Setembro Amarelo reforça a importância do acolhimento, empatia e cuidado com a vida
Em um mundo marcado pelo ritmo acelerado e pelas demandas constantes, a atenção ao outro muitas vezes fica em segundo plano. Setembro, mês internacionalmente dedicado à prevenção do suicídio, reforça a necessidade de valorizar a vida e cultivar uma cultura de cuidado, empatia e dignidade humana.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, e muitas dessas mortes poderiam ser prevenidas com atenção, apoio emocional e diálogo. Especialistas afirmam que pequenas ações, como perguntar de forma sincera “como você está?”, podem ter efeito transformador na vida de alguém que enfrenta sofrimento emocional ou psicológico.
Para o escritor e conselheiro Adriano Dedin, “ser dignamente visto significa ser reconhecido em sua dor, em sua luta e em sua existência”. Ele explica que pessoas que enfrentam depressão, ansiedade ou outros transtornos emocionais frequentemente relatam sentir-se invisíveis para o mundo. “Quando alguém percebe que sua vida tem valor e que sua presença importa, abre-se espaço para o recomeço”, afirma.
A visibilidade e o cuidado devem ir além da esfera individual. Escolas, empresas, organizações sociais e famílias têm papel fundamental em oferecer suporte, acolhimento e compreensão. Treinamentos, educação e campanhas ajudam, mas são os gestos cotidianos de empatia que realmente transformam realidades.

O preconceito ainda é barreira significativa quando se trata de saúde mental. Depressão, ansiedade e pensamentos suicidas são frequentemente mal interpretados como fraqueza ou desinteresse pela vida, dificultando que a pessoa busque ajuda. “Escutar sem julgar e reconhecer que cada história é única são atitudes que podem salvar vidas”, destaca Dedin. Criar ambientes seguros e livres de preconceito permite que indivíduos compartilhem suas dores sabendo que serão ouvidos com respeito e sensibilidade.
Redes de apoio, sejam familiares, amigos ou colegas, são peças-chave na prevenção do suicídio. Organizações sociais, serviços de saúde e linhas de prevenção complementam esse suporte, mas o envolvimento humano e afetivo é indispensável. Dedin ressalta que “um gesto simples de bondade, uma palavra de encorajamento ou um telefonema inesperado pode reduzir o sofrimento de alguém e fazer com que a pessoa se sinta dignamente vista e valorizada”.
Valorizar a vida é reconhecer os direitos inalienáveis de cada pessoa: existência, esperança e dignidade. Mais do que campanhas ou políticas públicas, a prevenção do suicídio é uma prática contínua de humanidade. Ser “dignamente visto” significa sentir que sua vida importa e que há alguém disposto a ouvir. No Setembro Amarelo, a recomendação dos especialistas é reforçar redes de apoio, combater o estigma e criar espaços seguros para diálogo. Cada gesto de cuidado, atenção e empatia contribui para salvar vidas, restaurar esperança e transformar realidades.
Biografia do autor:
Adriano Dedin é pastor, escritor, conselheiro, mentor, pós-graduando em ciência cognitiva e comportamental, formado em bacharel em teologia pela FSTA – Faculdade Teológica Sul-Americana, residente em Londrina, Paraná.
📲 Instagram: @pr.adrianodedin








