Fundador da Mobiauto e autor de “O Voo do Empreendedor”, Sant Clair de Castro Jr. reúne aprendizados de sua trajetória para ajudar quem quer tirar uma ideia do papel
Ter uma ideia e decidir transformá-la em negócio são coisas bem diferentes. No começo, surgem dúvidas sobre investimento, clientes, concorrência e até sobre o momento certo de começar. Para Sant Clair de Castro Jr., parte dessas respostas só aparece quando o empreendedor coloca a ideia à prova e começa a ouvir o mercado.
Sant Clair conhece esse caminho. Depois de construir uma carreira no Itaú Unibanco, onde ingressou como trainee executivo e chegou ao cargo de diretor, ele decidiu deixar o mundo corporativo para empreender. Ao lado de Guilherme Braga, criou a Mobiauto, empresa de tecnologia voltada ao mercado automotivo. O projeto começou a ser desenvolvido enquanto os dois ainda trabalhavam no iCarros e ganhou forma em 2019.
A experiência acumulada como executivo e empreendedor está na base de O Voo do Empreendedor: O método PIPA para construir negócios capazes de ganhar altitude sem perder estabilidade, que será lançado pela Gente Autoridade em setembro. No livro, Sant Clair apresenta o Método PIPA, baseado em quatro etapas: Preparar, Impulsionar, Proteger e Aprimorar.
Para quem está pensando em abrir um negócio, ele destaca cinco pontos:
1. Antes de pensar na solução, entenda o problema
É comum começar um negócio pela pergunta “o que eu poderia vender?”. Sant Clair sugere inverter a ordem: primeiro, entender o que as pessoas precisam resolver.
Foi a partir dessa observação que ele e Guilherme Braga começaram a construir a Mobiauto. A experiência dos dois no mercado automotivo ajudou a identificar dificuldades enfrentadas por consumidores e empresas na compra e venda de veículos.
Conversar com potenciais clientes, observar como eles lidam hoje com determinado problema e testar se existe disposição para pagar por uma solução são formas de descobrir se a ideia tem espaço antes de fazer grandes investimentos.
2. Comece com o que é possível testar
Não é preciso ter uma empresa perfeita para começar. Muitas vezes, o melhor caminho é colocar uma primeira versão da ideia na rua e descobrir, na prática, o que precisa mudar.
Os primeiros clientes podem mostrar problemas que não estavam previstos e também apontar oportunidades que o empreendedor ainda não havia percebido. Quanto mais cedo essas informações aparecem, mais fácil costuma ser ajustar o negócio.
Essa é uma das ideias associadas à etapa de “Preparar” do Método PIPA: entender o cenário e testar as premissas antes de acelerar.
3. Descubra por que o cliente escolheria a sua empresa
Ter concorrentes não significa que não exista espaço para um novo negócio. Mas é preciso saber o que fará alguém escolher aquela empresa.
O diferencial pode estar na tecnologia, no preço, no atendimento ou no conhecimento de um determinado mercado. No caso da Mobiauto, a proposta foi usar tecnologia para mudar uma experiência que já fazia parte da rotina de consumidores e empresas.
A pergunta que o empreendedor deve fazer é simples: se o cliente já tem outras opções, por que ele escolheria a minha?
4. Não tenha medo de mudar o plano
Uma das dificuldades de empreender é perceber que uma ideia que parecia boa no início pode precisar de ajustes. Isso não significa necessariamente que o negócio deu errado.
Mercado, comportamento do consumidor e concorrência mudam. Além disso, os próprios resultados da empresa trazem informações que não estavam disponíveis quando a decisão inicial foi tomada.
Por isso, acompanhar os resultados e reconhecer rapidamente o que precisa ser corrigido pode ser mais importante do que insistir em um plano apenas porque ele foi o primeiro.
No Método PIPA, esse aprendizado aparece nas etapas de “Proteger” e “Aprimorar”, que tratam da capacidade de atravessar dificuldades e evoluir a partir delas.
5. Não tente fazer tudo sozinho
No início, é normal que o fundador cuide de quase tudo: vendas, contratação, atendimento, decisões financeiras e até tarefas operacionais. Conforme a empresa cresce, porém, continuar centralizando todas essas atividades pode se tornar um problema.
Criar uma equipe de confiança e dividir responsabilidades ajuda o empreendedor a sair da operação e dedicar mais tempo às decisões que podem fazer o negócio avançar.
Também é importante pensar na cultura da empresa desde cedo. Afinal, quando novas pessoas entram, são elas que ajudam a manter a forma de trabalhar e os valores que deram origem ao negócio.








