
Aumento de impostos, juros elevados e falta de corte de gastos geram cautela em relação ao futuro e aos investimentos
Jundiaí, 27 de agosto de 2025 – Sustentado pela desaceleração da inflação e pelo aumento das vendas em datas comemorativas, a confiança do empresário paulistano subiu 1,8% em julho, na comparação com junho, informa o Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio). No entanto, vale ressaltar que o avanço do indicador não é por uma melhora no cenário da política econômica — que continua gerando cautela entre os empreendedores em razão do aumento de impostos e da ausência de perspectivas de corte de gastos.
Os dados são do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Na avaliação do Sincomercio, essa melhoria na avaliação da situação atual provavelmente decorre das vendas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, além de fatores como a desaceleração inflacionária. Entretanto, parte dos empresários indica que, embora as vendas tenham crescido nos últimos meses, eles ainda lidam com problemas relacionados a rentabilidade, pressão de custos, juros elevados, política econômica do governo, entre outros.
Futuro
Quando se trata do futuro, os empresários também não demonstram grandes expectativas, principalmente por conta da política econômica, ao aumento de impostos e à falta de perspectivas em relação à redução de gastos. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que também compõe o ICEC, voltou a cair em julho após três altas consecutivas. As quedas foram de 0,8%, na comparação mensal, e de 5,8%, na anual. Com o resultado, o IEEC registrou 128,4 pontos.
Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) subiu 3,7%, na passagem de junho para julho. Na comparação interanual, o avanço foi mais tímido, de 1,1%. A variável está no patamar de otimismo, com 103,7 pontos. Ainda assim, o Sincomercio avalia que os empresários estão adotando uma postura mais cautelosa quanto a novos investimentos, o que já era esperado diante das incertezas e dos juros elevados.
Como entidades, o Sincomercio e a Fecomercio estão alertando nos últimos meses que, embora as vendas estejam apresentando bons resultados, o cotidiano das empresas ainda é marcado por dificuldades, como margens apertadas, crédito caro, empréstimos contraídos durante a pandemia (que ainda precisam ser pagos), entre outros fatores que afetam a rentabilidade e a lucratividade, além dos negócios em recuperação judicial ou que faliram. “Por isso, é importante que as empresas adotem uma certa dose de cautela na formação dos estoques e na realização de novos investimentos”, alerta Edison Maltoni, presidente do Sincomercio Jundiaí e Região.
