Em um cenário de margens mais apertadas e com a Reforma Tributária em andamento, especialistas defendem que preservar caixa será tão importante quanto vender mais nos próximos anos
No Dia do Comerciante, celebrado em 16 de julho, o principal desafio de muitos empresários pode estar longe das vitrines ou das estratégias de vendas. Enquanto o comércio busca recuperar ritmo de crescimento, decisões tributárias tomadas ou adiadas dentro da empresa podem representar perdas silenciosas de caixa. Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, mostram que o volume de vendas do varejo recuou 1,5% em abril na comparação com março, reforçando a necessidade de aumentar eficiência e rentabilidade sem depender apenas do faturamento.
Para Alexandre Campos, advogado tributarista e sócio diretor jurídico da Tributo Certo, empresa especializada em inteligência tributária, contabilidade estratégica e recuperação de créditos fiscais, a entrada gradual da Reforma Tributária torna essa revisão ainda mais urgente.
Segundo ele, o novo modelo amplia o peso do planejamento tributário nas decisões de gestão e pode separar empresas que preservam margem daquelas que continuarão perdendo dinheiro sem perceber. “A Reforma Tributária muda a lógica da gestão empresarial. O empresário que continuar olhando apenas para vendas e faturamento corre o risco de perder competitividade. Nos próximos anos, preservar caixa será resultado direto da qualidade das decisões tributárias”, afirma.
Cinco decisões que todo comerciante deveria revisar agora
Segundo o advogado, existem cinco pontos que merecem atenção imediata e podem gerar impacto financeiro relevante antes mesmo da conclusão da transição para o novo sistema tributário:
- Revisar se o regime tributário continua adequado ao porte e à operação da empresa.
- Recalcular a formação de preços considerando corretamente a carga tributária.
- Verificar a existência de créditos tributários que possam ser recuperados.
- Organizar documentos, cadastros e controles fiscais.
- Preparar processos, contratos e sistemas para a Reforma Tributária.
Na avaliação do especialista, muitas empresas cresceram, ampliaram operações ou mudaram seu modelo de negócio, mas permanecem enquadradas em regimes fiscais definidos anos atrás. “Muitas empresas escolhem um enquadramento tributário quando iniciam suas atividades e nunca mais voltam a analisá-lo. O negócio evolui, mas a estrutura tributária permanece igual. Essa falta de revisão compromete a margem, fluxo de caixa e capacidade de investimento”, explica.
Muitos comerciantes calculam preços considerando custos operacionais e margem desejada, mas deixam de incorporar corretamente os impactos tributários. “Quando a tributação não entra corretamente na composição do preço, a empresa reduz sua rentabilidade sem perceber. Em outras situações, cobra acima do necessário e perde competitividade justamente onde mais precisa disputar mercado”, afirma.
Reforma Tributária transforma gestão fiscal em estratégia de negócio
O profissional também destaca que diversas empresas deixam recursos financeiros disponíveis na mesa por nunca terem realizado uma revisão técnica para identificar créditos tributários recuperáveis. “Nem toda empresa possui valores a recuperar, mas muitas sequer verificaram essa possibilidade. Quando isso acontece, recursos que poderiam reforçar o caixa permanecem imobilizados por simples falta de revisão especializada”, diz.
A organização fiscal também passa a ganhar protagonismo durante a implementação da Reforma Tributária. Cadastros atualizados, escrituração consistente, emissão correta de documentos fiscais e controles internos fortalecem a conformidade e reduzem riscos operacionais.
Para o especialista, antecipar esse movimento permite que as empresas adaptem contratos, fornecedores, sistemas e processos de forma gradual, evitando custos mais elevados no futuro. “As empresas que iniciarem esse planejamento agora terão uma transição muito mais segura. Quem deixar para agir apenas quando todas as mudanças estiverem consolidadas provavelmente enfrentará mais custos, menos previsibilidade e menor capacidade de reação”, conclui.
Embora a implementação da Reforma Tributária ocorra de forma escalonada, especialistas avaliam que empresas financeiramente mais organizadas tendem a ganhar eficiência operacional, preservar caixa e ampliar sua competitividade. Para o consumidor, esse movimento pode significar negócios mais sólidos, com maior capacidade de investir em atendimento, inovação e qualidade dos serviços oferecidos.








