Saúde

Dia Nacional da Mamografia reforça a realização do exame de forma frequente e regular para detecção precoce do câncer de mama

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Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a necessidade de ampliar a cobertura mamográfica pelo SUS, que atinge apenas 33% da população-alvo no País

No Dia Nacional da Mamografia, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a importância da realização do exame anual para detecção do câncer de mama. O rastreamento regular a partir dos 40 anos de idade, recomendação do Ministério da Saúde, alia-se aos esforços das principais associações médicas brasileiras para o enfrentamento efetivo da doença. “A realidade, no entanto, se apresenta muito aquém do ideal”, observa Gustavo Machado Badan, presidente da Comissão de Imagem da SBM. De acordo com o mastologista, a cobertura mamográfica pelo SUS (Sistema Único de Saúde) atinge atualmente apenas 33% da população-alvo no País. “O desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos”, diz.

No enfrentamento do câncer de mama, neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo, a mamografia de rastreamento permanece como a estratégia de saúde pública mais eficaz para a detecção precoce da doença, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores desfechos clínicos. “Evidências acumuladas ao longo de décadas demonstram que programas organizados de rastreamento mamográfico estão associados a reduções consistentes da mortalidade por câncer de mama, especialmente quando realizados de forma regular e contínua”, destaca Gustavo Badan.

Uma análise de amplo alcance, publicada recentemente, demonstrou que mulheres que participaram do rastreamento apresentaram cerca de 40% a 50% menos risco de morte por câncer de mama em até 10 anos após o diagnóstico, quando comparadas àquelas que não fizeram o exame.

A frequência com que a mamografia é realizada, segundo o representante da SBM, também merece destaque. “Feita de forma ocasional, e não anualmente, o exame reduz seu efeito protetor, que é a detecção de tumores em estágios iniciais. Como consequência, há o risco ampliado de mortalidade”, diz.

O mastologista lembra que o rastreamento mamográfico realizado a partir dos 40 anos de idade segue recomendação do Ministério da Saúde. Estudos científicos conduzidos pela SBM e apresentados em eventos de importantes sociedades médicas internacionais, a exemplo da ASCO (American Society of Clinical Oncology), reforçam a necessidade de ações que ampliem o número de exames nesta faixa da população. De acordo com levantamento baseado em informações de bancos de dados do SUS (DataSUS), no período de 2013 a 2022, entre mulheres com 40 a 49 anos, a média de exames realizados chegou a 22% em uma década. No mesmo período analisado, 54% dos casos diagnosticados são dos estadios III e IV, os mais avançados da doença.

Tão preocupante quanto as baixas adesões ao exame na faixa dos 40 anos, na avaliação de Badan, são as diretrizes tradicionais que estabelecem limites etários para o rastreamento mamográfico, geralmente entre 69 e 74 anos de idade. “Estudos e modelos contemporâneos demonstram que mulheres mais velhas, com boa condição clínica e expectativa de vida superior a 7 anos, continuam a se beneficiar do rastreamento mamográfico”, reforça.

Outro ponto de atenção no Dia Nacional da Mamografia, segundo o especialista, concentra-se na disseminação de informações nem sempre baseadas em ciência. “A desinformação pode levar as mulheres a acreditarem que a mamografia não traz benefícios, o que não é verdadeiro à luz das evidências científicas”, afirma. Mesmo a parcela da população que se deixa influenciar por informações inverídicas deve realizar o rastreamento mamográfico, “que continua sendo uma decisão racional e benéfica”.

O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, pontua o mastologista Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “São benefícios que por si só justificam a realização do exame de forma frequente e regular”, conclui.

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