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Emirados Árabes ampliam diversificação global e Brasil ganha destaque como destino estratégico

Delegação emiradense desembarca em São Paulo para agenda de negócios em agronegócio, energia e tecnologia

Os Emirados Árabes Unidos consolidaram nos últimos anos uma estratégia robusta de diversificação de investimentos globais, com foco em segurança alimentar, transição energética e infraestrutura. O Brasil cresce nesse radar. Na próxima semana, uma delegação de empresários e investidores emiradenses desembarca em São Paulo para uma agenda de negócios que reflete essa aproximação.

A lógica é estrutural. Os Emirados combinam capital soberano de longo prazo, visão geopolítica e capacidade de execução. O Brasil, maior exportador mundial de soja, açúcar, frango e carne bovina, com a maior matriz renovável do hemisfério ocidental e um dos maiores potenciais de hidrogênio verde do mundo, encaixa diretamente nos setores que os Emirados consideram estratégicos.

Capital árabe em movimento no Brasil

A Acelen, controlada pela Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, anunciou 1,5 bilhão de dólares para uma biorrefinaria de combustível sustentável de aviação na Bahia, dentro de um projeto total de 13,5 bilhões ao longo de uma década. A AD Ports adquiriu os terminais portuários de Santos e Itaqui por 835 milhões de dólares, assumindo o controle de infraestrutura responsável por dez por cento de todas as exportações brasileiras.

Uma janela de acesso direto

Quando o empresário brasileiro pensa em internacionalização, o olhar vai quase sempre para os Estados Unidos, Portugal ou Reino Unido. O que poucos percebem é que esses mercados já têm uma relação estrutural e consolidada com o dinheiro árabe. O capital dos Emirados transita por Nova York, Londres e Lisboa há décadas. O Brasil tem a oportunidade de acessar essa relação de forma direta, sem intermediários, em um momento em que os Emirados ainda estão construindo seus pontos de ancoragem no país.

A dinâmica de negócios nos Emirados é diferente da brasileira. O ritmo, a forma de construir confiança e a estrutura de decisão seguem uma lógica própria. Quem entende isso aumenta significativamente as chances de fechar negócio. Quem chega sem esse entendimento perde tempo e oportunidade.

“O Brasil tem ativos que o mundo árabe precisa. Agronegócio, bioenergia, logística, tecnologia e infraestrutura são os eixos desta agenda. O empresário brasileiro que entender a dinâmica dos Emirados e se posicionar agora vai sair na frente. Essa relação ainda está no começo,” destaca Rodrigo Paiva, presidente do LIDE Emirates.

A delegação e os acordos

A missão é liderada pelo LIDE Emirates, braço dos Emirados Árabes Unidos do LIDE Global, maior plataforma de negócios privados da América Latina. À frente estão Mohamed Jassim Al Rais, CEO da Al Rais Investment e presidente do Conselho do LIDE Emirates, e Rodrigo Paiva, CEO da Seven Sands Holdings e presidente do LIDE Emirates.

Desde a criação do LIDE Emirates, mais de 1 bilhão de dólares em novos negócios entre Brasil e Emirados foram fomentados pela plataforma. O objetivo desta visita é ampliar esse número.

A agenda inclui reuniões com empresários, investidores e representantes institucionais brasileiros. Durante a visita, será formalizado um acordo no setor de segurança alimentar, já concluído entre as partes, e assinado um segundo acordo no setor de tecnologia.

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