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Dados do centro cirúrgico ajudam hospitais a reduzir custos e aumentar a eficiência

Créditos da imagem: Divulgação

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Tecnologia permite analisar o fluxo de procedimentos, identificar gargalos operacionais e apoiar decisões de gestão em hospitais

A busca por eficiência operacional está entre os desafios da gestão hospitalar no Brasil. Em 2025, os hospitais associados à Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) registraram taxa média de ocupação de 77,79%, enquanto o tempo médio de permanência dos pacientes foi de 3,76 dias, segundo o Observatório Anahp 2026. Os indicadores mostram a importância do acompanhamento da capacidade instalada e da organização dos processos para melhorar o desempenho das instituições. Nesse cenário, a digitalização dos procedimentos cirúrgicos amplia as possibilidades de utilização de dados para identificar gargalos, avaliar protocolos clínicos e acompanhar custos.

É nesse mercado que atua a Anestech, empresa de tecnologia em saúde que desenvolve o AxReg, sistema especializado em informações sobre anestesia e procedimentos cirúrgicos. A plataforma permite acompanhar em profundidade as diferentes etapas do período perioperatório e transformar registros assistenciais em indicadores que podem apoiar tanto as equipes médicas quanto os gestores hospitalares.

Diferentemente dos módulos de anestesia integrados a sistemas hospitalares generalistas, o AxReg foi desenvolvido para registrar informações detalhadas do período perioperatório. A plataforma acompanha sinais vitais em intervalos de cinco minutos, etapas da anestesia, posicionamento do paciente e tempo de preparação entre procedimentos. Os dados permitem analisar indicadores como atrasos, períodos de ociosidade das salas cirúrgicas, utilização de medicamentos e aderência a protocolos.

Para Diogenes Silva, CEO da Anestech, a especialização dos registros permite ampliar o uso das informações clínicas na tomada de decisões. “O prontuário eletrônico responde pelo hospital inteiro. Um sistema especializado em anestesia permite compreender com mais profundidade o que acontece durante o procedimento cirúrgico. Essa informação pode apoiar tanto a qualidade do registro assistencial quanto a identificação de oportunidades de melhoria operacional e financeira”, afirma.

A proposta do AxReg é complementar a infraestrutura tecnológica já utilizada pelos hospitais, e não substituir seus sistemas centrais de gestão. A plataforma prevê integração por meio de padrões como HL7 e FHIR, utilizados na troca de informações em saúde, permitindo que dados mais detalhados sobre os procedimentos sejam compartilhados com o prontuário eletrônico e os sistemas administrativos da instituição.

Na prática, a análise dos dados pode ajudar gestores a identificar quanto tempo as salas cirúrgicas permanecem ociosas, quais etapas concentram atrasos e onde existem oportunidades de aprimoramento dos processos. Também permite acompanhar aspectos como o momento de administração de antibióticos, o consumo e o descarte de medicamentos e indicadores associados ao risco de infecção do sítio cirúrgico.

A finalidade é oferecer informações que subsidiem decisões das equipes assistenciais e administrativas, contribuindo para o melhor aproveitamento da estrutura hospitalar e o acompanhamento dos custos.

Um dos exemplos apresentados pela Anestech é o levantamento realizado no Hospital Santa Paula, em um período de 60 dias. Segundo os dados da empresa, a análise identificou R$ 208 mil em potencial de recuperação relacionado à ociosidade das salas cirúrgicas, além de 838 horas de intervalos operacionais classificados como oportunidades de melhoria.

A avaliação apontou que 64% desse intervalo estava relacionado à etapa de indução anestésica. O levantamento também registrou R$ 30 mil em custos potencialmente evitáveis associados ao protocolo de antibioticoprofilaxia.

Os resultados ilustram como a análise detalhada do fluxo cirúrgico pode revelar oportunidades que não ficam evidentes apenas nos registros gerais de início e término dos procedimentos. Os valores identificados, entretanto, representam oportunidades apontadas pela análise e não necessariamente economias já realizadas pelo hospital.

A base de dados da Anestech reúne mais de um milhão de procedimentos digitais em 116 hospitais, segundo informações da empresa. Esse conjunto de registros também alimenta o Observatório Anestesia de Valor (OAV), iniciativa voltada à produção de referências para a análise de indicadores e à comparação de desempenho no contexto da anestesia.

Para Diogenes Silva, a possibilidade de comparar indicadores entre instituições amplia o potencial de uso dos dados na gestão. “Quando as informações são registradas de forma estruturada, os hospitais conseguem identificar padrões, comparar resultados e direcionar ações com base em evidências. O desafio não está apenas em digitalizar o registro, mas em transformar esses dados em informação útil para quem toma decisões”, avalia.

A Anestech aposta na integração entre tecnologia, prática anestésica e análise de dados para ampliar a visibilidade sobre o que acontece nas salas cirúrgicas. A expectativa é que informações mais detalhadas contribuam para melhorar a organização dos processos, apoiar a segurança assistencial e dar maior precisão ao acompanhamento dos custos hospitalares.

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