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Empreendedoras dão 4 dicas de como conciliar maternidade e negócios

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À frente de grandes empresas, mães empreendedoras contam qual o caminho para construir um negócio de sucesso

Cada vez mais, o empreendedorismo feminino tem ganhado espaço no Brasil, impulsionado por mulheres que transformam desafios em oportunidades e constroem negócios criativos. De acordo com dados do Sebrae, o país conta com mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras, representando cerca de 34% do total de donos de negócios. Muitos dados apontam, principalmente, para mulheres no pós-maternidade. Como diz o ditado, ”nasce uma mãe, nasce uma empreendedora”. Muitas mulheres decidem se lançar no empreendedorismo motivadas, principalmente, pelo desejo de passar mais tempo com os filhos. E para encorajar a figura feminina no mundo dos negócios, no Mês das Mães, confira quatro dicas de mães empresárias brasileiras que comandam negócios de sucesso:

Steph Gomides, do aiqfome:

Pensando em se reinventar, a até então designer Steph Gomides resolveu se aventurar no mercado de tecnologia quando criou, em 2007, o 1° app de delivery do Brasil, o aiqfome. De forma despretensiosa, a alternativa virou coisa séria e, hoje, a empresária colhe os frutos dessa iniciativa, que já ocupa o posto de maior aplicativo de entregas do interior do Brasil e o 2° maior do país. Adquirido pelo Grupo Magalu em 2020 para atuar na vertical food do conglomerado, o negócio fechou o ano de 2024 com faturamento de mais de R$1 BI. 

Foi em meio a inúmeras ligações malsucedidas para fazer um pedido, somada a uma dose extra de fome, que Steph Gomides e seu marido e sócio, Igor Remigio, tiveram a ideia de desenvolver um site para facilitar essa jornada. Na época, o casal ganhava cerca de R$600,00 com serviços de freelancer como designers. “Essa sequência de episódios com pedidos de delivery aconteceu em 2001. Eu me lembro que isso despertou uma inquietação dentro de mim: deveria existir uma maneira mais fácil de pedir comida sem ser pelo telefone ou navegando de site em site para checar o cardápio dos restaurantes. O projeto, contudo, ficou adormecido até 2007, quando decidi retomar. Na época, eu empreendia ao lado do Igor com uma agência que fazia pequenos serviços de materiais visuais para restaurantes locais. No aiqfome nunca tivemos um investidor, então desenvolvemos o negócio do zero a quatro mãos e fomos reinvestindo todo o lucro adquirido”, relembra a empresária e fundadora do aiqfome, Steph Gomides, mãe de dois filhos. A empreendedora ingressou na maternidade logo nos primeiros anos do app.

Dicas da Steph Gomides:

  • Aproveite a flexibilidade do empreendedorismo: Ao empreender você pode ter mais flexibilidade de horários e a possibilidade de trabalhar em casa, o que facilita a conciliação com a maternidade. Isso não quer dizer que você vai trabalhar menos. Ter o próprio negócio demanda bastante energia. Você tem a liberdade de administrar seu tempo, por isso, enquanto as crianças dormem, faça o que tem que ser feito.
  • Tenha clareza nas suas prioridades: Estabeleça objetivos claros e realistas para seu negócio e sua vida pessoal, buscando um equilíbrio saudável entre os dois. Assim você saberá quando deixar seu negócio de lado para se dedicar aos filhos e vice-versa, e ficará em paz enquanto esses momentos de sprints se intercalam.
  • Use a tecnologia a seu favor: Automatizar processos não vai fazer você deixar de estar à frente do seu trabalho, mas vai otimizar suas tarefas mais operacionais e demoradas para que você tenha mais tempo para se concentrar em sua família e em atividades que sua presença física é indispensável.
  • Tenha um momento diário de descanso da mente: À noite ou de manhã, prepare um chá ou café e saboreie cada gole em silêncio e sem distrações. Mergulhe na leitura de um bom livro ou tome um banho relaxante. Poucos minutos no dia, podem recarregar suas energias e te deixar preparada para um dia puxado.

