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De servidor de jogos aos 13 anos a R$ 20 milhões em faturamento em 2025: ele construiu a maior rede de vending machines do Brasil

Guilherme Álvares - Créditos da foto: Divulgação

Guilherme Álvares - Créditos da foto: Divulgação

Fundador do Grupo Avend, Guilherme Álvares, de 29 anos aposta em varejo automatizado, tecnologia e franquias para escalar negócio e mira expansão internacional

O empreendedorismo entrou cedo na vida de Guilherme Álvares. Aos 13 anos, enquanto muitos adolescentes ainda estavam descobrindo interesses profissionais, ele já monetizava um servidor de jogos online. Mais de uma década depois, essa mentalidade de testar, aprender e escalar negócios resultou na criação do Grupo Avend, hoje a maior rede nacional especializada em vending machines, um modelo de varejo automatizado que fechou 2025 com faturamento aproximado de R$ 20 milhões.

Natural de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e cidade “berço” das redes de franquias, Guilherme cresceu em um ambiente com influência empreendedora, mas foi por iniciativa própria que deu os primeiros passos no mundo dos negócios.

Ainda adolescente, criou um servidor do jogo Tibia e passou a vender itens e vantagens para os jogadores, criando um sistema de monetização que rapidamente ganhou adesão. Os pagamentos eram feitos na conta da mãe, já que ele ainda era menor de idade. Apesar da informalidade, a experiência trouxe uma primeira percepção sobre criação de valor, audiência e geração de receita.

“Foi ali que tive minha primeira experiência prática de criar algo, atrair pessoas e gerar dinheiro”, relembra o empresário, hoje aos 29 anos.

O primeiro contato com máquinas veio em 2015, já aos 18 anos, quando recebeu da avó algumas máquinas de café de um antigo negócio da família. A partir disso, iniciou uma operação simples de comodato onde instalava os equipamentos em alguns locais e a comprar e a revender o café para quem utilizava ela. “Foi meu primeiro contato com um modelo de negócio envolvendo máquinas, algo que curiosamente acabou se conectando com o que faço hoje”, pontua Guilherme.

Testes, aprendizados e a virada de chave

Apesar dos bons resultados com as máquinas, Guilherme explorou diferentes caminhos ao longo dos anos. Passou por iniciativas nos setores de cosméticos, aproveitando a proximidade com o setor por conta da fábrica do pai. Além disso, atuou no setor imobiliário construindo e comercializando casas (projeto esse que mantém até hoje) e chegou a lançar uma marca de camisetas com tecidos tecnológicos. Apesar da diversidade de iniciativas, havia um ponto em comum: as vending machines continuavam operando paralelamente, e o melhor, sempre gerando resultados.

“Percebi que, entre todos os projetos, as vending machines eram o único negócio que já funcionava de forma consistente há anos. Foi quando decidi parar de dividir energia e focar totalmente nisso”, afirma.

A partir dessa virada, o empreendedor iniciou um processo de profissionalização, na qual implementou tecnologia, estruturou operação, desenvolveu processos e transformou uma atividade informal em um negócio escalável.

Fundação da Avend e crescimento acelerado

O Grupo Avend foi oficialmente estruturado em 2021, com o objetivo de profissionalizar o mercado de vending machines no Brasil e criar um modelo replicável. O crescimento veio acompanhado de dados consistentes. Atualmente, a rede soma 360 unidades, sendo 113 próprias e 247 franqueadas, distribuídas em 10 estados e no Distrito Federal. O volume movimentado gira em torno de R$ 30 milhões ao ano.

Mesmo com pouco tempo de mercado, a empresa já se consolidou como uma das principais referências no setor de varejo automatizado no país.

A expansão via franquias surgiu de forma orgânica, impulsionada pela demanda de interessados no modelo. Antes mesmo da estruturação formal, Guilherme já recebia propostas para venda da operação e pedidos de investidores querendo participar do negócio.

