Brasil aparece entre os principais compradores internacionais no estado; especialista Julio Silva analisa aquisições voltadas à diversificação e à geração de renda, mesmo sem mudança de país
Comprar um imóvel nos Estados Unidos pode fazer parte do planejamento financeiro de brasileiros que não pretendem morar no país. Além do uso durante viagens, a aquisição atende a objetivos como gerar receita com aluguel e distribuir o patrimônio entre diferentes mercados e moedas. Na Flórida, brasileiros movimentaram aproximadamente US$ 762 milhões em compras residenciais entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo levantamento da Florida Realtors.
O volume colocou o Brasil na terceira posição entre os países de origem dos compradores internacionais por valor investido no estado, atrás de Canadá e Colômbia. Os brasileiros também responderam por cerca de 7% das aquisições feitas por estrangeiros no período.
Para o especialista em financiamento imobiliário para estrangeiros Julio Silva, esses compradores têm objetivos que vão além da utilização do imóvel como residência. A propriedade também passa a integrar decisões sobre diversificação, renda e formação de patrimônio no longo prazo.
“Hoje vemos muitos investidores que não necessariamente pretendem morar nos Estados Unidos”, afirma Julio. “Eles buscam ativos dolarizados, segurança jurídica, previsibilidade e oportunidades de geração de renda por meio do mercado imobiliário.”
Mercado internacional movimenta bilhões, mas registra desaceleração
A participação brasileira na Flórida ocorre em um cenário de retração das compras internacionais no conjunto dos Estados Unidos. Segundo relatório divulgado em julho pela National Association of Realtors (NAR), estrangeiros adquiriram US$ 45,3 bilhões em imóveis residenciais usados entre abril de 2025 e março de 2026.
O resultado representa uma queda de 19,1% no volume financeiro em relação aos 12 meses anteriores. Foram compradas 67,1 mil propriedades, redução de 14%. A entidade aponta os preços elevados e a oferta restrita como fatores que limitaram as transações.
Mesmo nesse contexto, a Flórida permaneceu como o principal destino dos compradores internacionais, concentrando 20% das aquisições, seguida por Califórnia, com 19%, e Texas, com 12%.
Os levantamentos nacional e estadual abrangem períodos e recortes diferentes. Juntos, ajudam a dimensionar a presença do capital estrangeiro, mas não permitem concluir que as compras brasileiras acompanharam o mesmo movimento de queda registrado no total americano.
Na análise de Julio, a aquisição de imóveis no exterior está associada a uma mudança na forma como parte dos brasileiros organiza seus recursos. A escolha passa a considerar a função da propriedade dentro do patrimônio familiar, além da preferência pessoal por determinada cidade ou região.
Férias, aluguel e diversificação orientam as compras
O levantamento da Florida Realtors mostra que 68% dos compradores internacionais no estado pretendiam utilizar o imóvel para férias, locação residencial ou uma combinação dessas finalidades. O percentual reúne diferentes nacionalidades e não se refere exclusivamente aos brasileiros.
Esses objetivos correspondem a formas distintas de utilização da propriedade. Um imóvel destinado ao uso familiar durante parte do ano atende a uma necessidade diferente daquela de uma unidade adquirida para locação contínua. A definição dessa finalidade é um dos pontos que orientam a estruturação da compra.
“O imóvel nos Estados Unidos deixou de representar apenas um sonho de mudança”, afirma Julio.
Segundo o especialista, a possibilidade de manter um ativo em dólar e buscar receitas com locação faz com que a aquisição seja considerada mesmo por quem mantém a vida pessoal e profissional no Brasil.
A diversificação entre países e moedas, porém, não elimina os riscos do investimento. A renda e a valorização dependem das características do imóvel e das condições de cada mercado. Por isso, a expectativa de retorno precisa ser analisada junto às despesas e à finalidade da compra.
Financiamento também integra a estratégia
A forma de pagamento é outra decisão relevante. Segundo a NAR, 48% das compras internacionais de imóveis residenciais usados nos Estados Unidos foram realizadas integralmente à vista entre abril de 2025 e março de 2026.
Embora o pagamento à vista tenha participação expressiva, o financiamento também faz parte desse mercado. Julio destaca a existência de linhas de crédito voltadas a compradores estrangeiros, que permitem avaliar a aquisição sem utilizar imediatamente todo o capital disponível.
O acesso ao financiamento, entretanto, depende da análise da instituição financeira, da documentação e das condições de cada operação. A decisão precisa considerar tanto os recursos destinados à compra quanto a capacidade de manter o imóvel ao longo do tempo.
Para Julio, esse planejamento reforça a presença do mercado imobiliário americano nas decisões patrimoniais de brasileiros que procuram alternativas fora do país, independentemente de uma mudança de residência.
“Hoje ele faz parte da estratégia financeira de muitos brasileiros que buscam construir patrimônio de longo prazo em uma das economias mais sólidas do mundo”, conclui.
Julio Silva

