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Com IA em mais de 80% das instituições financeiras, open source fortalece a soberania digital

Marcos-Lacerda---Divulgação SUSE

Marcos-Lacerda---Divulgação SUSE

Por Marcos Lacerda, presidente da SUSE América Latina

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar parte da infraestrutura crítica das organizações. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, mais de 80% das instituições financeiras brasileiras já utilizam IA. Ao mesmo tempo, os investimentos do setor em tecnologia devem ultrapassar R$ 50 bilhões, impulsionados por aplicações em análise de crédito, prevenção a fraudes, Open Finance, atendimento e hiperpersonalização. 

A corrida pela IA já começou, mas a agenda dos executivos mudou. O desafio agora não é apenas incorporar novos modelos aos negócios, mas transformar a tecnologia em um ativo estratégico sem comprometer segurança, conformidade regulatória e controle sobre os dados.

Durante os primeiros anos, o foco esteve principalmente na capacidade dos modelos e na descoberta de novos casos de uso. Hoje, a prioridade é operar esses sistemas de forma segura e sustentável. A infraestrutura deixou de ser apenas o ambiente onde a IA é executada e passou a determinar o nível de governança e autonomia das organizações.

Essa mudança é especialmente relevante porque os sistemas de IA passaram a acessar informações estratégicas, como dados financeiros, informações de clientes, códigos de software e propriedade intelectual. Quando esses ativos deixam de estar sob controle da empresa, o risco deixa de ser exclusivamente tecnológico e passa a envolver também questões operacionais e regulatórias.

O crescimento do chamado Shadow AI reforça esse desafio. Profissionais utilizam plataformas públicas para aumentar produtividade, muitas vezes sem validação das áreas de tecnologia, segurança ou compliance. Proibir essas ferramentas, porém, não elimina a demanda. O caminho é criar ambientes nos quais a IA possa ser utilizada com políticas consistentes de segurança, identidade, auditoria e conformidade.

É nesse contexto que a soberania digital ganha relevância. Ela não significa apenas definir onde os dados estão armazenados, mas preservar a capacidade de decidir onde cada carga de trabalho será executada, quais modelos poderão acessar determinadas informações e como decisões críticas serão administradas.

Para alcançar essa autonomia, tecnologias abertas têm papel estratégico. Em um cenário no qual novos modelos e plataformas surgem continuamente, arquiteturas baseadas em open source favorecem transparência, interoperabilidade e liberdade de escolha. Também reduzem o risco de dependência excessiva de um único fornecedor e facilitam a combinação de diferentes tecnologias conforme as necessidades do negócio evoluem.

No mercado financeiro, essa flexibilidade é particularmente importante. Instituições que processam grandes volumes de dados e precisam atender requisitos rigorosos de segurança e conformidade não podem tratar a infraestrutura de IA como uma camada isolada. Ela precisa fazer parte da estratégia de longo prazo.

Os modelos continuarão evoluindo e o acesso à inteligência artificial será cada vez mais democratizado. A verdadeira vantagem competitiva estará, portanto, na capacidade de operar esse ecossistema com segurança, governança e liberdade tecnológica.

A questão estratégica para a próxima década não será apenas quem utilizará a IA primeiro, mas quem conseguirá construir uma base tecnológica aberta e resiliente, capaz de proteger seus dados, preservar sua autonomia e permitir que a inovação avance com segurança e transparência.

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