Pesquisas sobre aproveitamento de resíduos para energia, fertilizantes e novos produtos mostram como o café pode gerar valor além da comercialização da saca
A casca do café, antes tratada principalmente como resíduo do beneficiamento, pode se transformar em combustível, fertilizante e matéria-prima para novos produtos. Pesquisas brasileiras avançam nessas aplicações e apontam oportunidades de reduzir custos, diversificar negócios e ampliar a renda na cafeicultura, embora parte das tecnologias ainda esteja em desenvolvimento.
O tema estará em destaque na Semana Internacional do Café 2026 (SIC 2026), de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte. A programação inclui o painel “Onde está o valor além da saca?”, além de discussões sobre agricultura regenerativa, viabilidade econômica do café arborizado e turismo de experiência.
“O futuro da cafeicultura não depende apenas da quantidade produzida ou do preço da saca. Precisamos olhar para as oportunidades de geração de valor em toda a cadeia. A SIC 2026 conecta inovação, sustentabilidade e novos negócios à competitividade do produtor brasileiro”, afirma Caio Alonso Fontes, sócio da Espresso&CO.
Resíduos que podem virar negócios
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolve um projeto para transformar resíduos do café em recipientes para mudas, biocarvão e biogás. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), pesquisadores avaliaram a utilização de cascas e pergaminhos do café na produção de pellets, combustível sólido obtido pela compactação de biomassa.
As pesquisas indicam possibilidades de aproveitamento econômico desses materiais, mas sua viabilidade comercial ainda depende de fatores como escala, investimentos e processamento.
“O aproveitamento de resíduos e a eficiência energética podem ajudar o produtor a reduzir custos e melhorar sua rentabilidade. Mas essas alternativas precisam ser tecnicamente viáveis e adaptadas à realidade de cada propriedade”, afirma Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar.
Novos produtos e mercados
Em junho de 2026, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) inaugurou, em Lavras, na região Sul do estado, uma agroindústria piloto para extração de óleo do café, com pesquisas voltadas a aplicações em cosméticos e dermocosméticos. Outras possibilidades de agregação de valor incluem torrefação própria, cafés diferenciados e turismo rural.
A programação SIC 2026 terá como destaque o painel sobre turismo de experiência na região da Canastra, que abordará o potencial do café como instrumento de desenvolvimento regional, conectando o produto a outras cadeias, como a produção de queijos artesanais, meis e charcutarias. Neste ano, a agenda contempla oportunidades de aproximação entre produtores, compradores e parceiros estratégicos, além de ações voltadas à troca de conhecimentos, à inovação e à ampliação do acesso a mercados.
“Agregar valor à produção também significa abrir caminhos para novas oportunidades de negócio. O acesso à informação, à inteligência, à gestão e às conexões comerciais fortalece toda a cafeicultura, o que amplia a competitividade e contribui para a geração de renda”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.
“Minas Gerais reúne produção, instituições de pesquisa e conhecimento técnico que favorecem novas oportunidades na cafeicultura. A Secretaria de Agricultura, em parceria com suas vinculadas (Emater-MG, Epamig e IMA), trabalha para aproximar essas soluções dos produtores, estimulando a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Thales Almeida Fernandes, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Com o tema “Às vésperas dos 300 anos do café no Brasil: construindo a próxima agenda global”, a SIC 2026 abre as celebrações do tricentenário da introdução do café no país, que será completado em 2027.
A Semana Internacional do Café 2026 será realizada de 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h, no Expominas, em Belo Horizonte. É uma realização Espresso&CO, Sistema Faemg Senar, Sebrae e Governo do estado de Minas Gerais, com apoio institucional do Sistema Ocemg, patrocínio diamante Rituais 85+, patrocínio ouro Anysort, Senac em Minas e Sicoob, e patrocínio bronze Nescafé e Yara.

