Aplicar recursos em empresas tomadoras de empréstimos para ampliação de negócios, com rentabilidade na modalidade renda fixa, é opção diante do cenário que se desenha para 2026
O ano de 2026 promete ser intenso: além da eleição para a Presidência da República, o calendário ainda reserva a Copa do Mundo. São dois acontecimentos que tradicionalmente mexem com o cotidiano nacional e que, desta vez, vêm acompanhados de um ingrediente adicional: o início da vigência da reforma tributária, com impactos diretos sobre a economia. Nesse contexto, o mercado de investimentos figura entre os setores mais sensíveis às mudanças.
É momento para investir? Quais as tendências e melhores opções? Quais os caminhos para que os investimentos sejam mais assertivos? Até que ponto Copa, eleições e reforma tributária são episódios decisivos para serem levados em conta no momento de se planejar?
Para o administrador Gabriel Sousa, cofundador e CEO da M3 Lending, apesar da agitação atípica, 2026 tende a ser, sim, um período propício para investimentos.
Segundo ele, em relação ao período eleitoral, embora traga volatilidade, ele estimula decisões de investimento ligadas à antecipação de consumo, reforço de estoques e reorganização financeira das empresas diante de possíveis mudanças regulatórias e fiscais. “Somada ao início da reforma tributária, essa conjuntura leva muitas companhias a buscar crédito como ferramenta de adaptação e crescimento, criando um ambiente especialmente atrativo para investidores atentos a oportunidades”, destaca.
Ou seja, eventuais oscilações e incertezas estão longe de representar fatores que paralisem investidores. “Historicamente, momentos de maior ruído político ou econômico não significam ausência de oportunidades. Pelo contrário. O capital não deixa de circular — ele apenas se torna mais seletivo. Quem investe com análise, dados e visão de longo prazo consegue atravessar esses períodos fortalecendo sua posição”, afirma Sousa.
Assim, investir em empresas tomadoras de crédito para expandir seus negócios é uma boa pedida de investimento para 2026, observa Sousa. A esse fator, o especialista acrescenta um outro ponto favorável ao tipo de aplicação de recursos: a renda fixa. “Com taxas de juros altas, investimentos com retorno atrelado à renda fixa são mais recomendáveis, especialmente quando combinam previsibilidade, diversificação e exposição à economia real”, explica.
A dinâmica não difere muito em períodos de eventos de grande escala, como a Copa do Mundo, que costumam funcionar como catalisadores de atividade econômica, especialmente nos setores de comércio, serviços, alimentação, logística e entretenimento, justamente áreas que demandam capital para expansão rápida. A Organização Mundial do Comércio estima que eventos globais desse porte podem adicionar cerca de US$ 50 bilhões ao PIB mundial. No Brasil, historicamente, a Copa do Mundo injeta recursos da ordem de bilhões — na última, em 2022, mais de R$ 2 bi foram movimentados só com vendas no comércio e faturamento de bares e restaurantes, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Para aproveitar esse aumento repentino da demanda, empresas precisam agir rápido. Seja para confeccionar produtos, importar itens temáticos ou reforçar estoques e operações, o capital de giro se torna essencial. “Uma empresa que decide aproveitar a Copa do Mundo, produzindo ou importando artigos alusivos ao evento, precisa investir antes de o consumo acontecer. Para isso, muitas recorrem a empréstimos, o que transforma esse movimento em uma oportunidade clara também para investidores”, explica.
Um exemplo é a própria M3 Lending, fintech que conecta diretamente investidores e tomadores de crédito, sem a intermediação de bancos tradicionais. De um lado, estão pessoas físicas e jurídicas interessadas em aplicar recursos em negócios com potencial de retorno. Do outro, empreendedores que precisam de financiamento para expandir suas operações em momentos estratégicos. “É uma relação em que todos ganham: as empresas conseguem crescer e atender à demanda da economia, enquanto os investidores participam desse ciclo produtivo e são remunerados por isso”, conclui.
Projeções
O CEO da M3 Lending lembra que o atual pico da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, tende a se manter nos próximos meses. De fato, o Boletim Focus, feito pelo Banco Central a partir de pesquisas no mercado financeiro, aponta que a Selic deve iniciar 2026 nos atuais 15% ao ano. “O mercado até avalia redução gradativa ao longo do ano, porém a taxa pode baixar, embora não de uma maneira significativa”, avalia Sousa.
Outros indicadores sinalizam estabilidade macroeconômica, o que favorece investimentos no setor produtivo, observa o executivo. De acordo com o Focus, o PIB brasileiro deve crescer quase 2% em 2026 (mais precisamente, 1,8%). Estima-se cotação do dólar em R$ 5,50, ligeiramente acima dos R$ 5,40 mensurados para o final de 2025. A inflação em 2026 é calculada na casa dos 4% (4,16%), pouco abaixo dos 4,4% estimados para 2025.

