
Com crescimento nas vendas e lançamentos em 2025, setor imobiliário vive bom momento, mas exige atenção a detalhes na hora de fechar negócio
O mercado imobiliário brasileiro segue aquecido em 2025. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção(CBIC), os lançamentos residenciais cresceram 20% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2024. Já as vendas de imóveis novos aumentaram 17,3% no mesmo recorte. O estoque de unidades disponíveis segue elevado em grandes centros urbanos: somente em São Paulo, o Secovi-SP estima mais de 62 mil unidades disponíveis para compra no início de 2025, com um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$43,4 bilhões. Em Curitiba, segundo levantamento do site FipeZap, o preço do metro quadrado valorizou 18% em 2024, colocando a capital paranaense na liderança nacional em valorização imobiliária.
Segundo o gerente comercial da TUO Empreendimentos, Paulo Gouveia, investir em imóveis na planta traz benefícios como preço inicial mais baixo, flexibilidade no pagamento e valorização durante a obra, sendo que a entrada costuma ser parcelada, com cerca de 30% do valor quitado antes da entrega e os demais 70% financiados posteriormente, reduzindo a necessidade de crédito bancário imediato . “Comprar imóvel na planta é uma decisão estratégica de valorização. Em regiões com infraestrutura em expansão, o comprador paga menos no lançamento e pode ganhar até 20% a 50% de valorização até a entrega. Pagando parte durante a construção, o comprador ganha tempo para planejar a mudança e evita despesas como aluguel, condomínio e contas de um imóvel pronto”, complementa Gouveia.
Essa dinâmica, segundo ele, também explica por que muitos especialistas comparam a compra de imóveis na planta a investimentos no mercado financeiro. “Para buscar rentabilidade em ações ou fundos imobiliários, geralmente é preciso investir 100% do valor de uma vez. Já no caso de um imóvel, é possível adquirir um bem de R$300 mil, por exemplo, pagando apenas 10% de entrada e mais 20% de parcelas durante a obra. A valorização é calculada sobre o valor total do imóvel, não apenas sobre o que foi investido inicialmente, o que potencializa o retorno”, explica. Assim como o imovel se paga com o aluguel, o dinheiro que ele manteve parte aplicado, uma vez que desembolsou somente 10% de entrada, também pode pagar total ou parcialmente as parcelas com a construtora, pois vai continuar rendendo.
Um outro diferencial é a segurança: mesmo em crises econômicas ou políticas, o mercado imobiliário tende a ser um dos primeiros a se recuperar. E, no caso de quem decide alugar após a entrega, o próprio aluguel pode cobrir parte ou até a totalidade das parcelas do financiamento, reduzindo o desembolso real para cerca de 40% a 45% do valor total do imóvel, já incluindo documentação e decoração. “No fim das contas, você acessa um patrimônio sólido, que se valoriza e ainda pode se pagar sozinho.”
Outro ponto forte é a infraestrutura moderna, já que os empreendimentos atuais oferecem soluções sustentáveis, como energia solar, reuso de água, áreas de lazer completas e tecnologia integrada, além da possibilidade de personalização de acabamentos e layout. “A possibilidade de personalização também pesa a favor, já que durante a fase de construção, muitos empreendimentos permitem que o comprador escolha acabamentos, como pisos e revestimentos, ou até faça alterações de planta. Isso torna o imóvel mais alinhado ao estilo de vida de cada cliente e aumenta a sensação de pertencimento desde o início do processo”, destaca.
Pontos de atenção
No entanto, é necessário atenção redobrada aos riscos, já que atrasos nas obras são comuns, e os contratos geralmente prevêem reajustes com base no INCC ou IGPM, o que pode inflar o custo final do imóvel “O contratante precisa entender os índices de reajuste e estar preparado para flutuações econômicas. Nesse ponto a reputação da incorporadora é fundamental, sendo que os compradores devem verificar histórico de entregas, portfólio, satisfação de clientes anteriores e mecanismos como o patrimônio de afetação, que protegem o imóvel no caso de falência da construtora. Antes de fechar negócio, orientamos o cliente sobre a importância de checar CNPJ, histórico de obras entregues e existência de patrimônio de afetação registrado”, destaca Gouvêa.
Também é essencial analisar o plano de distrato, orientado pela Lei nº 13.786/18 que garante chances de ressarcimento no caso de atraso ou descumprimento, e estabelece prazos máximos para multas ou rescisão sem prejuízo total. “A legislação mudou nos últimos anos, e o comprador tem mais segurança jurídica, mas ainda é preciso entender os prazos, multas e possibilidades de distrato. Atentar às cláusulas claras sobre compensações em atraso e processo simplificado para distrato, alinhado à legislação vigente é fundamental”, explica.
Por fim, Gouveia afirma que a escolha da localização e do perfil do imóvel também são determinantes, sendo que o investimento tem mais chance de retorno em bairros com infraestrutura em crescimento, demanda por habitação de médio e alto padrão, ou cidades médias e litorâneas com expansão econômica e demográfica. “A valorização do imóvel está diretamente ligada ao entorno,sendo assim também é fundamental escolher regiões com acesso a serviços, comércio, transporte público e com potencial de desenvolvimento urbano têm mais chances de garantir retorno financeiro no futuro”, finaliza.
Dicas para comprar imóvel na planta
1 – Pesquise a reputação da incorporadora: verifique histórico de entregas, avaliações de clientes e se o empreendimento possui patrimônio de afetação.
2 – Entenda os reajustes contratuais: índices como INCC podem aumentar o valor final. Simule o impacto desses reajustes no seu orçamento.
3 – Leia atentamente as cláusulas de distrato e atraso: saiba quais são seus direitos em caso de desistência ou descumprimento dos prazos pela incorporadora.
4 – Planeje o fluxo de pagamentos: aproveite a fase de obras para parcelar a entrada e organizar o financiamento do saldo devedor apenas na entrega.
5 – Aproveite as possibilidades de personalização: escolha acabamentos e detalhes do imóvel, sempre respeitando o que está previsto no contrato.
6 – Avalie o potencial de valorização da localização: priorize regiões com infraestrutura em crescimento e boa oferta de serviços e transporte.
7 – Acompanhe o andamento da obra: mesmo à distância, fique atento ao cronograma e às atualizações do empreendimento.








