Ícone do site Economia S/A

Carregador de 300 kW não faz todo elétrico carregar mais rápido e pode elevar custo de eletropostos

Créditos da imagem: Divulgação

Créditos da imagem: Divulgação

A expansão dos carros elétricos no Brasil vem acompanhada de carregadores cada vez mais potentes, mas a escolha de um equipamento com maior capacidade não significa, necessariamente, redução proporcional no tempo de recarga. Isso acontece porque o próprio automóvel determina quanto consegue receber, seja em estações rápidas de corrente contínua (DC), seja nos carregadores de corrente alternada (AC), comuns em residências, condomínios, empresas e estacionamentos.

Para Paulo Sergio Fernandes Junior, CEO da Apollo Energy, empresa especializada em infraestrutura e tecnologia para recarga de veículos elétricos, a potência anunciada pela estação precisa ser analisada em conjunto com as características do veículo. “Existe uma percepção de que um carregador de 300 kW necessariamente carregará qualquer carro muito mais rápido do que um equipamento de 120 kW. Se o veículo aceita no máximo 80 kW, porém, conectá-lo a uma estação de 300 kW não fará com que ele receba toda essa potência”, explica.

Na recarga rápida em DC, os limites variam bastante entre os modelos. Um BYD Dolphin Mini aceita cerca de 40 kW, enquanto o BYD Dolphin chega a aproximadamente 80 kW e o Volvo EX30 pode alcançar até 175 kW. Além disso, o carro não permanece na potência máxima durante toda a sessão. Conforme a bateria se aproxima de níveis mais altos, o sistema reduz a entrada de energia para controlar a temperatura e preservar o conjunto.

Nos carregadores AC, a lógica envolve outro componente: o OBC (On-Board Charger), ou carregador de bordo, responsável por converter a corrente alternada fornecida pela estação em corrente contínua para a bateria. É a capacidade desse equipamento que determina quanto o automóvel consegue aproveitar. O BYD Dolphin, por exemplo, possui capacidade de recarga AC de 6,6 kW e não utiliza toda a potência de uma estação de 11 ou 22 kW. Já o Renault Megane E-Tech, preparado para recarga AC de até 22 kW, pode aproveitar uma potência significativamente maior quando conectado a uma infraestrutura compatível.

“Um consumidor pode investir em um carregador de 22 kW acreditando que terá uma recarga três vezes mais rápida do que em um equipamento de 7 kW. Se o OBC do veículo estiver limitado a 7 kW, esse ganho não acontecerá. Potências maiores também exigem infraestrutura elétrica compatível, especialmente em relação à disponibilidade de alimentação trifásica”, afirma Fernandes Junior.

A diferença também interfere no planejamento de condomínios, empresas e estacionamentos. Em locais onde os veículos permanecem parados por várias horas, a instalação de mais pontos de 7 kW pode ser economicamente mais interessante do que concentrar o investimento em poucos equipamentos de 22 kW. Em recarga rápida, a mesma lógica pode levar um projeto a optar por mais carregadores de potência intermediária em vez de uma única estação ultrarrápida.

Segundo Fernandes Junior, o dimensionamento deve considerar quantidade de veículos, demanda simultânea, tempo médio de permanência e capacidade elétrica disponível. “O melhor carregador não é necessariamente o de maior potência. É aquele que faz sentido para os veículos atendidos e para a rotina daquele local. Avaliar essas variáveis antes da instalação evita um investimento maior que, na prática, pode não resultar em uma recarga mais rápida.”.

Sair da versão mobile