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Centralizar para crescer

Erick e Anderson Moutinho Eskolare - Créditos da foto: Divulgação

As escolas particulares de educação básica no Brasil alcançaram, em 2024, um marco importante ao ultrapassar 9,5 milhões de matrículas, o maior contingente histórico de alunos na rede privada, conforme dados do Censo Escolar 2024 divulgados pela Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP).

É um dos segmentos mais relevantes da economia nacional, resiliente, previsível e com alto potencial de rentabilidade. Mas, paradoxalmente, boa parte das escolas ainda opera com controles financeiros de século passado, com planilhas manuais, conciliações fragmentadas e baixa automação de cobranças e pagamentos.

Essa estrutura dispersa gera efeitos que vão muito além da inadimplência. Ela compromete a previsibilidade de receita, dificulta a tomada de decisão e cria gargalos operacionais que consomem tempo e recursos. Em um ambiente onde as margens estão cada vez mais pressionadas, a centralização completa da gestão financeira deixa de ser apenas uma questão de eficiência e se torna uma estratégia de sustentabilidade e crescimento.

Durante anos, as fintechs de educação focaram no relacionamento entre escolas e famílias, o modelo B2B2C. Isso foi essencial para digitalizar a jornada de pagamentos, criar experiências mais fluidas e reduzir a inadimplência. Agora, o próximo passo é levar essa inteligência para dentro da operação escolar e consolidar contas, cobranças, crédito e fluxo de caixa em um mesmo ambiente, sob o modelo B2B, voltado à gestão estratégica.

O efeito é imediato. Escolas que operam com uma plataforma única de gestão, integrando pagamentos, matrículas, vendas online e crédito, reduzem custos administrativos, ampliam a previsibilidade e ganham poder de negociação com fornecedores e instituições financeiras.

Um mercado com escala e subatendimento

Os números ajudam a entender o tamanho da oportunidade. A partir de microdados do Inep, a fintech para o setor educacional Eskolare apurou que cerca de 69% das escolas privadas brasileiras têm até 200 alunos, e 26% estão na faixa entre 200 e 700, ou seja, o mercado é formado majoritariamente por pequenas e médias instituições. Essas escolas operam com margens estreitas e baixo acesso a crédito, mesmo com receita recorrente e fidelização alta. A ausência de uma estrutura centralizada de gestão impede que usufruam de vantagens financeiras básicas, como antecipação de recebíveis, análises preditivas de risco e controle de fluxo de caixa em tempo real.

E tudo isso em um cenário macroeconômico desafiador. Os brasileiros ficaram mais endividados e inadimplentes em setembro, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnês e crédito consignado, alcançou 79,2% em setembro de 2025, o maior nível desde outubro de 2022. E o maior endividamento foi acompanhado por um crescimento da inadimplência, que chegou a 30,5% e renovou o maior patamar da série histórica. Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), 13% das famílias afirmaram não ter condições de pagar as dívidas em atraso, afetando diretamente escolas que dependem de pagamentos mensais.

Nesse cenário, integrar dados financeiros, históricos de pagamento e comportamento de consumo das famílias é o caminho para precificar riscos de forma mais justa e ampliar o acesso a crédito com base em inteligência e não apenas no CNPJ da instituição.

A tecnologia como alicerce de uma nova governança

A aplicação de inteligência artificial e automação no backoffice escolar não é apenas tendência, mas uma necessidade. No contexto B2B, essas mesmas capacidades tecnológicas viabilizam a criação de dashboards preditivos, régua de cobrança automática e mecanismos de antecipação sob demanda, pilares de uma gestão moderna.

O resultado é um novo modelo de governança financeira com dados integrados, visibilidade total do caixa e decisões baseadas em indicadores em tempo real. Essa visão consolidada não apenas reduz custos e riscos, como também fortalece o relacionamento das escolas com famílias e fornecedores, transformando o financeiro em vetor de crescimento e não em gargalo.

Centralizar para profissionalizar

Em um mercado com mais de 40 mil escolas privadas ativas, o desafio agora é menos tecnológico e mais cultural. Centralizar a gestão financeira significa adotar uma nova mentalidade de negócios: enxergar a escola como empresa e a gestão de pagamentos como ativo estratégico. O caminho é inevitável. Quem conseguir integrar todas as pontas — cobrança, crédito, recorrência, antecipação e vendas — estará preparado para escalar com eficiência e previsibilidade.

O futuro das escolas privadas passa pela centralização inteligente e quem entender isso primeiro ocupará um papel protagonista no ecossistema educacional e financeiro do país.

Erick Moutinho e Anderson Moutinho, fundadores da Eskolare

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