Planejamento da arquitetura e estratégia de segurança são fundamentais para garantir disponibilidade, proteção de dados e recuperação das operações em situações críticas
A continuidade das operações é uma das questões que levam empresas a rever a forma como armazenam dados e mantêm seus sistemas. Situações como enchentes, incêndios e outras ocorrências que comprometem instalações físicas podem afetar servidores locais e interromper atividades essenciais. Nesse contexto, a infraestrutura em nuvem pode ser uma aliada da continuidade dos negócios, ao permitir que dados, aplicações e recursos de tecnologia sejam mantidos em ambientes externos à estrutura física da organização.
Para que essa estratégia funcione, porém, a migração precisa considerar as particularidades de cada empresa. A arquitetura em nuvem deve ser dimensionada de acordo com a operação, a criticidade dos sistemas, os requisitos de disponibilidade e as necessidades de recuperação em caso de incidentes. Isso exige que o fornecedor conheça a fundo o negócio do cliente, compreenda suas dependências tecnológicas e identifique quais recursos precisam estar disponíveis mesmo diante de uma interrupção.
Segundo Felipe Berneira, CEO da Pronnus Tecnologia, empresa do Grupo Sancon, especializada em infraestrutura em nuvem e segurança digital, a decisão de migrar deve estar relacionada aos objetivos da operação e à capacidade de manter as atividades em situações adversas.
“A nuvem permite pensar a continuidade do negócio para além da estrutura física da empresa. Em uma situação de enchente, por exemplo, servidores instalados na própria unidade podem ser comprometidos, afetando o acesso a dados e sistemas. Quando existe uma arquitetura bem planejada, com recursos de redundância, backup e recuperação, a empresa é capaz de preservar informações e retomar rapidamente suas atividades”,explica.
De acordo com o especialista, o planejamento começa com o entendimento de como a empresa funciona. Nem todos os sistemas têm o mesmo nível de criticidade, e uma interrupção de alguns minutos pode ter consequências muito diferentes dependendo da atividade. Por isso, é necessário avaliar quais aplicações precisam permanecer disponíveis, quais dados exigem proteção adicional, quanto tempo a organização pode ficar sem determinado serviço e qual volume de informações pode ser tolerado como perda em uma eventual ocorrência.
Esse diagnóstico orienta a definição da arquitetura, incluindo os recursos de redundância, armazenamento, backup e recuperação de desastres. Também ajuda a estabelecer prioridades de investimento, evitando estruturas insuficientes para as necessidades do negócio ou custos desnecessários.
A estratégia de segurança precisa caminhar junto com essas decisões, defende Berneira. A migração para a nuvem não elimina a necessidade de controles de acesso, proteção de dados, monitoramento e gestão de vulnerabilidades. Esses mecanismos devem fazer parte do planejamento desde o início e estar alinhados aos riscos e às exigências de cada operação.
A escolha do modelo de implantação também depende desse diagnóstico. Enquanto algumas empresas podem migrar seus sistemas integralmente para a nuvem, outras podem se beneficiar de uma transição gradual ou de um ambiente híbrido, que combina recursos locais e externos. Em todos os casos, o objetivo é alinhar a infraestrutura às necessidades do negócio, com segurança e condições adequadas para manter ou recuperar as operações diante de imprevistos.