“Percebemos que existia uma demanda real. E em 2025 a franquia surgiu justamente para organizar essa entrada e permitir uma expansão estruturada”, explica. Hoje, o modelo comercializa entre 25 a 30 novas unidades por mês, ampliando o acesso de novos empreendedores ao setor.

Tecnologia como base do modelo

Um dos principais diferenciais da Avend está no uso intensivo de tecnologia para simplificar a operação e aumentar a rentabilidade. Todas as máquinas contam com pagamento digital integrado aceitando cartões, aproximação e QR Code, além de sistemas de telemetria que monitoram vendas, estoque e comportamento do consumo em tempo real.

O franqueado tem acesso a um painel completo de gestão, que reúne indicadores como produtos mais vendidos, horários de pico, necessidade de reposição e desempenho por ponto.

“A ideia sempre foi tirar a complexidade do caminho. O franqueado não precisa descobrir tudo sozinho, porque nós já passamos pelos desafios dentro da nossa própria operação”, afirma Guilherme.

Esse modelo híbrido com operação própria relevante e rede franqueada garante que os processos não sejam apenas teóricos, mas validados na prática.

Modelo enxuto e porta de entrada para empreender

Outro fator que impulsiona o crescimento da rede é o formato acessível do negócio. A operação funciona no modelo home based, sem necessidade de loja física ou equipe, permitindo que o franqueado administre a unidade de casa. O investimento inicial parte de cerca de R$ 55 mil, incluindo máquina, taxa de franquia e suporte. O custo operacional é reduzido com capital de giro em torno de R$ 3 mil, royalties de 5% e taxas fixas acessíveis.

Com lucro médio mensal entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por máquina e rentabilidade entre 7% e 10%, o retorno do investimento costuma ocorrer entre 10 e 16 meses.

“O dia a dia é simples, mas exige disciplina. É um modelo que pode ser conciliado com outras atividades, desde que o empreendedor mantenha constância na operação”, explica o CEO.

O mix de produtos segue um padrão validado pelo franqueado e é ajustado pela franqueadora de acordo com o perfil de consumo de cada local. Os clássicos como snacks, biscoitos, chocolates e refrigerantes, são complementados por itens que variam conforme o local em que a máquina foi instalada, o que permite uma personalização sem perder o padrão operacional.

Hoje, os equipamentos utilizados pela empresa são importados e otimizados em parceria com fornecedores de países como Itália, China e Estados Unidos.

Expansão e próximos passos

De olho no crescimento, a Avend projeta ultrapassar 500 unidades franqueadas este ano, com foco nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mercados com alta concentração de polos corporativos, industriais e educacionais.

No médio prazo, a meta é ainda mais ambiciosa, na qual segundo Guilherme o intuito é figurar entre as cinco maiores redes em número de unidades franqueadas no ranking da Associação Brasileira de Franchising (ABF) em até cinco anos.

A empresa também já estuda a expansão internacional. Embora a estratégia inicial priorizasse a América Latina, uma oportunidade pode antecipar a entrada na Europa, com a possível abertura de operação na Espanha por meio de um franqueado.

Além disso, a Avend trabalha em novas frentes de receita, como venda de mídia nas telas das máquinas e a criação de uma plataforma própria para compra de produtos pelos franqueados.

Empreender como processo contínuo

Hoje, aos 29 anos, Guilherme lidera uma operação com cerca de 60 funcionários diretos e mais de 100 indiretos. Apesar dos números expressivos, ele mantém o discurso de evolução constante.

“Não existe um momento em que está tudo pronto. Estamos sempre ajustando, melhorando e evoluindo. Mesmo com tudo que já construímos, tenho a sensação de que estamos só começando”, afirma.

Para ele, o sucesso do negócio não está apenas no faturamento, mas na trajetória construída ao longo dos anos, marcada por testes, erros e aprendizados.

“Empreender é muito sobre tentar, aprender rápido e continuar evoluindo. A Avend é resultado desse processo”, finaliza o CEO e fundador do Grupo Avend.

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