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Caso Banco Master: atrasos do FGC e investigações ampliam incertezas no mercado financeiro

Paulo Bittencourt - Créditos da foto: Divulgação

Paulo Bittencourt - Créditos da foto: Divulgação

O caso do Banco Master se firmou como um dos principais eventos econômicos e regulatórios do início de 2026 no Brasil, ao reunir liquidação extrajudicial, investigações criminais e dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de proteção ao investidor. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição diante de uma grave crise de liquidez e de irregularidades nas operações, encerrando suas atividades e acionando os procedimentos previstos para esse tipo de intervenção.

Desde então, o episódio ganhou novas dimensões. A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de emissão de títulos de crédito sem lastro e outras irregularidades, com mandados de busca e apreensão relacionados ao controlador do banco e a familiares. Paralelamente, a condução do caso pelo Banco Central passou a ser analisada por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando o debate sobre governança, supervisão e risco regulatório no sistema financeiro.

Para Paulo Bittencourtestrategista-chefe da MZM Wealthconsultoria financeira especializada em planejamento financeiro e investimentos, o caso tende a impactar a percepção de risco no mercado financeiro, especialmente em relação a bancos médios e instituições que oferecem retornos elevados. “Eventos como esse afetam diretamente a expectativa de investidores, que passam a exigir prêmios de risco maiores ou a migrar recursos para ativos considerados mais seguros e líquidos, como títulos públicos”, afirma.

Os impactos potenciais atingem diretamente os investidores. Segundo estimativas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cerca de 1,6 milhão de investidores possuem valores elegíveis para ressarcimento, totalizando aproximadamente R$ 41 bilhões. Apesar disso, o pagamento aos investidores do Banco Master já ultrapassa quase dois meses desde a decretação da liquidação, prazo superior à média de 27 dias observada em casos recentes, como Banco Neon, Portocred e BRK Financeira, embora abaixo do tempo médio histórico de 81 dias considerando liquidações do Banco de Financiamento Internacional (BFI) em 1996.

Segundo o especialista, além das implicações diretas para os clientes do Banco Master, o episódio pode gerar efeitos mais amplos sobre o fluxo de capitais e a precificação de ativos de crédito. “Quando surgem dúvidas sobre governança, supervisão e garantias efetivas, o mercado reage com mais cautela. Isso reforça a importância da diversificação de portfólio e da avaliação criteriosa dos riscos regulatórios e institucionais ao estruturar investimentos, especialmente em momentos de maior incerteza”, conclui Paulo Bittencourt.

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