
Aos 9 anos, o empresário vendia laranja, alho e hot dog com seu pai, chegou a ser milionário, quebrou e soube se reerguer
Aos 37 anos, André Augusto, CEO da Hypper Brands, é hoje o líder de um grupo que reúne seis marcas de franquias no setor de alimentação, com mais de 250 lojas em operação, 800 colaboradores e um faturamento anual de R$ 100 milhões. Mas, para chegar até aqui, o empreendedor precisou atravessar uma jornada marcada por reviravoltas, aprendizados e resiliência.
“Eu quebrei em 2016, fiquei devendo R$ 1 milhão e passei duas semanas deitado, em depressão. Foi o maior tropeço da minha vida, mas também o que me fez mudar completamente meu comportamento como empreendedor”, relembra Augusto.
Pode parecer impossível dar a volta por cima, se reerguer de uma dívida milionária e ainda construir um império de R$ 100 milhões. Mas, para Augusto, isso foi possível.
Da barraca de hot-dog ao mundo das franquias
A trajetória de Augusto rumo ao empreendedorismo começou muito antes de se tornar empresário. Filho de um vendedor ambulante, passou a infância ajudando o pai a vender laranjas, alho e hot-dog pelas ruas de Taboão da Serra (SP). Integrante de uma família simples, somente aos 17 anos foi ter um quarto para dormir.
Com apoio da bolsa do FIES – Financiamento Estudantil, que ele batalhou para conquistar, e graças aos seus pais, conseguiu se formar em publicidade e propaganda, e durante a graduação, feita no campus de uma faculdade na Avenida Paulista, Augusto teve contato pela primeira vez com um ambiente que expandiu sua visão de mundo para além do bairro em que cresceu.
Aos 20 anos, iniciou carreira como funcionário na empresa colombiana Quala Alimentos, onde aprendeu sobre operação e vendas. Foi lá que participou da comercialização das primeiras franquias da Icegurt, experiência que despertou seu interesse pelo modelo de franchising. “Naquela época, não havia internet no celular. Eu ia panfletar na Estrada de Campo Limpo – zona sul de São Paulo para vender franquia”, conta.
Essa experiência, aliado à forma como ele ajudava os pequenos empreendedores a se desenvolverem, foi um aprendizado essencial e um marco importante na trajetória de Augusto.
O tropeço de R$ 1 milhão
Com a saída da Icegurt do Brasil, Augusto foi convidado pela companhia para trabalhar na Colômbia, mas decidiu ficar e empreender. Criou uma revenda de calçados em formato semelhante ao de microfranquias, com mais de mil revendedoras. O negócio deu muito certo, chegando a faturar R$ 5 milhões por ano.
Ao empreender no varejo de calçados, Augusto precisou desenvolver uma visão 360 de marketing, vendas, expansão e operação e adquiriu maturidade como empreendedor. No entanto, o excesso de confiança, uma consequência direta desse sucesso, o levou a cometer erros de gestão.
“Em 2015, o dinheiro vinha de todo lugar. Achei que sabia de tudo, parei de ouvir pessoas mais experientes. Em 2016, quebrei”, admite.
A dívida que ficou, de R$ 1 milhão com fornecedores, foi um divisor de águas na vida de Augusto. Depois da quebra da empresa de calçados e da depressão, ele se apoiou na família, usou a experiência de executivo e empreendedor e acionou fornecedores e contatos para renegociar dívidas e recomeçar do zero ou melhor, de menos R$ 1 milhão.
Durante seis anos, ele se dedicou a uma consultoria de marketing e expansão de negócios em franquias que abriu logo após a empresa de calçados afundar para pagar cada centavo. “Eu não viajava nem para a praia, só vivia para honrar meus compromissos.”
O “momento Eureka” na Europa
Em 2022, após quitar a dívida, Augusto fez a primeira viagem com a esposa em seis anos – até então, todo dinheiro que entrava era para pagar os fornecedores. O destino escolhido era um sonho para o casal – França e Inglaterra – e uma verdadeira recompensa pessoal, depois de tanta renúncia.
Foi durante essa viagem especial que Augusto descobriu um modelo de negócio enxuto de crepes – até então, ele nunca havia provado um. Aquilo mudaria a sua vida. A inspiração deu origem à Crepefy, primeira marca própria de franquias do empreendedor.
“Esse foi meu momento Eureka. Vi que era possível criar um negócio simples, escalável e com apelo popular. Vendi a consultoria e apostei tudo na Crepefy”, relembra. Um ato de coragem, sem dúvida.
O nascimento da Hypper Brands
Com o sucesso da Crepefy, Augusto criou em 2023 a Hypper Brands, holding de franquias que passou a abrigar novas aquisições no setor de alimentação. Hoje, o grupo que fatura R$ 100 milhões por ano, conta com seis marcas: Crepefy, TDonuts (2024), Frutassa (2024), Mr. Cheney (2025), Origens (2025) e Oh My Creamy (2025). No total, são mais de 250 operações em funcionamento e 800 colaboradores.
O crescimento rápido da holding reflete o novo estilo de gestão de Augusto: colaborativo e com escuta ativa. “Aprendi que não existe jogo ganho. Hoje, qualquer decisão importante é tomada em conjunto com meu conselho e com a equipe. O excesso de confiança do passado deu lugar à disciplina e ao respeito pelo conhecimento dos outros.”








