O comércio atacadista de carnes, produtos da carne e pescado ocupa o 4º lugar no ranking de litigiosidade relativa no Judiciário trabalhista. É o que mostra a primeira edição do Observatório da Justiça do Trabalho, levantamento contratado pela BT Créditos que analisou 5,04 milhões de novas ações trabalhistas que ingressaram em 2024 e 2025 pela base de dados da Data Lawyer.
O novo Indicador de Intensidade Setorial (IIS) compara a participação de cada atividade econômica no total de processos trabalhistas com a quantidade de vínculos formais de emprego do setor com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2025. Essa metodologia busca responder se determinado segmento litiga mais, menos ou exatamente na proporção esperada para o tamanho que ocupa em relação aos postos de trabalho.
No caso do comércio atacadista de carnes, o IIS é de 7,24, o que significa que a participação da atividade nos processos trabalhistas representa mais de sete vezes a participação do setor no emprego formal. Em 2025, o segmento somou 15.476 processos associados a uma base de 52.463 vínculos formais (RAIS 2025) – o equivalente a 2.949,9 processos para cada 10 mil vínculos de emprego.
“O IIS identifica essa diferença de intensidade, mas não estabelece, por si só, as razões por trás. Esse é justamente o tipo de resultado que merece ser acompanhado ao longo do tempo”, afirma o coordenador técnico do Observatório, Carlos Ragazzo.
Ragazzo, que também é professor da FGV Direito Rio, destaca que o indicador é uma convenção analítica desenvolvida pelo estudo e que não corresponde a uma classificação jurídica ou regulatória das atividades econômicas.
“Esse recorte mostra a importância de olhar para além do número absoluto de processos trabalhistas. Quando relacionamos a participação no contencioso com a participação no emprego formal, aparecem atividades que merecem uma análise específica e que podem não chamar a mesma atenção numa leitura baseada apenas em volume de ações na Justiça do Trabalho”, ressalta o fundador da BT Créditos, Rafael Lima.
“O Observatório foi construído para permitir diferentes leituras sobre o contencioso trabalhista. O IIS acrescenta uma dimensão relativa aos dados de volume. Com a continuidade do levantamento pelos próximos períodos, poderemos acompanhar como essa intensidade evolui em diferentes atividades econômicas”, afirma o CEO da BT, Claudio Lensing.

