projeção de chegar a US$ 33,5 bilhões até 2034, segundo o relatório O Horizonte da Creator Economy no Brasil, da Noodle.

Foi nesse ambiente que a atividade deixou de ser terra sem dono. A Lei nº 15.325/2026, sancionada em janeiro, reconhece e organiza o trabalho de quem cria conteúdo em plataformas digitais e coloca contrato, tributo e responsabilidade na mesa de quem antes acertava tudo pelo direct.

Da audiência ao negócio

Lucas Estevam, criador do canal de viagens Estevam Pelo Mundo, com mais de 2 milhões de seguidores e mais de 400 milhões de visualizações no YouTube, viu o mercado sair do improviso e virar operação.

“Ter audiência e ter negócio são coisas diferentes, e muita gente descobre isso tarde”, diz Estevam. “Seguidor não paga boleto. O que paga é a marca que confia, o contrato que se repete e a conta que você aprende a fazer antes de aceitar o job. Quem entra achando que é só gravar vídeo dura pouco.”

Para as marcas, o critério também mudou de lugar. Com mais de um milhão de perfis à disposição, o tamanho da audiência deixou de decidir sozinho uma contratação. Afinidade, histórico e capacidade de entrega passaram a pesar cada vez mais na escolha.

Agências que antes vendiam alcance passaram a vender previsibilidade. E o criador que trata o canal como empresa, com contrato, nota fiscal e planejamento, larga na frente de quem apenas exibe números.

O pano de fundo é uma profissionalização que aproxima a influência de qualquer outro negócio, com regra, imposto e contabilidade. O improviso que sustentou a primeira geração de creators ficou para trás, e o que começou como brincadeira de rede social virou um setor com lei, balanço e concorrência de gente grande.

Se virar influenciador deixou de ser aposta de fim de semana e passou a exigir a estrutura de uma empresa, fica a pergunta: quantos dos 4,4 milhões de perfis estão montando um negócio e quantos ainda estão apenas postando?

Lucas Estevam

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