
Erro no enquadramento tributário e falta de gestão fiscal comprometem a sobrevivência de parte das empresas em até cinco anos
A construção civil brasileira segue em ritmo de expansão e formalização. Só no primeiro semestre de 2025, foram abertas cerca de 175 mil novas microempresas (ME) ligadas ao setor, segundo levantamento do Sebrae Nacional, com base no Mapa de Empresas do governo federal. O número representa 6,7% do total de pequenos negócios criados no país no período, evidenciando a tendência de profissionalização entre profissionais autônomos como engenheiros, mestres de obra e pedreiros.
Apesar da movimentação positiva, o contexto macroeconômico permanece instável. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o PIB do setor recuou 0,8% no primeiro trimestre de 2025. Ainda assim, o desempenho acumulado em 12 meses segue positivo, com crescimento de 4,6%. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela FGV IBRE, caiu para 92,7 pontos em julho, sinalizando uma percepção de cautela entre empresários diante da elevação de custos, dificuldade de acesso ao crédito e escassez de mão de obra especializada.
No mercado de trabalho, a construção civil continua sendo um dos principais geradores de vagas formais. Entre janeiro e maio, o setor criou 149.233 postos com carteira assinada, conforme dados do Novo Caged divulgados pela CBIC. Pela primeira vez desde 2014, o número total de trabalhadores formais ultrapassou 3 milhões. O salário médio de admissão ficou em R$ 2.436 – o mais alto entre todos os segmentos da economia brasileira.
Esse cenário de crescimento, no entanto, exige atenção dos novos empreendedores. A formalização como microempresa vai além da obtenção do CNPJ. Envolve decisões como a escolha correta do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), o cumprimento de obrigações fiscais mensais e, em alguns casos, o registro em órgãos como o CREA (Conselho Regional de Engenharia), além de licenças municipais específicas.
“Um pequeno erro no enquadramento da empresa ou na definição do regime fiscal pode comprometer o caixa do negócio logo nos primeiros meses”, afirma Rafael Caribé, CEO da Agilize Contabilidade, que atende empreendedores e autônomos em todo o Brasil. “A construção civil é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, mas também um dos mais exigentes na parte burocrática”, complementa.
Além da estrutura inicial correta, microempresários devem manter atenção às retenções de INSS em notas fiscais e às declarações mensais obrigatórias. Segundo o Sebrae, mais de 30% das microempresas da construção civil encerram atividades em até cinco anos, muitas vezes por falhas na formalização e falta de gestão contábil estruturada.
“O papel da contabilidade é ajudar o microempreendedor a começar certo: com clareza sobre suas obrigações, ferramentas para manter a regularidade e foco total no crescimento”, conclui Caribé.
O aumento da formalização no setor da construção civil aponta para um amadurecimento do mercado. Mas em um cenário de custos elevados e exigências fiscais, a abertura correta de uma microempresa deixou de ser apenas uma etapa burocrática: tornou-se uma decisão estratégica para a sustentabilidade do negócio.
