Tecnologia

Conhecer a origem da matéria-prima exige tecnologia, mas também confiança do produtor até a indústria

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Relacionamento com fornecedores ajudam empresas a organizar dados, identificar riscos e atender às exigências de compradores globais

A origem das matérias-primas agrícolas tornou-se uma questão estratégica para empresas que atuam em cadeias de soja, milho, cacau, café, açúcar, trigo, algodão e outras commodities. Mais do que identificar quem entrega o produto, tradings, cooperativas, indústrias de alimentos, varejistas e restaurantes precisam compreender os diferentes elos envolvidos na originação, inclusive quando a compra ocorre por meio de fornecedores indiretos.

Esse modelo não é novo. Há anos, empresas compram matérias-primas de outras empresas, que por sua vez adquirem os produtos de cooperativas, cerealistas, tradings ou diretamente dos produtores. O que mudou foi o nível de exigência sobre a gestão dessas cadeias.

Com compradores internacionais, incluindo o mercado europeu e, cada vez mais, a China, demandando maior clareza sobre a origem e os riscos associados à produção, os elos indiretos passaram a concentrar parte importante dos desafios de visibilidade e conformidade. “Grande parte do volume originado pelas empresas passa por relações comerciais indiretas. O desafio é fazer com que a informação percorra esses elos e chegue de forma organizada, confiável e verificável até quem precisa tomar a decisão”, afirma, Rodolpho Mittelstaedt, gerente comercial da Agrotools.

Nesse cenário, a tecnologia é fundamental para estruturar grandes volumes de dados, cruzar informações e apoiar a análise de propriedades, produtores, territórios e fornecedores. Mas a digitalização, sozinha, não garante a fluidez do processo.

A participação das pessoas envolvidas na cadeia é decisiva para que os dados sejam disponibilizados, validados e transacionados entre os diferentes participantes. “Valorizamos e entendemos que no agro a relação entre as pessoas é o que faz acontecer. Nossa equipe atua diretamente nesse contato, entendendo as particularidades de cada empresa e ajudando a criar as condições para que as informações avancem pela cadeia”, explica Mittelstaedt.

A combinação entre relacionamento e tecnologia contribui para reduzir ruídos, ampliar a imparcialidade das análises e dar consistência às informações utilizadas pelas empresas compradoras. Enquanto as ferramentas digitais permitem organizar dados e aplicar critérios objetivos de risco e conformidade, a interação com os fornecedores ajuda a esclarecer lacunas, compreender contextos e viabilizar a participação dos diferentes elos.

A Agrotools atua nesse processo com soluções de inteligência de dados e inteligência geográfica voltadas à gestão de cadeias de fornecimento. A empresa promove uma plataforma utilizada por tradings, cooperativas, empresas de bens de consumo, varejistas e restaurantes para apoiar o mapeamento da origem, o monitoramento de fornecedores e a análise de riscos socioambientais e de conformidade.

A partir do cruzamento de informações de múltiplas fontes, as empresas podem ampliar a visibilidade sobre a origem das matérias-primas, inclusive nos fluxos indiretos, e transformar dados dispersos em informações úteis para compliance, tomada de decisão e atendimento às exigências dos compradores. “A gestão de riscos precisa acompanhar a realidade da originação. Não basta olhar apenas para o fornecedor com quem a empresa mantém o contrato direto. É necessário compreender quem está por trás daquele volume, por quais elos a matéria-prima passou e como garantir que os dados sejam tratados com critérios claros e consistentes”, afirma o executivo.

Em cadeias agrícolas cada vez mais conectadas ao comércio global, conhecer a origem deixou de ser apenas uma etapa de rastreabilidade. Trata-se de uma prática que envolve gestão, relacionamento, qualidade da informação e capacidade de demonstrar aos compradores como a matéria-prima foi originada e quais riscos foram considerados ao longo do processo.

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