Empresas ampliam programas de desenvolvimento interno para preparar lideranças, reduzir lacunas de habilidades e fortalecer a retenção de profissionais
A dificuldade de encontrar profissionais preparados já afeta 81% das empresas brasileiras, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2025, do ManpowerGroup. O cenário tem levado companhias a reverem suas estratégias de atração e retenção de pessoas e a investir em modelos próprios de desenvolvimento, como as Employer Universities, estruturas internas de aprendizagem contínua que aproximam formação, cultura organizacional e prática profissional.
Para Anderson Silva, advogado, mestre em direito empresarial, professor e fundador da A2 Paralegal e do ecossistema educacional Desenvolvimento Para Todos (DPT), o movimento representa uma mudança na relação entre empresas e profissionais. “As organizações perceberam que depender de profissionais prontos no mercado é uma estratégia limitada. Desenvolver pessoas precisa fazer parte da operação, porque empresas que criam essa capacidade internamente formam profissionais alinhados ao negócio e constroem novas lideranças”, afirma.
O conceito de Employer University vai além de treinamentos técnicos ou cursos corporativos isolados. A proposta é criar uma estrutura permanente de aprendizado, com trilhas de desenvolvimento, mentorias, acompanhamento de carreira e formação de competências comportamentais que influenciam diretamente a atuação profissional.
A transformação ocorre em um momento em que habilidades humanas passaram a ganhar relevância nas decisões empresariais. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que pensamento analítico, resiliência, liderança e capacidade de adaptação estão entre as competências mais valorizadas pelas empresas nos próximos anos.
Segundo Anderson, que há 12 anos atua na estruturação de operações jurídicas, empresariais e no desenvolvimento de profissionais por meio da A2 Paralegal, a educação corporativa precisa estar conectada à prática diária. “O aprendizado mais efetivo acontece quando está ligado aos desafios reais da empresa. Um projeto, uma reunião, um conflito ou uma tomada de decisão podem se transformar em oportunidades de desenvolvimento”, explica.
A tendência também muda o papel da liderança. Além de responder por resultados, executivos passam a assumir também a responsabilidade por desenvolver pessoas e construir a cultura que sustenta esses resultados. Na visão de Anderson, o papel do líder não termina na entrega. Ele precisa construir capacidade no time para que a operação dependa cada vez menos de decisões concentradas.
“O empresário precisa entender que formar pessoas não é uma atividade paralela ao negócio. É parte da estratégia. Uma empresa que desenvolve seus talentos cria sucessores, fortalece sua cultura e reduz a dependência de buscar sempre profissionais no mercado”, destaca.
Embora grandes companhias já tenham universidades corporativas estruturadas, Anderson defende que pequenas e médias empresas também podem aplicar o conceito. Segundo ele, organizações menores possuem uma vantagem por terem estruturas mais próximas, comunicação mais direta e maior capacidade de implementar mudanças rapidamente.
A proposta pode começar com iniciativas simples, como encontros internos de aprendizado, mentorias, planos individuais de desenvolvimento e reuniões voltadas não apenas para cobrança de resultados, mas também para troca de conhecimento.
Criador do Desenvolvimento Para Todos (DPT), ecossistema educacional voltado à formação de profissionais e empreendedores, Anderson aplica esse modelo em diferentes frentes, desde a preparação de novos profissionais para o mercado paralegal até programas voltados a empresários que buscam organizar e expandir seus negócios.
“O meu trabalho sempre esteve ligado à ideia de aproximar educação e realidade profissional. A universidade tradicional tem um papel fundamental, mas a empresa precisa assumir responsabilidade pela formação prática de quem sustenta sua operação. Quando isso acontece de forma estruturada, desenvolvimento deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a construir capacidade para o negócio crescer.”, conclui Anderson.

