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Eleições 2026: Agro ganha força no Congresso enquanto crise de crédito atinge produtores

Créditos da foto: Divulgação

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Mesmo com queda de 21% nas recuperações judiciais, pedidos de produtores pessoa física avançam 8,2% e ampliam pressão por renegociação de dívidas e financiamento rural

O agronegócio chega à próxima legislatura com forte representação política e um desafio financeiro que permanece longe de uma solução definitiva. Dados do 2  trimestre de 2026 mostram que os pedidos de recuperação judicial na cadeia agropecuária caíram 20,7%, de 565 para 448 na comparação anual. Apesar da retração, entre os produtores rurais pessoa física houve avanço de 8,2% em relação ao 1 trimestre, de 182 para 197 solicitações, enquanto entre pessoas jurídicas os pedidos recuaram 18,4%, de 196 para 160. A diferença revela que a recuperação financeira ocorre de maneira desigual e coloca o endividamento rural entre os temas prioritários do Congresso eleito em 2026. Antes das eleições, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reunia cerca de 355 deputados e senadores, em um setor cujo Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. A pressão financeira também aparece na deterioração do perfil de crédito dos produtores que recorrem à Justiça: o score médio cai de aproximadamente 430 pontos, 18 meses antes do pedido, para 50 pontos no momento da solicitação, redução próxima de 88%. Mato Grosso concentrou 107 pedidos no 2 e 3 , cerca de 24% do total nacional.

A combinação entre endividamento e articulação parlamentar deve ampliar as discussões sobre renegociação de dívidas, equalização de juros, seguro rural e garantias financeiras. Para Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco e especialista em crédito estruturado, a atuação do Congresso pode influenciar diretamente o custo e a disponibilidade de financiamento. “No agro, o custo do dinheiro começa a ser definido muito antes de o produtor sentar com o banco. Orçamento público, subsídios, seguro rural, garantias e regras de renegociação influenciam quanto risco a instituição financeira está disposta a assumir e a que preço. Uma representação mais organizada no Congresso pode ampliar a capacidade do setor de discutir esses mecanismos e criar condições para reduzir incertezas. Quando o risco fica mais previsível, abre-se espaço para mais crédito, prazos melhores e estruturas de financiamento mais competitivas para toda a cadeia”, afirma. Nesse ambiente, consórcios estruturados, crédito com garantias e financiamentos adequados ao ciclo produtivo surgem como alternativas para reorganizar compromissos financeiros e reduzir a dependência de linhas tradicionais, especialmente entre produtores que enfrentam dificuldades de caixa antes que o endividamento comprometa a continuidade das operações.

O debate ocorrerá em um cenário de juros ainda elevados, mesmo após a redução da Selic para 13,75% ao ano em setembro. O custo do capital pressiona produtores que dependem de financiamento para adquirir insumos, investir em equipamentos e manter as operações até a comercialização da safra. Ao mesmo tempo, o agronegócio brasileiro exportou US$ 118,5 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, acumulando superávit comercial de US$ 105,1 bilhões, o que reforça sua importância econômica e amplia a responsabilidade do próximo Congresso na formulação de políticas de crédito. O desafio será conciliar renegociações e mecanismos de proteção financeira com as restrições fiscais que limitam a expansão dos subsídios públicos. Para Friggi, ampliar a oferta de recursos sem considerar a capacidade de pagamento pode aprofundar o problema. “O desafio não é simplesmente ter mais crédito. É construir crédito que caiba no fluxo de caixa do produtor e que não transforme um problema conjuntural em endividamento permanente. Com juros ainda elevados, previsibilidade de regras, garantias adequadas e prazo tornam-se tão importantes quanto a própria taxa”, afirma. A influência política do setor será medida pela capacidade de transformar essa agenda em condições de financiamento mais sustentáveis, sem transferir continuamente o custo do endividamento para as contas públicas.

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