A edtech atingiu break-even já no primeiro mês de operação e a meta para o próximo ano é alcançar faturamento de R$ 1,4 milhão, com a expansão da base de escolas parceiras
Uma edtech criada por três jovens empreendedores brasileiros promete mudar a forma como as escolas identificam e cuidam do bem-estar emocional dos alunos. A Centra nasce como uma empresa disruptiva e inovadora que nasceu para transformar linguagem escrita em dados socioemocionais estruturados e acionáveis, permitindo que instituições de ensino atuem de forma preventiva.
A Centra foi fundada por três jovens empreendedores: Pedro Costa (19), Felipe Gambarini (19) e Pedro Negri (18). Os jovens vivenciaram de perto as limitações do modelo escolar tradicional e foi da própria experiência que a ideia nasceu durante a formação básica, quando perceberam que, apesar de estruturas acadêmicas consolidadas, existe uma lacuna significativa na identificação estruturada do bem-estar socioemocional dos estudantes.
Um problema sistêmico e silencioso
Ansiedade, desmotivação, pressão, conflitos internos e sofrimento emocional fazem parte da realidade de muitos alunos, mas que raramente são identificados de forma precoce e segura. Segundo os fundadores, as escolas ainda operam com indicadores tardios e reativos, como queda de rendimento ou crises comportamentais.
Esse descompasso é o que a empresa chama de “ciclo silencioso”: o aluno não consegue verbalizar o que sente, e a escola não dispõe de instrumentos objetivos para identificar quem está em sofrimento antes que a situação se agrave.
“Percebemos que a maior dor das escolas não era ensinar sobre emoção, mas identificar quem está quebrando por dentro antes que vire crise”, afirma Pedro Negri.
Tecnologia com responsabilidade pedagógica
Buscando referências fora do setor educacional, os fundadores analisaram modelos corporativos que utilizam dados de linguagem e comportamento para mapear engajamento e bem-estar. A partir dessa provocação, desenvolveram um código próprio e um framework metodológico específico para o contexto escolar.
A Centra transforma produções textuais dos alunos em indicadores socioemocionais organizados, respeitando critérios pedagógicos e éticos. A plataforma não realiza diagnósticos clínicos, mas sinaliza padrões relevantes que apoiam a tomada de decisão educacional.
A tecnologia é escalável, com supervisão técnica especializada. Os dados são estruturados a partir da produção textual dos alunos, com validação técnica especializada. O cliente direto é a escola — especialmente instituições com cultura socioemocional em desenvolvimento ou já estruturada — mas o usuário real é o aluno, junto à equipe pedagógica (direção, coordenação e orientação educacional). O foco está em estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, fase marcada por intensas transformações emocionais e construção de identidade.
Entre os diferenciais competitivos da empresa estão a hiperpersonalização de dados socioemocionais, identificação individual de alunos e planos de ação estratégicos direcionados à gestão escolar.
A empresa conta ainda com uma equipe especializada de psicólogos que integra o núcleo técnico da operação e é responsável pela leitura aprofundada e qualificada dos textos produzidos pelos alunos. Esses profissionais atuam na validação metodológica, na interpretação criteriosa dos sinais socioemocionais identificados pela plataforma e na garantia de que todas as análises sejam conduzidas com rigor ético, responsabilidade pedagógica e sensibilidade humana. Essa combinação entre tecnologia e supervisão especializada assegura que os insights gerados não sejam apenas dados, mas informações contextualizadas, seguras e realmente úteis para a tomada de decisão das escolas.
Mesmo sendo um projeto jovem, a Centra já foi implementada em cinco instituições:
- Up Vestibulares;
- Colégio Premier;
- Colégio Bosque;
- Instituto Presbiteriano Gammon;
- Maple Bear Pacaembu.
Mais de 350 alunos já passaram pela plataforma, com identificação de sinais relevantes de sofrimento emocional — incluindo casos críticos que antes passavam despercebidos.
Em um dos pilotos, um aluno aparentemente bem ajustado escreveu, em uma atividade escolar, uma descrição explícita de suicídio. O caso surpreendeu a escola e evidenciou o potencial da ferramenta em identificar sinais que não aparecem nos indicadores tradicionais.
“O problema não é identificar quem todo mundo já sabe que está mal. É descobrir quem está gritando por dentro sem que ninguém veja”, reforça Felipe Gambarini.
Empreender jovem em um mercado tradicional
Os três fundadores iniciaram o projeto aos 18 anos, enfrentando o desafio de construir autoridade em um setor historicamente conservador. O rigor metodológico, a clareza ética e a consistência científica foram pilares para conquistar a confiança de escolas, gestores e famílias.
Desde janeiro de 2025, os empreendedores desenvolvem o negócio enquanto cursam a graduação na Link School of Business, integrando aprendizado acadêmico e construção prática.
A empresa foi iniciada com investimento próprio aproximado de R$ 10 mil e atingiu break-even já no primeiro mês de operação. Para o próximo ano, a meta é alcançar faturamento anual de R$ 1,4 milhão, com a expansão da base de escolas parceiras.
Ainda esse ano, a Centra fará sua primeira rodada de investimento (seed round) para acelerar o crescimento e consolidar o product development.
O futuro: infraestrutura socioemocional da educação
Nos próximos anos, o objetivo é posicionar a Centra como a principal infraestrutura de dados socioemocionais do mercado educacional, conectando alunos, escolas, educadores, gestores e famílias.
“Assim como existem sistemas consolidados para dados acadêmicos e administrativos, o socioemocional também precisa de uma base contínua, ética e baseada em evidências. A Centra nasce para ocupar esse espaço”, afirma Pedro Costa.
Criada de jovens para jovens — de quem sentiu para quem sente — a Centra não se apresenta apenas como tecnologia, mas como uma nova camada estrutural da escola contemporânea: preventiva, mensurável e humana.
“A Centra é a startup que transforma o que os alunos escrevem em inteligência estratégica para escolas”, finaliza Pedro Negri.

