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Brasil encerra primeiro semestre de 2025 com 77 milhões de inadimplentes e dívidas que somam R$ 465 bilhões

Créditos da foto: Divulgação

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Levantamento da Paschoalotto mostra crescimento contínuo da inadimplência e alerta para os impactos econômicos de desemprego, inflação e instabilidade internacional

O primeiro semestre de 2025 terminou com números preocupantes para a economia brasileira. Segundo o relatório “Indicadores de Mercado”, elaborado pela plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto, o número de inadimplentes chegou a 77 milhões em maio, o maior patamar do ano, representando 47,33% da população adulta brasileira. Em janeiro, esse número era de 74,6milhões, uma alta de 3,22% em cinco meses.

A dívida média por pessoa também aumentou de forma consistente: passou de R$ 1.489,90 em janeiro para R$ 1.555,33 em abril e chegou a R$ 1.558,68 em maio, um crescimento acumulado de 4,62% desde o início do ano, apesar de uma leve retração em relação ao pico registrado em abril. O total da dívida no país saltou de R$ 419bilhões em janeiro para R$ 465 bilhões em maio, um acréscimo de R$ 46 bilhões.

“O cenário exige atenção. Estamos diante de um aumento contínuo da inadimplência, impulsionado por fatores como desemprego, inflação e informalidade. Mas também vemos um consumidor mais disposto a negociar e reconquistar sua saúde financeira”, analisa Diego Martins Mosquim, diretor de Planejamento da Paschoalotto.

O perfil do inadimplente segue estável ao longo do semestre, com equilíbrio entre gêneros (cerca de 50% homens e 50% mulheres) e concentração na faixa etária de 26 a 60 anos. O levantamento de junho revela que os principais motivos da inadimplência são: atraso no salário (40,8%), endividamento excessivo (22,3%) e desemprego (20,3%). 

Outros fatores incluem empréstimos para terceiros, doenças e fraudes. A origem das dívidas permanece similar: bancos e cartões de crédito lideram (27,85%), seguidos de contas básicas (20,17%), financeiras (19,38%) e serviços diversos como TV e internet (11,94%).

Desde janeiro, o Amapá ocupa a liderança da inadimplência no país, crescendo de 61,1% para 63,14% da população adulta endividada. Na outra ponta, Santa Catarina manteve-se como o estado com menor índice, com 37,46%. A média nacional subiu de 45,94% em janeiro para 47,33% em maio.

Um dado positivo que acompanha a escalada da inadimplência é o avanço da digitalização nas negociações. Em 2023, 20,5% dos acordos eram fechados por canais digitais. Esse índice subiu para 28,9% em 2024 e está em média de 30% em 2025. Em março, os canais digitais já representavam 32% das negociações realizadas pela Paschoalotto.

“A digitalização dos canais de negociação é uma virada de chave no relacionamento com o inadimplente. O consumidor quer resolver sua situação de forma prática, muitas vezes fora do horário comercial e sem constrangimento. É nisso que apostamos: empatia com eficiência”, reforça Mosquim.

Cenário econômico e riscos externos preocupam

O cenário macroeconômico brasileiro continua desafiador. A taxa de desemprego está projetada para crescer até 8,38% em 2025, segundo dados do IBGE e Bradesco. A inflação, embora em desaceleração, o IPCA de junho foi de 0,20%, puxado pela queda no preço da gasolina, ainda está acima da meta central do Banco Central, acumulando 4,23% nos últimos 12 meses. Os dados também indicam uma possível oscilação no índice de inadimplência de pessoas físicas até o fim de 2025, alinhada à piora nos indicadores de emprego e renda.

No plano internacional, o relatório chama atenção para as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que podem afetar significativamente o PIB nacional. Segundo o banco JPMorgan, as tarifas de 50% sobre itens como aço, petróleo, aviões, café e celulose, responsáveis por 75% das exportações brasileiras aos EUA, podem gerar uma retração de até 1,2 ponto percentual no PIB.

“Estamos sempre atentos ao comportamento da economia e à jornada do consumidor inadimplente. A inadimplência é um fenômeno dinâmico, influenciado por fatores diversos. Por isso, nossa atuação precisa ser cada vez mais analítica, empática e conectada com a realidade digital do país”, conclui Mosquim.

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