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Brasil no Oscar sinaliza amadurecimento da indústria criativa e reforça atratividade do setor para investidores

Créditos da foto: Divulgação

Especialista em venture capital e private equity avalia que reconhecimento internacional fortalece a tese de investimento no audiovisual e impulsiona profissionalização do mercado brasileiro.

O destaque recente do Brasil no Oscar, com produções nacionais conquistando indicações consecutivas e espaço entre os principais prêmios da indústria cinematográfica, aprofundam um movimento que já vinha se desenhando no mercado e passam a produzir efeitos que vão além da visibilidade cultural. Para Matheus Barcelos Martins, advogado especializado em venture capital, private equity e estruturação de negócios, o momento sinaliza um estágio mais avançado de maturidade da indústria criativa brasileira, reforçando a atratividade do audiovisual como classe de ativo dentro da economia criativa.

Dados do governo federal mostram que o audiovisual brasileiro registrou 3.981 obras em 2025, número recorde de produção, além de R$ 1,41 bilhão em recursos públicos destinados ao fomento do setor, segundo o Ministério da Cultura/Ancine. Já um estudo da Oxford Economics aponta que a indústria audiovisual contribuiu com R$ 70,2 bilhões para o PIB brasileiro em 2024 e gerou mais de 600 mil empregos diretos e indiretos.

Fundador da Barcelos Martins Advogados, boutique jurídica que já assessorou mais de R$ 2 bilhões em transações envolvendo startups e empresas em expansão, o especialista acompanha de perto a profissionalização de setores intensivos em propriedade intelectual. Segundo ele, o reconhecimento internacional funciona como um catalisador para negócios que já vinham se estruturando nos bastidores. “Quando um país passa a ter presença recorrente em premiações globais, o mercado começa a enxergar aquele setor não apenas como expressão cultural, mas como uma indústria com capacidade de gerar receita, escalar e atrair capital”, afirma.

Na avaliação do advogado, esse cenário reforça o apetite de investidores por negócios ligados à cadeia do audiovisual, como produtoras, estúdios, plataformas de conteúdo e empresas detentoras de catálogos e direitos autorais. “O ativo central desse mercado é a propriedade intelectual, e ela precisa estar bem estruturada do ponto de vista societário, contratual e de governança para se tornar realmente atrativa a fundos e compradores estratégicos”, explica.

Matheus acrescenta que o avanço do setor tende a estimular operações de fusão e aquisição, rodadas de investimento e parcerias internacionais, desde que as empresas estejam preparadas. “O Brasil começa a entrar em um estágio em que criatividade e capital se encontram, e quem se organizar primeiro, com estrutura jurídica sólida e visão de longo prazo, vai capturar mais valor desse movimento”, conclui.

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