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De operador a investidor: por que empresários estão ampliando sua atuação para novos negócios

Isa Santini - Créditos da foto: Divulgação

Isa Santini - Créditos da foto: Divulgação

Dados mostram que empresas brasileiras estão avançando para novos setores, enquanto empreendedores levam experiência, capital e conhecimento de mercado para além de suas próprias operações

Por muito tempo, crescer significava aprofundar a atuação dentro do próprio negócio: ampliar equipes, abrir novas unidades, conquistar mercado e aumentar a eficiência da operação. Esse modelo continua presente, mas uma parcela dos empresários passou a olhar para o crescimento de uma forma mais ampla, buscando oportunidades em outros setores e participando de diferentes negócios.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla no ambiente empresarial. Segundo a 29ª CEO Survey da PwC, divulgada em 2026, 51% dos CEOs brasileiros afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, percentual superior à média global, de 42%. Na mesma pesquisa, 45% dos CEOs brasileiros disseram que suas organizações precisam se reinventar para continuar viáveis no longo prazo.

A busca por novas fontes de crescimento acontece em um cenário marcado por mudanças tecnológicas, novos hábitos de consumo e transformação dos modelos de negócio. Nesse contexto, empresários passam a olhar para além de suas operações tradicionais, seja explorando novos mercados, seja participando de outros negócios e levando para essas empresas o conhecimento acumulado ao longo de suas trajetórias.

O movimento acontece em um mercado de transações empresariais que voltou a crescer no Brasil. Segundo levantamento da TTR Data, citado pela Folha de S.Paulo, foram registradas 1.877 operações de fusões e aquisições em 2025, alta de 7% em relação ao ano anterior. As transações movimentaram R$ 313,5 bilhões, avanço de 15% no período.

Cresce assim o espaço para um perfil de empreendedor que não necessariamente abandona a operação que construiu, mas passa a atuar também como investidor, sócio ou parceiro estratégico em outros negócios. A experiência acumulada à frente de uma empresa pode se transformar em uma espécie de capital intelectual: conhecimento sobre gestão, pessoas, atendimento, expansão, relacionamento com clientes e leitura de mercado.

É o caso de empresários que, depois de consolidarem suas próprias operações, passam a direcionar parte do capital e da experiência para empresas de outros segmentos. Em vez de concentrar todos os recursos em uma única companhia, a estratégia passa a envolver diferentes negócios, que podem ter conexão por público, cadeia de valor, comportamento do consumidor ou tendências de mercado.

“Quando você passa muitos anos à frente de uma operação, começa a desenvolver um olhar muito mais amplo para os negócios. Você aprende a identificar o que faz uma empresa funcionar, onde estão as oportunidades e também quais são os riscos. Em determinado momento, esse conhecimento deixa de estar restrito à sua própria empresa e passa a ser um ativo que você pode levar para outros negócios”, afirma Isa Santini, empresária e investidora com atuação nos segmentos de wellness e saúde.

À frente do Ateliê Beauty, Isa construiu uma operação que hoje conta com cinco unidades, com novas expansões previstas e investimentos de aproximadamente R$ 1 milhão por nova unidade. Paralelamente, passou a participar de outros negócios, entre eles a SIX Wellness Club, com unidades em Campinas e Alphaville, a clínica do cirurgião plástico Dr. Gerson Luiz Julio e a Oura Pharmaceutical.

A passagem de operador para investidor pode representar uma nova etapa na trajetória de empreendedores que já acumularam conhecimento, capital e experiência de gestão. Mais do que simplesmente abrir novas empresas, a estratégia envolve identificar oportunidades, construir conexões entre negócios e transformar a experiência adquirida em novas frentes de crescimento.

“Diversificar não significa deixar de ser empreendedor ou abandonar aquilo que você construiu. É entender que a experiência adquirida ao longo dos anos também pode abrir portas para novos negócios. Quando você consegue unir conhecimento, capital e uma visão estratégica, passa a enxergar possibilidades de crescimento que vão muito além da própria empresa”, finaliza Isa. 

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