No Mês das Mulheres, executiva da Cora dá orientações para que mais profissionais fortaleçam seus negócios com acesso responsável a capital
O empreendedorismo feminino no Brasil vem crescendo de forma consistente nos últimos anos e se consolidando como força econômica relevante. Em 2012, havia 7,5 milhões de empreendedoras; em 2019, eram 9,8 milhões, mantendo cerca de 30% dos negócios mesmo diante da pandemia. Após a retomada econômica, o número ultrapassou 10 milhões em 2022, alcançando 10,35 milhões em 2024 — 34% de todos os empreendedores do país — mostrando a força, resiliência e protagonismo das mulheres no mercado.
“Apesar da força do empreendedorismo feminino, o acesso ao crédito ainda não acompanha esse crescimento na mesma proporção. Muitas vezes, o desafio não está apenas na oferta de capital, mas na falta de informação clara sobre critérios de análise e na dificuldade de transformar a realidade do negócio em indicadores objetivos”, afirma Gabriela Fabri, especialista em Crédito da Cora.
Isso porque, apesar do avanço na presença feminina no empreendedorismo, muitas empresárias ainda encontram dificuldades na hora de acessar capital. Segundo o Sebrae, 68% das mulheres empreendedoras já tiveram pedidos de crédito negados. A mesma instituição identificou ainda que elas também ganham, em média, 24,4% menos que os homens — diferença que impacta a geração de caixa, a capacidade de investimento e a negociação com o sistema financeiro.
Para fortalecer a consolidação do empreendedorismo feminino, Gabriela Fabri, especialista em Crédito da Cora, conta digital voltada para quem empreende, reuniu cinco caminhos práticos que podem ajudar a ampliar as chances de acesso a crédito e fortalecer a saúde financeira do negócio:
- Construa um motor financeiro autônomo
A capacidade feminina de gerir recursos com eficiência é um diferencial competitivo. Ao estruturar seu negócio para que ele se sustente de forma independente da sua renda pessoal, você cria um histórico de saúde financeira impecável. Definir um pró-labore e reinvestir o lucro não é apenas organização; é criar uma vitrine de baixo risco que atrai as melhores taxas do mercado.
- Use a formalização como chancela de autoridade
A formalização (seja como MEI ou outros regimes) é o seu passaporte para o jogo dos grandes. Ao regularizar seu negócio, você deixa de ser uma “iniciativa” e se torna uma instituição. Isso abre portas para linhas de crédito exclusivas e subsídios que só quem está no jogo profissional consegue acessar. É o seu CNPJ agindo como um escudo e uma ferramenta de escala.
- Transforme sua consistência em poder de barganha
Muitas empreendedoras operam negócios extremamente saudáveis e recorrentes, mas não usam isso na mesa de negociação. Seus números de retenção de clientes e estabilidade de faturamento são provas de resiliência. Apresentar esses dados de forma organizada transforma o “pedido de crédito” em uma “oportunidade de investimento” para a instituição financeira.
- Alavanque-se através da inteligência coletiva
Onde há comunidade, há atalho. Participar de redes e grupos de mentorias não é apenas sobre apoio, é sobre acesso privilegiado. Mulheres que compartilham informações sobre taxas, exigências e alternativas de garantia conseguem antecipar movimentos e negociar com muito mais propriedade. Use a força da rede para encurtar caminhos que outros fariam sozinhos.
- Antecipe o futuro para dominar a negociação
O grande trunfo da gestão estratégica é buscar capital quando o cenário está favorável, e não na urgência. Ao usar sua visão de longo prazo para planejar captações em períodos de estabilidade, você inverte o poder: você não aceita qualquer taxa, você escolhe o parceiro financeiro que oferece o melhor custo-benefício para o seu crescimento.
“A trajetória das mulheres no mercado brasileiro é marcada por uma evolução veloz e uma capacidade única de adaptação. Hoje, o foco mudou: não se trata mais apenas de ocupar espaços, mas de dominar as ferramentas que aceleram essa ocupação, e o crédito é a principal delas”, explica Fabri.
Para a Cora, o acesso ao crédito deve ser o reflexo da competência da empreendedora. “Acreditamos na clareza como ferramenta de poder. Quando a dona do negócio domina seus indicadores e entende como o mercado a enxerga, ela deixa de ser refém de critérios subjetivos e passa a ditar o ritmo da sua expansão”, conclui.








