[radio_player id="1"]
Informações

Brasil exporta minério, mas segue atrás no protagonismo do aço e insumos estratégicos

3 Mins read
Créditos da foto: Divulgação
Créditos da foto: Divulgação

Mesmo sendo o segundo maior exportador de minério de ferro do mundo, o Brasil ainda não consegue transformar esse potencial em liderança na cadeia do aço e no uso de terras raras, fundamentais para a indústria de alta tecnologia

O Brasil encerrou 2024 exportando 377 milhões de toneladas de minério de ferro, consolidando-se como o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da Austrália, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e do US Geological Survey (USGS). A mineração responde por cerca de 4% do PIB brasileiro e o minério de ferro figura como o segundo produto mais exportado do país, perdendo apenas para a soja. Apesar desse peso na balança comercial, o país ainda não consegue transformar esse potencial em liderança na cadeia do aço e em insumos de maior valor agregado, permanecendo dependente de importações estratégicas para sustentar setores como tecnologia, energia renovável e mobilidade elétrica.

Enquanto o minério de ferro sai em navios, em sua maior parte destinado à China, que responde por mais de 60% do consumo global, o Brasil ainda importa produtos de alta complexidade como ímãs de neodímio e componentes de terras raras, essenciais para a indústria moderna. A dependência se mostra preocupante diante de um cenário geopolítico em que a China concentra cerca de 90% da produção mundial de terras raras e controla etapas críticas de beneficiamento, o que lhe garante poder estratégico sobre cadeias globais de tecnologia. “O Brasil é riquíssimo em recursos naturais, mas seguimos como exportadores de commodities. Enquanto isso, importamos ímãs de neodímio e outros insumos estratégicos para sustentar nossa indústria. É uma dependência que fragiliza a competitividade do país em áreas tecnológicas”, afirma Rodolfo Midea, CEO da Fácil Negócio Importação, empresa que lidera a importação de ímãs de neodímio no Brasil.

O paradoxo se repete também no setor do aço. Embora o Brasil figure entre os dez maiores produtores mundiais, com destaque para o aço bruto, ainda não ocupa lugar de relevância na produção de ligas especiais e aços de alta performance, indispensáveis para a indústria automotiva, aeronáutica e de energia. A World Steel Association mostra que, em 2023, a China respondeu por mais de 50% da produção mundial de aço, com forte participação em materiais voltados à inovação tecnológica, enquanto o Brasil manteve seu perfil concentrado em exportação de produtos básicos. Essa lacuna impede o país de capturar parte do valor que gera e transfere às economias que, além de comprar o minério, o transformam em tecnologia de ponta.

A pressão por mudança tende a crescer. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a demanda global por minerais críticos, incluindo terras raras, deve dobrar até 2040, impulsionada principalmente pela transição energética e pelo crescimento dos carros elétricos. O mercado de ímãs de neodímio, em particular, deve ultrapassar US$ 3,3 bilhões até 2030, segundo dados da Fortune Business Insights. Esse cenário reforça que não basta ser fornecedor de matéria-prima: os países que agregarem valor terão vantagem competitiva na economia verde e digital. “No ritmo atual, continuaremos assistindo a outros países agregarem valor ao minério que exportamos. O desafio é transformar essa riqueza em inovação local. Precisamos evoluir na cadeia de transformação industrial para que o Brasil não seja apenas fornecedor de matéria-prima, mas também um hub de tecnologia”, defende Midea.

Para especialistas, o caminho passa por políticas industriais mais consistentes, investimentos em pesquisa aplicada e incentivos à produção local de insumos de maior valor. A redução da burocracia e da bitributação na importação de equipamentos estratégicos também aparece como medida urgente, já que a complexidade tributária encarece o processo e desestimula empresas que poderiam investir em inovação no Brasil. O tema também exige maior integração entre governo, indústria e academia, criando um ecossistema que permita ao país avançar além da mineração e da exportação bruta.

A discrepância entre o que o Brasil produz e o que aproveita internamente é, portanto, mais do que uma estatística: trata-se de um entrave estrutural que compromete o protagonismo do país no século XXI. Enquanto seguimos despachando minério em navios, outros países concentram os ganhos de produtividade, inovação e valor agregado. A oportunidade de mudar esse cenário existe, mas exige visão estratégica, planejamento de longo prazo e coragem política para transformar a abundância mineral em motor de desenvolvimento tecnológico e industrial.

Related posts
InformaçõesVendas

Pix por aproximação completa um ano com o desafio de converter potencial em adesão em massa

3 Mins read
Embora represente apenas 0,01% das transações totais, modalidade de pagamento via NFC apresenta crescimento exponencial em valores movimentados e aposta na conveniência…
Informações

Mulheres dedicam mais de mil horas por ano ao trabalho doméstico não remunerado

3 Mins read
Pesquisa da PUCPR revela impacto socioeconômico do trabalho de cuidado familiar realizado por mulheres brasileiras Um estudo conduzido por pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná…
InformaçõesVendas

Vendas de vitaminas e suplementos crescem 42% em faturamento em um ano no Brasil  

2 Mins read
Levantamento da Interplayers aponta avanço consistente da categoria, com destaque para multivitamínicos e diferenças relevantes entre estados e regiões   O mercado brasileiro de vitaminas…
Fique por dentro das novidades

[wpforms id="39603"]

Se inscrevendo em nossa newsletter você ganha benefícios surpreendentes.