Luana Cabral , da Luah Semijóias

Após ser demitida em 2012 da joalheria Vivara onde era gerente em duas lojas, Luana Cabral encontrou uma luz no fim do túnel. Para abrir o seu próprio negócio, a tocantinense precisou usar o dinheiro da sua rescisão e vender o seu carro, no valor de R$ 26 mil, para dar os primeiros passos com a Luah Semijoias.

“Quando eu estava na joalheria, as lojas que eu gerenciava estavam sempre entre as TOP 10 de performance no ranking do Brasil, então é claro que a demissão me pegou desprevenida. Em paralelo a tudo o que estava acontecendo profissionalmente comigo no Maranhão, minha mãe empreendia como revendedora de semijoias desde a minha infância, em Tocantis. Logo, quando eu pensei em traçar meus próximos passos, empreender com semijoias foi o caminho mais obvio. Mas eu queria ir além do varejo, investindo em uma rede com revendedoras autônomas, formato que eu vi funcionar na minha família desde que eu era pequena e que incentivava outras mulheres”, conta Luana Cabral, socia fundadora da Luah Semijoias, rede de franquias especializada em lojas de acessórios banhados a ouro voltadas para o varejo e para revendas.

Hoje, a rede conta com dois formatos de negócios para os investidores: a microfranquia Home Office em que a franqueada começa trabalhando em casa e, após um ano, inaugura a sua loja; e o Premium, que já inicia a operação com uma loja física estrutura para atender o varejo e as revendedoras da região. “Nossa base de vendas está na revenda. Foi assim que começamos e mesmo hoje, mais de 10 anos depois, 85% do nosso faturamento ainda vem de nossas revendedoras. Temos mais de 2.000 parceiras no total. É uma forma de fazer o nosso negócio ir até a casa das pessoas. A Luah não precisa esperar que a consumidora vá até o shopping e entre na loja. As revendedoras buscam as novidades conosco e levam até as consumidoras finais”, explica a CEO da marca. Luana explica ainda que sempre entendeu a importância do senso de comunidade e que, desde o início do seu negócio, investiu em programas de recompensas para as revendedoras, o que acredita ser um dos segredos do sucesso.

Dicas:

1- Conversar de forma clara com os filhos sobre a importância do trabalho, de modo que eles tenham orgulho dessa parte da sua vida também

2-Nao deixar que o trabalho ocupe um lugar maior do que o da Família (no grau de importância)

3- Ter tempo de qualidade com os filhos dentro da rotina

4- Não deixar de participar da rotina escolar e/ou social dos filhos

 Arlete Wolfman, do Porto do Sabor

Preocupada com a alimentação dos seus três filhos, Allan Wolfram, Thomas Wolfram e Priscila Wolfram, que Arlete Wolfram, começou a preparar lanches saudáveis na cozinha do seu apartamento, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, como opção de merenda para a escola das crianças. E o que começou com uma atitude de zelo pela saúde dos seus pequenos, em pouco tempo ganhou fama e adeptos no colégio. Assim nasceu o Porto do Sabor, rede especializada em refeições e lanches saudáveis, que conta com 37 unidades espalhadas pelo Rio de Janeiro e faturamento de R$ 48MM, em 2024. Hoje, mais de 25 anos depois do start despretensioso na casa de Arlete, o negócio segue familiar, sendo conduzido pela fundadora juntamente com seus filhos. E os planos da marca carioca seguem audaciosos rumo à expansão pelo sistema de franchising, com meta de fechar em 2025 com 55 unidades pelo estado do Rio e receita de R$60MM.

