Levantamento da ABAC mostra avanço da modalidade nos principais mercados de bens duráveis, movimento impulsionado por consumidores que passaram a priorizar planejamento e construção patrimonial nas decisões de compra
A compra de um imóvel, de um carro ou de uma motocicleta está cada vez mais inserida no planejamento financeiro dos brasileiros. Esse movimento também aparece nos números do Sistema de Consórcios. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), as contemplações representaram potencialmente 23,8% dos imóveis financiados no primeiro quadrimestre de 2026, considerando recursos da poupança e dos consórcios. Entre janeiro e maio, a participação potencial chegou a 29,1% no mercado de automóveis, utilitários e camionetas e a 29,4% no de motocicletas.
O desempenho acompanha um momento histórico para o setor. Em maio deste ano, o Sistema de Consórcios ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 13,03 milhões de participantes ativos, alta de 11,1% em comparação ao mesmo mês de 2025. Entre janeiro e maio foram comercializadas 2,36 milhões de cotas, crescimento de 14%, enquanto os créditos comercializados somaram R$ 232,94 bilhões, avanço de 24,9%.
Na divulgação dos resultados do setor pela ABAC, o presidente executivo da entidade, Paulo Roberto Rossi, destacou que o avanço do setor reflete uma mudança na forma como os brasileiros se relacionam com a aquisição de bens. “Com o conhecimento da essência da educação financeira e aplicando o planejamento para aderir ao mecanismo, o brasileiro tem, mais e mais vezes, optado pelo consórcio na hora de adquirir bens ou contratar serviços“.
Além do crescimento nas adesões, o Sistema de Consórcios também ampliou o volume de recursos destinados aos participantes contemplados. Nos cinco primeiros meses do ano, foram registradas 753,58 mil contemplações, alta de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os créditos disponibilizados aos consorciados contemplados somaram R$ 53,83 bilhões, resultado 13,8% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
Essa percepção também aparece nas pesquisas encomendadas anualmente pela ABAC sobre o comportamento dos consorciados. Segundo a entidade, a decisão de aderir à modalidade envolve diferentes motivações e vai além da comparação de custos. Entre os fatores apontados pelos consumidores estão o planejamento de longo prazo, a disciplina para poupar, a organização financeira, o compromisso com objetivos futuros e a preservação da reserva para situações inesperadas.
Para Fernanda Garcia, gerente regional de Parcerias e Novos Negócios da Unifisa Administradora Nacional de Consórcios, esse comportamento também é percebido na forma como os clientes planejam a aquisição de bens de maior valor. “O nosso papel é entender a necessidade e o perfil de cada cliente para apresentar a solução que melhor se encaixa no seu momento. O consórcio contribui para a criação de patrimônio de uma forma mais econômica e inteligente, respeitando os objetivos e a realidade financeira de cada pessoa“.
Foi justamente esse conjunto de fatores que influenciou a decisão da publicitária Patrícia Dantas quando resolveu comprar um carro. Depois de avaliar outras formas de aquisição, ela optou pelo consórcio por enxergar na modalidade uma alternativa capaz de preservar sua organização financeira sem abrir mão do objetivo. Contemplada já no segundo mês com as três cartas adquiridas, utilizou o crédito para comprar o carro e concretizar uma conquista que havia sido adiada por cinco anos. “Quando lembro da palavra consórcio, ela me transmite muita segurança. Se eu guardasse dinheiro para comprar o carro e acontecesse algum imprevisto, essa reserva seria a primeira a ir embora. O consórcio me deu tranquilidade para conquistar meu carro sem abrir mão desse planejamento“. Ela relembra: “Quando entrei no carro pela primeira vez, parecia um sonho. Eu e minha filha passamos muito tempo dependendo de caronas e de aplicativos, então foi uma conquista que trouxe muita tranquilidade para a nossa rotina“.
A experiência de Patrícia, acompanhada por Fernanda desde a contratação do consórcio até a contemplação e a compra do carro, também ilustra um aspecto que a executiva observa com frequência no dia a dia. “O consórcio não é apenas uma boa opção por não ter juros e permitir parcelas que se encaixam no planejamento financeiro. Quando o cliente conquista o bem que planejou, essa realização também influencia sua vida, trazendo realização, conforto, tranquilidade financeira e, principalmente, segurança para toda a família“.
A escolha da publicitária se insere em um comportamento identificado pela ABAC. Para um número crescente de brasileiros, a decisão de adquirir um imóvel, um veículo ou outro bem de maior valor deixa de estar concentrada apenas no custo da operação e passa a considerar disciplina para poupar, preservação da reserva financeira e objetivos de longo prazo. Nesse cenário, a construção de patrimônio ganha espaço como parte de um projeto financeiro contínuo e não apenas como uma decisão de consumo.

