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Emprego em alta já não garante crescimento das vendas no Dia dos Pais

Créditos da imagem: Divulgação

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Crédito caro, inflação e elevado endividamento devem manter estáveis as vendas da primeira grande data do varejo no segundo semestre

Mesmo com o mercado de trabalho aquecido, o comércio paulistano não deve registrar crescimento nas vendas do Dia dos Pais. A combinação entre crédito caro, inflação persistente e elevado endividamento das famílias deve manter o faturamento do varejo praticamente estável em relação ao ano passado, indicando que a melhora do emprego já não é suficiente para impulsionar o consumo, segundo projeção do Sindilojas-SP.

O cenário para o varejo mudou em relação ao ano passado. Se, em 2025, o mercado de trabalho aquecido e a inflação mais controlada sustentavam uma perspectiva positiva para o consumo, em 2026 a combinação entre crédito caro, elevado endividamento e pressão persistente sobre o orçamento das famílias reduziu o impacto da melhora da renda sobre as decisões de compra. O resultado é um consumidor mais cauteloso e uma expectativa de estabilidade nas vendas para o Dia dos Pais.

“O consumidor não vai deixar de presentear, mas deixou de comprar por impulso. A decisão passa cada vez mais pelo preço, pelas condições de pagamento e pela percepção de que aquele presente cabe no orçamento da família. O Dia dos Pais continuará movimentando o comércio, mas dificilmente produzirá um crescimento mais robusto das vendas”, afirma Jaime Vasconcellos, consultor econômico do Sindilojas-SP.

Os indicadores ajudam a explicar essa mudança de comportamento. Levantamento da FecomercioSP mostra que 74,1% das famílias paulistanas estão endividadas, o segundo maior percentual mensal desde o fim de 2022. Além disso, aproximadamente 21% já possuem dívidas em atraso, reduzindo a capacidade de assumir novos compromissos financeiros justamente na primeira grande data do varejo no segundo semestre.

Além do elevado endividamento, a inflação também contribui para esse cenário. Se, em 2025, a maior parte dos produtos tradicionalmente escolhidos para presentear registrava reajustes abaixo da inflação, favorecendo o consumo, neste ano diversas categorias voltaram a pressionar o orçamento das famílias. Embora o IPCA-15 acumule alta de 4,83% em 12 meses na Região Metropolitana de São Paulo, produtos como computadores pessoais (10,01%), perfumes (10,92%) e chocolates (17,79%) acumulam aumentos muito acima da média. Em contrapartida, aparelhos telefônicos (-0,46%), televisores (3,05%), tênis (3,22%) e camisas masculinas (3,38%) registraram reajustes mais moderados, o que tende a direcionar parte das compras para alternativas de menor impacto no orçamento.

Quem optar por substituir o presente por uma experiência também encontrará preços mais elevados. Alimentação fora do domicílio acumula alta de 7,23% nos últimos 12 meses, enquanto a hospedagem avançou 6,82%, ambos acima da inflação média da região.

Para o Sindilojas-SP, esse conjunto de indicadores confirma uma mudança no padrão de consumo. A decisão de compra deixou de ser determinada apenas pela renda disponível e passou a considerar, cada vez mais, o comprometimento do orçamento familiar e a percepção de custo-benefício. As projeções por segmento estão detalhadas no quadro abaixo.

“Há alguns anos, emprego em alta era suficiente para estimular o consumo. Hoje isso já não acontece da mesma forma. O consumidor continua comprando, mas elimina tudo aquilo que considera supérfluo porque o orçamento está comprometido. Por isso, preço competitivo, conveniência e boas condições de pagamento passaram a ser fatores decisivos para o varejo”, avalia Jaime Vasconcellos.

Apesar da expectativa de estabilidade, o Sindilojas-SP avalia que o Dia dos Pais continuará sendo um importante termômetro para o restante do calendário comercial. Por abrir a sequência das principais datas do segundo semestre, seu desempenho poderá antecipar o comportamento do consumidor para o Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

“O segundo semestre concentra as datas mais importantes para o comércio. Se o comportamento mais cauteloso observado no Dia dos Pais se confirmar, o varejo precisará apostar ainda mais em planejamento, eficiência e estratégias capazes de gerar valor para um consumidor que continua comprando, mas faz escolhas cada vez mais racionais”, conclui Vasconcellos.

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