Nascida em São Paulo, a mãe da Arlete (D. Victoria Schindler) era dona de uma confecção e uma loja. Enquanto não estava estudando, a Wolfman ajudava a sua mãe no dia a dia do negócio. Após o casamento, ela se mudou para o Rio de Janeiro e quis seguir com o legado de empreender da família, mas no ramo da alimentação.  Sonho que foi realizado em 1997, quando ela investiu R$ 150 mil na sua 1ª unidade do Porto do Sabor na Barra da Tijuca. A unidade tinha 40m² e ares de delicatessen. Mas o pulo do gato veio quando a empresária incluiu o açaí no cardápio. “Eu já tinha uma franquia de açaí e resolvi inserir essa opção de lanche no Porto do Sabor. Como era uma loja próxima a um colégio, o produto fez sucesso rapidamente e ganhou fama entre os alunos. Na época, minha mãe me ajudava no atendimento, então ficamos conhecidos como “o açaí da vovó”, lembra. Além do açaí, o sanduíche natural montado também foi destaque entre os estudantes. A opção gelada é considerada carro-chefe da rede Porto do Sabor até hoje.

Dicas:

1 – Estabelecer prioridades – definir o que é essencial no meu dia, para sempre sobrar tempo para cuidar e curtir com os filhos e netos.

2 – Saber delegar e ter um time bem alinhado – nos negócios confiar nos colaboradores, delegar e em casa contar sempre com o apoio dos familiares e uma possível rede de apoio.

3 – Ter um espaço de trabalho em casa – reservar um cantinho em casa para o trabalho, isso agiliza nas decisões, melhora a concentração e separa bem os papeis de mãe e empreendedora.

 4 – Incluir os filhos no processo – envolvê-los na direção da empresa para estar sempre juntos com eles no dia e nas decisões dos negócios.

Sálua Bueno, do Amélie Crêperie e Juliette Bistrô

Formada em economia, ela chegou a conquistar uma bolsa de estudos nos Estados Unidos e a passar em um concurso público concorrido e bem remunerado aqui no Brasil. Tudo dentro do esperado, mas ao chegar na estabilidade da sua carreira profissional (e tradicional),Sálua chegou à conclusão de quenão estava 100% realizada. Por isso, largou o serviço público para abrir um bistrô francês, no Rio de Janeiro. Hoje, mais de 10 anos depois, a carioca colhe os frutos da sua ideia de negócio. À frente das redes de franquias Amélie Crêperie e Juliette Bistrô, a empresária alcança faturamento milionário com as marcas.”Um dos meus maiores hobbies era fazer viagens de enoturismo, onde tive a oportunidade de aprender sobre o universo dos vinhos e da gastronomia. Além disso, eu, frequentemente, me aventurava na cozinha. Logo, abrir um bistrô com inspiração francesa reunia tudo que eu gostava em um único projeto.

Como tudo começou: Em 2014, quando decidiu investir no negócio gastronômico, na época, com apenas 32 anos, a carioca reuniu todas as suas economias para abrir o Amélie Crêperie, no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A falta de experiência no setor, contudo, a fez gastar o dobro do previsto. “Naquela época, esse shopping estava no seu auge, com muitas peças teatrais em cartaz e uma excelente circulação de visitantes. Foram seis meses ajustando o cardápio e entendendo a operação para o negócio começar a ser lucrativo .Apesar das dificuldades iniciais para atingir um modelo de negócios sustentável, oAmélie Crêperie foi um sucesso absoluto desde o seu 1° dia”, relembra. Com os ajustes necessários, o bistrô francês começou a se tornar um negócio próspero. Depois de inaugurar algumas unidades do Amélie, em 2021, a carioca recebeu um convite do Shopping Rio Design Leblon para tirar uma segunda ideia de negócio do papel: o Juliette Bistrô. A rede de bistrôs de gastronomia internacional oferece o mesmo conceito de charme acessível da sua marca mãe, mas com uma culinária mais diversa e um ambiente inspirado na arquitetura art déco de grandes cidades cosmopolitas. O projeto foi bem-sucedido, ganhando até uma 2ª unidade no Casa Shopping, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A rede carioca se uniu ao Grupo Arcca, holding de franqueadoras multimarcas com forte DNA de tecnologia e gestão.

