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Brasil passa a ter a maior plataforma de Big Data do mercado imobiliário da América do Sul após validação do Observatório por comitê de oito estados

Créditos da foto: Divulgação

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O mercado imobiliário do litoral norte de Santa Catarina (SC) encerra 2025 como líder incontestável no preço médio do metro quadrado no país e, além disso, como o pioneiro de um novo benchmark de valor global para um ativo imobiliário brasileiro. A negociação de apartamentos triplex em Balneário Camboriú, no edifício residencial que deve se tornar o mais alto do mundo, o Senna Tower, já alcança faixa de R$ 300 mil o metro quadrado, com unidades exclusivas que podem alcançar até R$ 300 milhões, segundo informações divulgadas pela construtora.

Representantes da Comissão Gestora validaram por unanimidade, nessa quinta-feira (5), a estrutura técnica do novo Observatório Imobiliário, um projeto inédito no país ao setor, realizado pelo Sistema COFECI-CRECI e com a operação e o rigor científico da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (FEPESE), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Líderes do Amapá, Rondônia, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco participaram de uma imersão técnica para entender o conceito macro e a metodologia de coleta de dados de um setor que registrou R$ 254,8 bilhões, alta de 5,6% no valor de venda (VGV) no acumulado de 12 meses (outubro de 2025), de acordo com  pesquisa da CBIC/Brain. O detalhamento do projeto, a apresentação da primeira etapa da coleta de dados e o lançamento do website com central de notícias serão em abril, com a presença de todos os CRECIs do país.

O projeto atua de forma colaborativa e, além das suas análises, visa centralizar informações e pesquisas dispersas sobre o setor imobiliário e da construção civil. Juntos, representam cerca de 17% do PIB nacional (considerando a cadeia estendida). “O Observatório Imobiliário nasce como um instrumento de leitura ampla do mercado imobiliário brasileiro. A iniciativa representa um passo importante na evolução do sistema e do setor, ao estruturar uma base nacional capaz de qualificar informações e decisões. Apesar da existência de diversos instrumentos de precificação, faltava uma estrutura de abrangência nacional, com método e capacidade de dialogar com organismos internacionais. Inédito no país, o OBI tem como princípio beneficiar toda a cadeia do mercado imobiliário”, reforça João Teodoro, presidente do Sistema COFECI-CRECI. 

“Falamos de uma indústria que sustenta milhões de empregos. O Observatório Imobiliário, com a auditoria acadêmica da UFSC e a experiência de quase 50 anos da FEPESE com esse tipo de ferramenta, garante que esse volume financeiro seja acompanhado por índices reais, ou seja, uma proteção ao mercado e estímulo para atração de novos investimentos já que diminui o risco Brasil”, explica.

“Com o início das pesquisas, a FEPESE, com uma trajetória de casos de sucesso na implementação de plataformas de Big Data para grandes corporações e entidades, aplica ciência de dados para garantir a realidade econômica de cada município e de cada bairro”, destacou Marcelino Ito, superintendente da FEPESE. Ele explicou ainda que o projeto opera com princípios rigorosos de governança, anonimização irreversível dos dados e filtros estatísticos para eliminar distorções. “Não lidamos com pessoas ou empresas individualmente. Trabalhamos com estatísticas agregadas e em total conformidade com a LGPD”, afirmou.

O Observatório Imobiliário não terá caráter fiscalizatório nem será utilizado para monitorar honorários ou práticas individuais. O foco é a produção de inteligência de mercado com base científica, capaz de apoiar decisões econômicas. Também funcionará como um centro de notícias com foco em análise de especialistas e acompanhamento do projeto. O website também será lançado em abril. Desde já, passou a operar o Instagram do OBI sob o endereço: @obi_brasil.

“A criação de um Observatório com alcance nacional representa um legado para o setor, um avanço estrutural para o mercado imobiliário brasileiro, que historicamente convive com grande heterogeneidade regional e baixa padronização de informações. Em um cenário de maior seletividade de crédito, decisões mais fundamentadas passam a ser essenciais, e a inteligência de dados contribui para um ambiente mais transparente, previsível e profissional”, afirmou Celso Raimundo, diretor do OBI e do Sistema COFECI-CRECI.

Mercado imobiliário em alta

Além de um mercado historicamente resiliente e com histórico de altas, pesquisas no segundo semestre de 2025 apontaram que 48% dos brasileiros pretendem adquirir imóveis em até dois anos no país. O destaque é a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010): 61% desse público projeta a compra da casa própria nos próximos 24 meses (CIBIC).

“A Geração Z já nasceu conectada e exige imediatismo. Eles não consomem o mercado imobiliário como seus pais; eles exigem dados organizados e de fácil acesso em tempo real e transparência total que pode ser acessada pelo notebook, pelo Ipad ou pelo celular. A adesão desse jovem à compra de imóveis força o setor a se modernizar e evoluir ao trazer métricas auditáveis”, analisa Raimundo.

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