Maurício Almeida, presidente da Watch TV e líder do Conselho Antipirataria da ABOTTS, comenta que redução da latência, barreira contra pirataria e experiência com IA são os diferenciais para o maior evento de futebol do mundo
Enquanto o mercado de streaming global foca em guerras de conteúdo, a brasileira Watch TV está direcionando seus esforços em ajustes de infraestrutura. Com foco no maior evento de futebol do mundo, a plataforma investiu para atacar o principal gargalo das transmissões via IP: a diminuição da latência em 60%, durante um período em que a empresa espera 10 milhões de plays em sua plataforma.
O movimento antecipa uma demanda sem precedentes revelada pela Kantar IBOPE Media: com 31% da audiência migrando para o streaming e 45% dos usuários mantendo o smartphone como “segunda tela” ativa, a estabilidade de rede e a velocidade de resposta tornaram-se os novos diferenciais competitivos.
A estratégia técnica da Watch TV baseia-se no ajuste fino de protocolo, player e aplicativos. “O streaming não pode ser o lugar onde o gol chega com atraso. Em um mercado de atenção disputada, a latência é o maior motor de churn tecnológico”, explica Maurício Almeida, presidente da Watch TV. A companhia aumentou em mais de 62%, entre 2025 e 2026, a base de provedores parceiros, chegando nos 4.500 municípios e em todos os estados brasileiros. Para 2026, o crescimento deve ser de 46% e a campanha Seleção Watch representa 40% do tempo anual.
Para suportar o pico de audiência projetado durante as partidas da Seleção Brasileira, a Watch TV investiu em uma infraestrutura escalável, capaz de suportar números elevados de acessos simultâneos, além de um arcabouço baseado em alta disponibilidade e segurança cibernética.
A arquitetura conta com uma operação em dois data centers independentes, garantindo redundância total e failover automático, além de uma camada de proteção Anti-DDoS de última geração para mitigar ataques massivos comuns em grandes transmissões ao vivo. Complementando a experiência do usuário, a plataforma integrou APIs de estatísticas em tempo real diretamente na interface do app, permitindo o acesso a dados da partida sem a necessidade de fechar o player, o que otimiza o consumo de memória do dispositivo e eleva o nível de interatividade.
Expansão e o Modelo Hub-as-a-Service
A Watch TV está transformando seu modelo de hub em uma plataforma de exportação. A partir dos escritórios de Lisboa e Miami, recém inaugurado, a empresa quer levar seu modelo de agregação, que já unifica gigantes como a Sony Pictures e canais lineares em um único ecossistema, para mercados que sofrem com a fragmentação de assinaturas.
Ao final do dia, a Watch TV aposta que a vitória no streaming será decidida nos milissegundos. Para uma empresa que impacta mais de 6 milhões de pessoas, a missão é tornar o sinal via IP tão robusto quanto o rádio, mas com a fidelidade do 4K.
Segurança digital em meio ao calendário esportivo
O calendário esportivo de 2026 promete quebrar recordes de tráfego na internet brasileira. Dados recentes da Ancine e da Anatel revelam que a pirataria audiovisual gera um prejuízo anual de R$ 15 bilhões no Brasil, com cerca de 8 milhões de usuários utilizando sistemas de IPTV sem licenciamento. Durante competições de grande apelo popular, a busca por acessos gratuitos se torna a principal ferramenta de engenharia social para cibercriminosos.
Segundo Almeida, que é líder do Conselho Antipirataria da Associação Brasileira de OTTs e Streamings – ABOTTS, o perigo é técnico e muitas vezes silencioso. “O usuário que busca um atalho para acompanhar os jogos através de aplicativos de fontes desconhecidas ou sites não oficiais está, na prática, abrindo uma porta dos fundos em sua rede Wi-Fi. Esses softwares ilegais frequentemente contêm scripts maliciosos que podem monitorar o tráfego de dados do dispositivo, capturando desde credenciais de redes sociais até senhas de aplicativos bancários”, explica Almeida.
Infraestrutura e performance
Além da segurança, o aspecto técnico da entrega do conteúdo é outro ponto de atenção. Enquanto redes legalizadas utilizam servidores distribuídos (CDNs) para garantir que o sinal chegue com a menor latência possível, as infraestruturas ilegais operam de forma instável, o que prejudica a qualidade da conexão de internet de toda uma região.
“Existe uma diferença técnica abissal. O sinal ilegal não possui otimização. Ele consome banda de forma desordenada e sobrecarrega os provedores de internet (ISPs), resultando em travamentos justamente no momento de maior audiência. Para o internauta, o risco de ter seus dados expostos se soma à frustração de uma experiência técnica precária”, pontua o executivo.

