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ChatGPT inicia vendas diretas em conversas e transformá IA em canal de comércio global

Luis Molla Veloso-Crédito da foto: Divulgação
Luis Molla Veloso-Crédito da foto: Divulgação

Novo recurso permite comprar produtos dentro do chat; movimento marca a entrada da OpenAI no comércio conversacional e deve acelerar o avanço do embedded finance, segundo o especialista Luis Molla Veloso

O ChatGPT, sistema de inteligência artificial da OpenAI, iniciou em setembro de 2025 uma nova fase que promete alterar a relação entre consumidores e tecnologia. 

A empresa anunciou o recurso Instant Checkout, que permite realizar compras diretamente dentro do chat, sem redirecionar o usuário a sites externos. A ferramenta está disponível inicialmente para os Estados Unidos e integra lojas da Etsy e, em breve, da Shopify.

De acordo com o comunicado oficial, o Instant Checkout utiliza o Agentic Commerce Protocol (ACP), desenvolvido em parceria com a Stripe, responsável por processar os pagamentos de forma segura e instantânea. A funcionalidade transforma o ChatGPT em um ambiente de transação completo: o usuário descobre, decide e paga em um único fluxo de conversa.

O lançamento gerou impacto imediato no mercado financeiro. No dia do anúncio, as ações da Etsy registraram alta de 16% e as da Shopify, de 6%, refletindo a expectativa sobre o potencial de monetização do novo modelo. 

Analistas apontam que a OpenAI se posiciona agora como protagonista em uma categoria emergente: o comércio conversacional, em que agentes de IA assumem papel ativo em recomendações e vendas.

Segundo levantamento da Bain & Company, o mercado global de embedded finance, modelo que integra serviços financeiros em plataformas digitais, deve ultrapassar US$ 7,2 trilhões até 2030, impulsionado por sistemas que conectam pagamentos e consumo de forma invisível.

Para Luis Molla Veloso, especialista em Embedded Finance e integração de serviços financeiros a plataformas digitais, o movimento da OpenAI é um marco no cruzamento entre tecnologia e finanças.

“O ChatGPT passa a ser mais do que um assistente. Ele se torna um agente econômico, capaz de intermediar consumo, pagamento e dados dentro de uma experiência única. Isso representa o amadurecimento do conceito de embedded finance, em que o serviço financeiro deixa de ser percebido e passa a fazer parte natural da jornada digital do usuário”, afirma.

Embora a funcionalidade ainda não tenha previsão de chegada ao Brasil, Veloso acredita que o país reúne as condições ideais para receber o modelo, especialmente pela maturidade do sistema de pagamentos instantâneos e pelo avanço do Open Finance.

“O ecossistema brasileiro é um dos mais abertos do mundo. O Pix, as fintechs e as APIs de integração criam um terreno fértil para que o comércio conversacional se consolide com segurança e inovação regulatória”, avalia o especialista.

A OpenAI informou que a expansão internacional do Instant Checkout ocorrerá de forma gradual, à medida que novos parceiros de pagamento e varejo forem integrados ao protocolo. Até lá, o Brasil observa de perto uma transformação que combina inteligência artificial, finanças embutidas e o futuro das relações de consumo.

Sobre Luis Molla Veloso

Especialista em Fintech e Embedded Finance, atua na integração de serviços financeiros diretamente em jornadas digitais, conectando tecnologia, produto e estratégia para transformar a forma como as empresas oferecem crédito, pagamentos, seguros e soluções de banking as a service.

Com sólida atuação no desenvolvimento de plataformas e APIs financeiras, trabalha para tornar os serviços bancários mais acessíveis, invisíveis e centrados no usuário, com foco em escalabilidade, conformidade regulatória e experiência fluida. Acesse o LinkedIn.

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