O executivo, consultor e mentor Denis Caldeira revela as condutas valorizadas e condenadas pelas empresas e que podem definir se um colaborador será visto como proativo ou omisso por seus chefes
A vida do profissional que trabalha em uma grande empresa é repleta de desafios cotidianos, muitos dos quais não são fáceis de enfrentar. Problemas de relacionamento entre colegas, que atrapalham o bom andamento do trabalho, desmotivação de colaboradores, baixa qualidade do produto ou serviço ofertado, falta de clareza sobre objetivos e estratégias e falta de investimento em treinamento e desenvolvimento são algumas das principais adversidades, que muitos profissionais decidem não olhar de frente, por medo de se comprometerem.
Mas esse tipo de comportamento, afirma o executivo na área de tecnologia e negócio, consultor e mentor Denis Caldeira, não é bem-quisto pela maioria das empresas e dos líderes, que buscam um perfil de profissional mais proativo e disposto a “vestir a camisa” da empresa, trabalhando para ser parte da solução e não do problema. Nesse sentido, Caldeira aponta as cinco principais formas de um profissional lidar com um problema na empresa, destacando quais são as desejadas e quais são as condenadas pelas empresas.
1 – Omitir-se
A primeira maneira de lidar com um problema, diz o executivo, é detectá-lo e não fazer absolutamente nada para resolvê-lo. Trata-se de uma inação, explica Caldeira, que, de fato, não passa despercebida e sem causar efeitos prejudiciais à organização, pois contribui para que aquela determinada ação persista e não seja olhada de frente. Por exemplo, se o ambiente de trabalho está pesado, com muita pressão e pouco tempo para recarga de energias e um dos colaboradores escolhe não abrir seu descontentamento com o gestor, ele ajudará a manter um clima organizacional que afeta a moral e a produtividade da equipe.
2 – Tornar-se parte do problema
A segunda forma de lidar com um inconveniente dentro de uma corporação é engrossar a fileira dos indivíduos responsáveis pela construção daquele cenário problemático. “Trata-se daquele colaborador que vê o problema e passa a fazer parte dele, fazendo fofoca no corredor, reclamando do chefe e maldizendo a empresa”, explica o consultor. Segundo ele, um profissional que adota esse tipo de comportamento age de uma maneira mais nociva à companhia do que aquele que simplesmente decide não se intrometer, isso porque ele não apenas contribui para manutenção do problema, mas assume uma postura que aumenta as dimensões dele.
3 – Avisar sobre o problema
O terceiro modo de se portar diante de um problema com potencial de afetar negativamente o cotidiano de uma organização é não se omitir, alertando colegas e superiores sobre a questão e seu potencial danoso. “Uma maneira decente e respeitosa de lidar com um problema é detectá-lo e ser o primeiro a avisar sobre sua existência e sobre a necessidade de resolvê-lo”, afirma Caldeira. Essa maneira, contudo, ressalta o mentor e consultor, peca pela falta de iniciativa em imaginar cenários e soluções.
4 – Sugerir soluções
Para tanto, recomenda-se a quarta forma de lidar com um problema, que prima pela detecção da adversidade e pela iniciativa de aventar uma solução. “Saída que pode nem ser a ideal, mas que pelo menos evidencia a boa vontade do colaborador em buscar resolver aquela questão”, comenta o executivo. De acordo com ele, as empresas e os líderes querem a todo momento incentivar essa quarta forma de lidar com situações adversas, pois além de ser uma ótima contribuição para o enfrentamento de cenários prejudiciais, leva ao exercício da autonomia por parte do profissional e ao aumento de sua capacidade de contornar problemas mais difíceis e complexos.
5 – Agir
A quinta e última forma, explica Caldeira, é uma derivação da quarta. Aqui também o colaborador não se omite e busca uma solução, mas essa não passa pelo crivo dos superiores hierárquicos para ser colocada em prática. Ele vê o desafio e resolve, sem se atentar que há diferentes níveis de problemas que dizem respeito a diferentes postos hierárquicos dentro de uma empresa. “Se, por exemplo, um cliente pede a um vendedor 20% de desconto em um determinado produto e este garante essa redução, mesmo estando fora de sua alçada decidir sobre isso, ele deixará a empresa suscetível a tomar um prejuízo nessa transação”, explica o consultor, destacando a importância de o colaborador compreender se tem autoridade para resolver essa questão sem pedir ajuda.

