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Da UnB para uma empresa que fatura R$ 100 milhões

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A Assessoria Alpha reúne 400 profissionais e leva para medicina odontologia advocacia e contabilidade o método de aquisição desenvolvido no food service

A Assessoria Alpha projeta faturar R$100 milhões até o final de 2026 e prepara uma nova etapa de expansão para além do setor de alimentação. Fundada por Athos Vilarins e Gustavo de Oliveira, ambos de 22 anos, que interromperam o curso de Economia na Universidade de Brasília para se dedicar ao negócio, a companhia começa a levar para clínicas médicas e odontológicas, escritórios de advocacia e empresas de contabilidade o método de aquisição de clientes desenvolvido inicialmente no food service.

A operação reúne atualmente 400 profissionais, registra receita mensal próxima de R$6 milhões e já atendeu mais de 3 mil clientes, segundo dados fornecidos pela própria empresa. A Assessoria Alpha também atribui às estratégias implementadas aproximadamente R$539 milhões em receita gerada para os negócios atendidos ao longo de sua trajetória.

A expansão ocorre enquanto inteligência artificial e análise de dados ganham espaço entre pequenos negócios brasileiros. Levantamento do Sebrae e da FGV IBRE, com colaboração do Google, aponta que 46% das micro e pequenas empresas do país já utilizam inteligência artificial. Para Athos e Gustavo, a próxima disputa não estará apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de incorporá-la aos processos comerciais e de aquisição de clientes.

O food service virou campo de teste

Foi no setor de bares e restaurantes que os dois empresários começaram a testar a metodologia que hoje pretendem replicar em outras atividades. A escolha colocou a empresa diante de um segmento marcado por margens reduzidas, alta concorrência e forte pressão sobre preços.

Em junho, apenas 35% dos bares e restaurantes brasileiros registraram lucro, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel. Outros 40% ficaram em equilíbrio e 25% operaram no prejuízo.

Para testar as estratégias fora das apresentações comerciais e dos relatórios de clientes, os empresários criaram a Alpha’s Pizzaria, operação própria com salão e delivery que funciona como laboratório permanente da companhia. Nos últimos sete meses, o restaurante faturou mais de R$ 2 milhões e registrou margem de lucro de 27%, segundo dados da própria empresa.

Na prática, campanhas, modelos de aquisição de clientes, processos comerciais, inteligência de dados e ferramentas de IA podem ser colocados em operação no restaurante antes ou durante sua aplicação nos negócios atendidos pela Assessoria Alpha. Para os fundadores, manter uma empresa sujeita aos mesmos desafios enfrentados pelos clientes também funciona como uma forma de testar continuamente a eficiência do método.

A dificuldade de crescer nesse tipo de operação fez com que a Assessoria Alpha combinasse marketing, inteligência de dados, processos comerciais e ferramentas de IA para acompanhar a jornada entre a geração de demanda e a conversão em vendas. “Validamos um método de aquisição usando inteligência de dados e IA em um dos segmentos mais difíceis do varejo brasileiro, com margem apertada, decisão de compra rápida e concorrência intensa. A Alpha’s Pizzaria permite testar aquilo que vendemos todos os dias. Se conseguimos gerar crescimento e rentabilidade dentro dessa operação, temos uma base concreta para adaptar o modelo a outros negócios locais”, afirmam Athos e Gustavo. 

Dentro da companhia, Athos passou a concentrar sua atuação principalmente nas frentes de crescimento, marketing, posicionamento e aquisição. A estratégia foi aproximar a geração de demanda dos indicadores financeiros dos negócios atendidos, reduzindo o peso de métricas de exposição que não necessariamente se transformam em vendas.

Gustavo, por sua vez, assumiu a estruturação comercial e o desenvolvimento dos processos responsáveis por transformar essa demanda em receita. A atuação envolve organização dos times, acompanhamento das etapas de venda e construção de modelos comerciais que possam ser replicados conforme a empresa ganha escala.

As duas frentes passaram a operar de maneira complementar. Enquanto uma identifica e atrai potenciais clientes, a outra procura aumentar a eficiência da conversão. A experiência acumulada no food service, agora apoiada também pelos resultados da operação própria, tornou-se a base da estratégia do grupo para avançar sobre clínicas, escritórios e outros negócios de serviços. 

O próximo passo está fora dos restaurantes

A entrada em medicina, odontologia, advocacia e contabilidade representa uma mudança relevante no modelo. Diferentemente do restaurante, em que parte importante das decisões de consumo ocorre em poucos minutos, clínicas e escritórios trabalham com ciclos mais longos, maior peso da reputação e necessidade de construir confiança antes da contratação.

É justamente nessa diferença que estará o próximo passo da companhia.

Para Athos, a expansão depende de preservar a lógica de análise de dados, mas adaptar a estratégia à jornada de cada setor. “O método não pode significar repetir a mesma campanha em negócios diferentes. O que precisa ser replicável é a inteligência para entender de onde vem a demanda, quanto custa adquirir um cliente e como transformar essa oportunidade em receita”, afirma o CEO.

Gustavo acrescenta que o trabalho comercial também muda conforme o segmento. “Uma clínica ou um escritório pode ter um processo de decisão muito mais longo do que um restaurante. Isso exige outra abordagem de atendimento, acompanhamento e conversão. A tecnologia ajuda a organizar esse caminho, mas o processo precisa estar estruturado”, explica o fundador.

A aposta acontece enquanto pequenas empresas ainda tentam transformar o uso pontual de inteligência artificial em aplicação prática. Embora 96% das micro e pequenas empresas já conheçam ferramentas de IA, apenas 46% afirmam utilizá-las, segundo Sebrae e FGV IBRE.

Para a Assessoria Alpha, essa distância abre uma oportunidade para reposicionar o próprio negócio. O food service deixa de ser apenas o principal mercado atendido e passa a funcionar como o setor em que sua metodologia foi desenvolvida e validada.

Se a expansão funcionar, Athos Vilarins e Gustavo de Oliveira também passam a disputar uma categoria diferente daquela em que começaram: deixam de ser associados exclusivamente ao marketing para restaurantes e avançam na construção de uma empresa voltada à aquisição de clientes, dados e crescimento de negócios locais.

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