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Brasil exporta desenvolvedores enquanto enfrenta escassez de mão de obra em tecnologia

Divulgação Carlos Lopes, sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da corporação da Codeminer

Divulgação Carlos Lopes, sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da corporação da Codeminer

Empresa, que tem sede em São Paulo, prepara abertura de escritório na Flórida

A Codeminer42, boutique brasileira de desenvolvimento de softwares, chega ao término de 2025 com faturamento anual de US$ 6 milhões – um crescimento de 10% em relação aos US$ 5,5 milhões registrados em 2024. A internacionalização dos negócios é decisiva para esse desempenho. A empresa, que já tem operação nos Estados Unidos, atendendo clientes por lá, prepara-se para instalar um escritório naquele país no primeiro trimestre de 2026.

O crescimento, nas palavras do sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da corporação, Carlos Lopes, reflete a estratégia que tornou a empresa uma das referências no setor: identificar talentos brasileiros, capacitá-los com excelência e então alocá-los em projetos de corporações no Brasil e no mercado norte-americano. Além disso, é consequência da busca constante pela atualização frente às inovações. “É nossa meta nos consolidarmos em novas tecnologias, como IA, DevOps e desenvolvimento mobile. A ideia é nos tornarmos referência nessas áreas, da mesma maneira que somos referência em desenvolvimento web utilizando tecnologias como Ruby on Rails e JavaScript”.

Atualmente, a Codeminer42 conta com um time de mais de 80 desenvolvedores. A meta é ultrapassar os 100 sem perder a excelência técnica. A maioria da equipe está alocada em projetos de empresas do exterior — Estados Unidos, sobretudo. “Na Europa e em outros países, menos, por conta da grande diferença de fuso horário”, explica Lopes. “A presença no mercado norte-americano será fortalecida com participação de um dos sócios da empresa, que se mudará para os Estados Unidos em 2026”, antecipa.

Fundada em 2011 e com sede em São Paulo, a empresa iniciou focada em atender startups por conta do momento do mercado. Após o boom das startups e a consolidação da empresa, passaram a atender grandes empresas no Brasil e, posteriormente, no exterior.

Além disso, a Codeminer42 ampliou sua atuação para a formação de profissionais. Essa estratégia foi fundamental para a empresa crescer de maneira sustentável e com excelência. Além disso, a iniciativa se caracteriza como de grande impacto social.

Um exemplo? A história do desenvolvedor Edy Silva, de Maranguape, região metropolitana de Fortaleza. Atualmente, Edy Silva exerce na Codeminer42 a função de “developer relations”, uma espécie de relações públicas na comunidade de desenvolvimento de software. Quando olha no retrovisor, Edy Silva vê a guinada que sua vida deu nos últimos dez anos.

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Edy Silva: “Aprendi a diferença entre desenvolver uma solução não como quebra-galho, e sim com expertise”

“Não tinha computador, celular e muito menos internet”, conta ele, relembrando o tempo em que cursou o ensino médio integrado ao técnico, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Isso foi entre 2012 e 2014. “Durante essa época, me dediquei a ler e a estudar. No tempo livre que tinha, usava o computador do laboratório da escola.”

Depois do estágio curricular, em 2015, conseguiu se empregar no mercado de trabalho como programador. Foi só então que adquiriu seu próprio computador. Anos depois, em 2021, conheceu a Codeminer42. Tinha apenas noções básicas de programação e de inglês; contudo, isso não foi empecilho para conquistar uma vaga na empresa, que enxergou todo seu potencial. “Sabia que não ia ser fácil, mas era uma grande oportunidade.”

De fato, era. Edy Silva conseguiu ingressar na boutique de desenvolvimento de software e logo entendeu que não obtivera apenas um posto de trabalho. Foi a chance para se aprimorar, se desenvolver, crescer. “Aprendi a diferença entre desenvolver uma solução não como quebra-galho, e sim com expertise”.

Na Codeminer42, além da capacitação continuada, Edy também recebeu apoio financeiro para aprofundar os estudos em inglês. “Antes, eu era um desenvolvedor mediano. Aqui, consegui evoluir profissionalmente e fui alocado em projetos no exterior”, relata. Atualmente, atuando como developer relations, o profissional participou recentemente de eventos internacionais, incluindo uma palestra na Filadélfia, nos Estados Unidos.

O caso de Edy Silva não é exceção. Conforme explica Lopes, a empresa aplica anualmente um programa de trainee com o objetivo de formar desenvolvedores com habilidades para além daquelas essencialmente operacionais. Em 2025, foi realizada a quinta edição do programa, que paga R$ 2,8 mil mais benefícios.

Com a capacitação e a inserção na empresa e no mercado, um profissional formado pela empresa pode chegar até o nível denominado “associado”, cuja remuneração está em US$ 6,7 mil mensais, além de benefícios. “Há ainda a distribuição anual [de dividendos] de US$ 10 mil”, informa o sócio da Codeminer42. “Nós formamos engenheiros de software que pensam, com expertise. Um profissional de alta performance. Isso não tem inteligência artificial que substitua”, acrescenta.

Um exemplo do sucesso dessa iniciativa é o da agora desenvolvedora de nível pleno Nehama Mandelbaum, 26, que fez o trainee em 2023. “Trabalhava com desenvolvimento de sistemas, mas não estava feliz. Era início de carreira, sentia que não estava evoluindo. Fui em busca de um lugar que me desse essa oportunidade. Conhecia, de nome, a Codeminer42, e quando abriram as inscrições para o trainee, me candidatei”, relembra.

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Nehama Mandelbaum: “Fui em busca de um lugar que me desse [essa] oportunidade”

Nehama não só passou, como viu seu potencial deslanchar. Como desenvolvedora de nível pleno, atua hoje com programação back-end (a estrutura back-end é aquela formada pelas funcionalidades necessárias para que a interface de um sistema se comunique com a base de dados e/ou outros sistemas). Vislumbra avançar na carreira. Além do ganho profissional, destaca a valorização pessoal e a flexibilidade necessária para conciliar trabalho com a maternidade. 

“No fim do dia, nosso maior ativo continua sendo o talento brasileiro. É por acreditar nesse potencial que seguimos crescendo, formando pessoas e levando a inteligência criada aqui para o mundo”, conclui Carlos Lopes, sócio da Codeminer42.

MAIS INFORMAÇÕES

Sobre a Codeminer42: https://www.codeminer42.com

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