Amanda Brunholi e Ayrllys trocaram trajetórias de mais de duas décadas no mercado corporativo e de agências pela criação da Quadra Creative Space, negócio que projeta crescer mais de 70% no segundo ano.
Sair de uma carreira consolidada para começar uma empresa do zero é uma decisão que envolve risco, especialmente quando os profissionais já construíram uma trajetória estável no mercado. Amanda Brunholi e Ayrllys fizeram essa escolha em momentos diferentes de suas carreiras e, em 2024, transformaram as experiências acumuladas em uma empresa própria.
O negócio, a Quadra Creative Space, faturou R$ 1 milhão no primeiro ano de atuação e projeta crescer mais de 70% no segundo. O resultado ajuda a explicar a aposta, mas não foi o ponto de partida. A empresa nasceu de uma insatisfação comum aos dois sócios: a percepção de que poderiam trabalhar de outra maneira, com mais participação nas decisões dos clientes e menos foco em uma lógica de agência baseada apenas em receber demandas e produzir entregas.
Amanda tinha mais de 20 anos de experiência na indústria farmacêutica, com passagens por marketing, vendas, treinamento, atendimento e gestão de produtos. Participou de lançamentos e estratégias de ciclo de vida de marcas como Radiesse, Botox, Juvéderm, Harmonyca e CoolSculpting, além de projetos na América Latina e Europa.
A carreira estava em ascensão quando começou a surgir uma questão diferente: o que fazer quando uma trajetória profissional bem-sucedida deixa de fazer sentido? A resposta foi sair do mercado corporativo e empreender. “Eu percebi que estava seguindo um caminho que funcionava profissionalmente, mas que já não fazia sentido para mim. Queria construir alguma coisa em que pudesse colocar minha experiência a serviço de uma outra forma de trabalhar”, conta Amanda.
Ayrllys chegou a uma conclusão parecida por outro caminho. Com experiência em agências e design, ele também desenvolveu projetos autorais de ilustração e animação que ganharam repercussão e abriram portas para trabalhos com marcas e empresas. Depois de anos no mercado e um período trabalhando de forma independente, percebeu que não queria continuar concentrando toda a operação em si mesmo.
Foi desse encontro de experiências que surgiu a Quadra. A empresa foi criada com uma premissa simples: criatividade não deveria ser separada da estratégia de negócio. Na prática, isso significa que a Quadra procura entender primeiro o produto, o público, o posicionamento e o problema que o cliente precisa resolver antes de pensar na execução. A proposta é atuar como uma extensão estratégica da empresa, e não apenas como fornecedora de campanhas, peças ou identidades visuais.
A mudança também responde a um mercado em transformação. Com ferramentas de inteligência artificial tornando a produção de conteúdo e design mais rápida e acessível, os sócios entendem que o valor de uma agência tende a migrar cada vez mais da execução para a capacidade de identificar problemas, fazer escolhas e construir soluções. “Se produzir ficou mais fácil, saber o que produzir, para quem e por quê passa a ser ainda mais importante”, afirmam os sócios.
Esse modelo já levou a Quadra a trabalhar com empresas como Roche, Itaú e Allergan e sustenta a estratégia de crescimento para os próximos anos. Para ambos, entretanto, o principal resultado do primeiro ano não está apenas no faturamento. Está na validação de uma decisão que, dois anos antes, significava abandonar caminhos profissionais conhecidos para construir um negócio a partir de uma convicção: era possível fazer diferente.
Agora, com a empresa entrando em uma nova fase e expectativa de crescimento superior a 70%, a aposta é transformar essa experiência em um modelo de agência que combine estratégia, branding e criatividade desde o início dos projetos.

