Estudo revela dois perfis de brasileiro endividado: um paga dívidas pequenas, outro paga valores seis vezes maiores
Levantamento da Paschoalotto e do Pagou Fácil sobre o valor médio pago nas negociações mostra que o consumidor que negocia dívida com garantia, como financiamento de veículo ou imóvel, paga em média mais de seis vezes o valor de quem negocia dívida sem garantia, como cartão e varejo.
Nem todo brasileiro endividado é o mesmo brasileiro. É o que revela um estudo da Paschoalotto e do Pagou Fácil, sua plataforma de negociação de dívidas, que acompanhou o valor médio pago nas negociações entre janeiro de 2025 e agosto de 2026 e encontrou uma distância expressiva entre dois perfis de consumidor.
De um lado está a dívida sem garantia, ligada a cartão de crédito, varejo e contas do dia a dia, sem um bem vinculado ao compromisso. O valor médio pago por acordo nessa categoria girou em torno de R$ 275 a R$ 285 no período mais recente, depois de um recuo para cerca de R$ 252 em meados de 2025.
De outro lado está a dívida com garantia, atrelada a um bem, como o financiamento de um veículo ou de um imóvel. O valor médio pago por acordo nessa categoria ficou entre R$ 1.680 e R$ 1.940 no mesmo período, encerrando agosto de 2026 em cerca de R$ 1.865. Um patamar de pagamento mais de seis vezes superior ao da dívida sem garantia.
A distância entre os dois valores não é acidente: é retrato de duas lógicas de endividamento diferentes. A dívida sem garantia costuma ser mais numerosa, de valor menor e ligada ao consumo cotidiano, um compromisso que o consumidor consegue reorganizar com mais rapidez. A dívida com garantia carrega um peso diferente: envolve um bem que o consumidor não quer perder, um compromisso de prazo mais longo e um valor que exige uma negociação mais cuidadosa.
Para quem negocia dívidas, essa distância tem implicação direta: a jornada de negociação não pode ser igual para os dois perfis. A dívida sem garantia pede agilidade e simplicidade. A dívida com garantia pede atenção, clareza sobre as condições e tempo para que o consumidor avalie o impacto da decisão, porque o que está em jogo é um bem concreto da vida dele.
O cenário ajuda a explicar por que o país convive com dois discursos sobre endividamento ao mesmo tempo. O endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,4% em março de 2026, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio, com o cartão de crédito como a dívida mais citada. Mas, por trás desse número geral, convivem duas experiências bem diferentes: uma mais frequente e mais leve, outra mais rara e muito mais pesada.
Para Rodrigo Zulim, CDO da Paschoalotto e do Pagou Fácil, os números confirmam o que a empresa observa na prática.
“Esses números confirmam algo que vemos todos os dias na prática: não existe um único brasileiro endividado, existem perfis diferentes, com necessidades diferentes. Quem deve no cartão quer resolver rápido e seguir em frente. Quem tem uma dívida com garantia está lidando com um bem que importa muito para a vida dele, e precisa de mais clareza e cuidado na negociação. Entender essa diferença é o que permite desenhar uma jornada que realmente funciona para cada um”, avalia Zulim.

