Primeiro dia do evento, no São Paulo Expo, reuniu lideranças em torno de soluções para o curtailment, modernização da infraestrutura elétrica e expansão da demanda por energia renovável
Com oportunidades para ampliar o uso da energia renovável e fortalecer a competitividade do setor, a indústria eólica brasileira busca avançar em uma nova etapa de crescimento, impulsionada por investimentos em infraestrutura, modernização das redes elétricas e expansão da demanda por energia limpa. Esses caminhos marcaram o primeiro dia do Brazil Windpower (BWP) 2026, realizado no São Paulo Expo, na capital paulista. Maior evento de energia eólica da América Latina, o encontro reúne lideranças para discutir soluções capazes de aproveitar melhor o potencial renovável do país e criar condições para novos projetos.
Nesse contexto, os debates abordaram o curtailment, como são chamados os cortes na geração de energia, e as medidas para ampliar a capacidade do sistema elétrico de absorver a produção renovável. Entre outubro de 2021 e setembro de 2025, as restrições representaram quase R$ 6 bilhões em perdas para o setor eólico brasileiro. A busca por soluções técnicas e regulatórias, no entanto, também abre espaço para modernizar a infraestrutura, aumentar a flexibilidade do sistema e oferecer maior previsibilidade aos investidores.
Na abertura, a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum, defendeu uma agenda coordenada para ampliar a transmissão, enfrentar os cortes de geração e estimular novos consumidores. João Galamba, diretor do Global Wind Energy Council (GWEC), destacou que o Brasil já conta com uma base expressiva de geração eólica e que o próximo passo é criar condições para viabilizar projetos e conectar a produção à rede elétrica.
“A próxima fase não é mais megawatts a qualquer preço. É megawatts na hora certa para que o sistema possa contar”, afirmou Galamba. O executivo também anunciou que o Brasil será prioridade de uma iniciativa global do GWEC para modernizar as redes elétricas em 2027 e 2028, em parceria com a ABEEólica.
Demanda e segurança energética
A ampliação do consumo de eletricidade foi apontada como caminho para aproveitar melhor a geração renovável. Laura Porto, diretora da Neoenergia e presidente do Conselho de Administração da ABEEólica, argumentou a favor do avanço da eletrificação da indústria e dos transportes e a atração de empreendimentos intensivos em energia, como data centers.
“O problema do Brasil não é ter energia renovável demais. O problema é ainda não termos um sistema capaz de aproveitar plenamente toda a energia limpa que somos capazes de produzir”, disse.
No painel sobre geopolítica, mudanças climáticas e energia, Laura também destacou a importância estratégica do setor. “A agenda de segurança energética deixa de ser uma agenda só de clima e passa a ser uma agenda de segurança”, ponderou. Elbia Gannoum, por sua vez, cobrou a implementação de medidas concretas. “Nós já sabemos o que temos que fazer. Nós só temos é que fazer agora.”
Regras claras para reduzir perdas
O painel “Desmistificando conceitos: o que é sobreoferta de energia?”, mediado por Donato Filho, CEO da Volt Robotics, aprofundou a discussão sobre os cortes de geração e seus efeitos sobre os investimentos. Segundo Donato, os cortes associados à sobreoferta aumentaram mais de 52,7% em 2026. “Não está sobrando energia; está faltando flexibilidade”, analisou.
Francisco Galvão, vice-presidente de Operações da Elera Renováveis, apontou que os cortes atingem cerca de 30% da geração solar e 25% da eólica. Já Manoel de Andrade, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atlas Renováveis, destacou que o volume de energia cortada é a principal preocupação na decisão de investir.
Rodolfo Coli, diretor de Regulação e Gestão de Portfólio da CPFL Brasil e CPFL Renováveis, defendeu critérios mais claros para classificar os cortes e avanços nas regras de ressarcimento. Francine Pisni, gerente-executiva de Assuntos Regulatórios da Auren, chamou atenção para a falta de padronização das informações. “Há transparência, mas ela não é suficiente”, avaliou. O debate também apontou o armazenamento de energia e os sinais tarifários como alternativas para aumentar a flexibilidade do sistema e reduzir restrições.
Capital e novas fronteiras
A atração de investimentos e o fortalecimento da indústria nacional também estiveram na agenda. Helena Brandão, gerente de investimentos da ApexBrasil, apresentou iniciativas para aproximar investidores estrangeiros de oportunidades no país, enquanto Roberto Veiga, vice-presidente da Goldwind, destacou a importância da previsibilidade e da capacidade industrial local, incluindo a unidade da empresa em Camaçari (BA).
O deputado federal Arnaldo Jardim defendeu avanços regulatórios para o rateio dos custos do curtailment, o armazenamento de energia e o licenciamento ambiental, além de políticas industriais que estimulem a fabricação nacional de equipamentos.
A eólica offshore também ganhou espaço. Em painel sobre a seleção de áreas prioritárias para os primeiros projetos no Brasil, Charles Egberto Guedes Vonnegut Vieira de Mello, técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentou uma metodologia que considera critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos para orientar a escolha de áreas marítimas.
Com programação até 29 de outubro, o Brazil Windpower 2026 segue debatendo os desafios regulatórios e operacionais do setor e as oportunidades para ampliar a participação das renováveis na economia brasileira. A programação completa pode ser consultada em: https://www.brazilwindpower.com.br/congresso/
Serviço
Brazil Windpower 2026
Data: 27 a 29 de outubro de 2026, das 10h às 20h
Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)
Endereço: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Vila Água Funda, São Paulo (SP)
Link para credenciamento: https://www.brazilwindpower.com.br/imprensa/
Realização: Informa Markets (promotora e organizadora), com co-organização da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) e do Global Wind Energy Council (GWEC).