Dicas:

1. Incluí-los como aliados criativos e críticos sinceros – Adolescentes têm um olhar afiado e espontâneo — e podem ser conselheiros surpreendentes. Sempre que posso, convido meus filhos para opinar em novos pratos, nomes de drinks ou até playlists do restaurante. Isso os engaja e fortalece nossa troca.

2. Transformar meus empreendimentos em cenários de afeto – Em vez de o trabalho me afastar, ele se tornou um espaço de encontro. Marcar almoços de domingo, tomar um café juntos no restaurante ou testar uma sobremesa nova viraram formas de estarmos presentes um no outro.

3. Compartilhar bastidores, inclusive os erros – Não tento romantizar o empreendedorismo. Divido com eles os acertos, sim, mas também as decisões difíceis, os imprevistos e as inseguranças. Assim sinto que estou ajudando a se prepararem para encarar o mundo de forma mais realista.

4. Criar rituais em casa com o delivery – Montamos uma mesa bem linda para um jantar especial em que cada um escolhe seu prato predileto do Amélie por exemplo,e assim temos momentos mais que especiais juntos!

Victoria Medeiros, da House Forneria

A carioca Victória Medeiros, de 30 anos, é mais um case de sucesso que concilia os negócios com a maternidade. Em 2021, ela criou a House Forneria. A empreendedora apostou no diferencial em oferecer a qualidade de uma pizzaria gourmet, com a agilidade de uma operação de dark kitchen. E o conceito de oferecer redondas premium por entregas, rapidamente ganhou tração no mercado. Não à toa, dois anos depois e com duas unidades na Zona Oeste do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes), a rede alcançou a marca de R$ 1.8MM. Com a entrada no sistema de franchising no ano passado, a House iniciou o plano de expansão na Cidade Maravilhosa por meio de franquias, nas localidades da Zona Norte (Tijuca), Zona Sul (Copacabana) e a 3ª unidade na Zona Oeste (Jacarepaguá), chegando à marca de cinco lojas em operação.

Mas até a jornada de empreendedorismo ser bem-sucedida, ela passou por meses de hiato. Tudo começou com uma oportunidade de negócio durante a pandemia. Cheio de dívidas, o dono de um restaurante self service no centro do Rio de Janeiro vendeu seu estabelecimento por apenas R$ 30 mil. O que não estava nos planos é que a crise sanitária fosse se estender por quase dois anos, e que, consequentemente, o centro da cidade perderia o fluxo de pessoas. Apesar do know-how da família da empreendedora, que já atuava no setor de alimentação há mais de 20 anos, o negócio precisou de fôlego para se manter. ”Ficamos meses fechados em obras e quando terminaram, nosso funcionamento ficava limitado ao abre e fecha da crise sanitária. Mesmo com as dificuldades, o empreendedorismo já havia me fisgado. O jeito foi encontrar um novo negócio, e a pizza foi o caminho mais gostoso e óbvio”, comenta Victória Medeiros.

Dicas:

1. Estabeleça seus inegociáveis

Defina com clareza o que é prioridade na sua rotina – como horários com os filhos ou reuniões estratégicas – e trate esses compromissos como sagrados. Isso evita culpa e garante foco tanto em casa quanto nos negócios.

2. Delegue com inteligência

Assuma que você não precisa – e não deve – dar conta de tudo sozinha. Cerque-se de pessoas de confiança, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, e distribua tarefas para preservar sua energia e produtividade.

3. Use a tecnologia a seu favor

Ferramentas de gestão, agendas compartilhadas e aplicativos de organização ajudam a otimizar o tempo, evitar esquecimentos e manter tudo sob controle com mais leveza.

4. Pratique a presença real

Quando estiver com os filhos, esteja por inteiro. E o mesmo vale para o trabalho. Dividir atenção gera desgaste. Separar os momentos traz mais conexão e performance nas duas frentes.

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