Modelo praticado por poucas incorporadoras no Brasil permite agregar ganhos de familiares, amigos e pessoas próximas no contrato de financiamento do imóvel próprio
O bom desempenho do setor imobiliário, com a participação expressiva do Minha Casa Minha Vida, tende a se consolidar em 2026. Segundo o Ministério das Cidades, o programa que já contratou 1,9 milhão de unidades desde 2023, tem a perspectiva de terminar o ano somando 3 milhões de contratações. Paralelamente à performance de lançamentos e comercialização do mercado, a intenção de compra de imóveis também aumentou. Pesquisa Brain/CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), revela que 48% dos entrevistados planejam adquirir um imóvel nos próximos 24 meses. Neste cenário, a modalidade de composição de renda para o financiamento do imóvel, na visão de especialistas, tem se mostrado alternativa viável para sair do aluguel.
Principal motor imobiliário, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) respondeu por 47% dos lançamentos e 44% das vendas no terceiro trimestre de 2025. Na capital paulista, destaca o levantamento Brain/CBIC, o volume de lançamentos chegou a 66%. Ainda de acordo com a pesquisa, a oferta disponível de imóveis do programa, 110,5 mil unidades ao final do terceiro trimestre, se esgotaria em sete meses com a manutenção do ritmo atual de vendas.
O programa Minha Casa Minha Vida oferece 95% de subsídio na compra de um imóvel do programa a famílias da Faixa 1, com renda bruta até R$ 2.850. Na Faixa 2 (até R$ 4.700), o subsídio governamental chega a R$ 55 mil. Na Faixa 3 (até R$ 8 mil), as famílias têm direito a financiar imóveis até R$ 350 mil. Na recente Faixa 4 (até R$ 12 mil), o financiamento de um imóvel até R$ 500 mil pode ser pago em até 420 meses com juros de 10,5% ao ano.
Segundo Guilherme Bonini, Co-CEO da Longitude Incorporadora, a intenção de compra de imóveis destinados ao segmento econômico conta com um recurso extra: a possibilidade de composição de renda, que aumenta as chances de aprovação do financiamento.
“A composição de renda para financiamento imobiliário soma os ganhos de até três pessoas, não necessariamente os de um casal, mas de um parente, amigo, pessoas próximas para aumentar o poder de compra”, explica o executivo. A avaliação do crédito passa por análise individual e deve ter aprovação unânime para todos os participantes.
O modelo, segundo Bonini, é um diferencial e tem ajudado muitas pessoas que querem sair do aluguel. No entanto, o executivo destaca que nem todas as incorporadoras trabalham com este recurso. “A Longitude é uma nesta lista de empresas que opera com composição de renda no Brasil”, afirma.
Com 13 anos de atuação no mercado, expandindo seus negócios na Capital e presente em mais de 20 cidades do interior paulista, a Longitude prevê lançar em 2026 sete residenciais e realizar três entregas de chaves. Na atuação prioritária no segmento econômico, a empresa comercializou no ano passado 2.020 unidades entre apartamentos e casas e beneficiou 6.030 pessoas.
O sistema de composição de renda, embora seja alternativa viável, depende de planejamento e organização do grupo participante do financiamento. “Todas as pessoas que compõem a renda se tornam coobrigadas pelo financiamento, o que significa assumir direitos e deveres sobre a propriedade e responsabilidade pelo pagamento das parcelas”, diz.
No caso de um dos proponentes demonstrar intenção de sair do financiamento, uma reanálise é realizada para verificar se a renda restante cobre as parcelas. “Por isso, tão importante quanto a decisão de integrar um grupo para compor renda é preciso compromisso com as regras que regem esta modalidade”, conclui Guilherme Bonini.








