Programação do Modern Construction Show 2026 terá ainda seminários voltados à arquitetura, sustentabilidade, habitação, integração entre academia a indústria, entre outros
As intervenções de retrofit podem proporcionar uma redução média de 40% a 60% nos custos de construção, na comparação com processos de demolição e reconstrução. Também podem reduzir o prazo total envolvendo projeto, aprovação e execução. Os dados foram apresentados pelo professor e engenheiro Enrico Mangoni, CEO do Studio Mangoni Itália Brasil, que apresentou as possibilidades e os desafios desse tipo de intervenção, durante o Construmetal Pocket, realizado pela Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), durante o Modern Construction Show 2026, que vai até amanhã (1/10), no Distrito Anhembi (SP).
No aspecto ambiental, os dados indicam potencial de redução entre 50% e 75% das emissões de CO₂ equivalente, justamente pelo aproveitamento de partes da edificação existente. “Os benefícios de um retrofit variam de acordo com cada intervenção. Existe um custo inicial e a decisão depende da ideia final do investidor, do mercado, da localização, das condições do imóvel e da legislação”, disse Mangoni. Em intervenções leves, o investimento pode representar aproximadamente 3% a 6% do valor do edifício, enquanto um retrofit mais profundo pode demandar algo entre 8% e 12%.
As soluções industrializadas também podem ganhar espaço nesse mercado. Mangoni destacou o potencial das construções híbridas, que combinam a estrutura existente com novos sistemas e tecnologias construtivas, para o retrofit e suas possibilidades de tornar a intervenção mais eficiente. Também lembrou que o retrofit pode preservar elementos arquitetônicos e históricos e, ao mesmo tempo, transformar o imóvel para atender novas demandas.
Estruturas tubulares ampliam possibilidades em obras urbanas complexas
Dois projetos em São Paulo mostraram a aplicação de estruturas tubulares em obras com diferentes níveis de complexidade: a Ciclopassarela Jornalista Erika Sallum, na Zona Oeste, e o heliporto do Esther Towers. Na ciclopassarela, a solução foi empregada em uma estrutura de aproximadamente 3.470 m² para conectar ciclistas e pedestres sobre o Rio Pinheiros, as vias marginais e a Linha 9-Esmeralda. O projeto exigiu planejamento especial para transporte e montagem, além do controle de deformações e vibrações. O case foi apresentado por Alexandre Cobra, gerente de Obras da SPObras.
No Esther Towers, uma estrutura metálica instalada a cerca de 130 metros de altura sustenta um heliporto entre duas torres inclinadas de concreto. A estrutura espacial autoportante vence um vão livre de aproximadamente 21,5 metros e utiliza perfis metálicos tubulares, totalizando cerca de 790 toneladas. Luciano de Souza Matos, gerente da RMG Engenharia e RCS Integrada, apresentou o projeto, que evidenciou a importância da integração entre projeto, fabricação, logística e montagem em obras de alta complexidade
Mola transforma comportamento estrutural em experiência prática
Visualizar como uma estrutura se comporta é a proposta do Mola, sistema desenvolvido a partir de molas que permite montar diferentes modelos e observar, na prática, conceitos estruturais. Criada por Márcio Sequeira, fundador da Mola Education, a ferramenta é utilizada por estudantes, professores, universidades e empresas em mais de 100 países.
O sistema já chegou a instituições como o MIT e a Universidade de Cambridge e, no Brasil, a Poli-USP utiliza 60 kits. Segundo Sequeira, o Mola contribui para desenvolver a intuição estrutural e também evoluiu para aplicações envolvendo pontes, sistemas funiculares, arcos e cascas.
Planejamento antecipado orienta construção de quatro torres
A construção simultânea de quatro torres do complexo multiuso ICON ECB, em Passo Fundo (RS), exigiu a combinação de soluções mistas e estruturas metálicas e um planejamento iniciado cerca de um ano e meio antes da execução. O projeto também contou com estudos em túnel de vento para avaliar os efeitos das condições climáticas sobre as estruturas.
A experiência, apresentada por Leonardo Marcondes, diretor comercial da Medabil, e Guilherme Sartori, diretor de Operações Real Estate da CIB Construtora e Incorporadora, mostrou a importância da integração entre projetistas, fabricantes e equipes de obra. A antecipação permitiu compatibilizar estrutura, fachadas e instalações e preparar a montagem antes da chegada ao canteiro.
Fachadas industrializadas combinam produtividade e desempenho
Sistemas em aço e Light Steel Framing (LSF) foram apresentados como alternativas para aumentar a produtividade na execução de fachadas, reduzir resíduos e melhorar o desempenho das edificações. Julio Ribeiro Godoy, gerente comercial da ArcelorMittal Perfilor, destacou ganhos de velocidade, previsibilidade, segurança e conforto térmico, além da possibilidade de ampliar as opções arquitetônicas.
O LSF também permite maior precisão, otimização da logística e redução de retrabalhos. Renan Hessel da Cunha, diretor técnico da Espaço Smart, destacou ainda o desenvolvimento de uma proposta de norma brasileira específica para fachadas em LSF, com requisitos para projeto, execução e manutenção.
Rastreabilidade amplia controle sobre materiais de construção
A identificação digital dos materiais pode contribuir para ampliar a rastreabilidade e o controle da conformidade ao longo da cadeia da construção. O tema foi abordado por Priscila Rohem dos Santos, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a partir da Estratégia Nacional de Infraestrutura da Qualidade (ENIQ) e do programa Conformidade para Todos, desenvolvido para o setor de materiais de construção com participação da Abramat.
Pedro Henrique Di Martino, da GS1 Brasil, também apresentou a aplicação dos padrões de identificação, que permitem associar aos produtos informações como características, especificações e normas técnicas. A tecnologia amplia a capacidade de acompanhar os materiais e verificar sua conformidade durante as diferentes etapas da cadeia.
Lean propõe mudanças no fluxo de produção de estruturas metálicas
Reduzir desperdícios e fazer materiais e informações fluírem de forma coordenada são alguns dos princípios apresentados por Flavio Picchi, senior advisor do Lean Institute Brasil, para a aplicação do Lean na fabricação de estruturas metálicas. A metodologia envolve produção puxada pela demanda, padronização, manutenção e indicadores voltados ao desempenho do processo como um todo.
A aplicação desses conceitos na construção metálica também está sendo estimulada por uma parceria entre o Lean Institute Brasil e a ABCEM. Ulysses Barbosa Nunes, presidente executivo da entidade, destacou a cooperação, que busca ampliar as práticas Lean entre as empresas do setor e contribuir para o aumento da competitividade.
Sobre o Modern Construction Show
Data: 29 de setembro a 1 de outubro de 2026
Horário: 13h às 20h
Local: Distrito Anhembi/SP
Credenciamento gratuito: https://modernconstructionshow.com.br/

