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Empresas do Paraná precisam mirar na inovação para ganhar espaço em cadeias globais, diz empresário

Créditos da imagem: Divulgação

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Para Murilo Matta, da Brose e AHK Paraná, inovação, transformação digital e cultura de dados são condições para empresas atenderem a padrões internacionais

A queda do Brasil no Ranking Mundial de Competitividade 2026 acende um alerta para empresas que dependem de cadeias globais e disputam mercados sujeitos a exigências crescentes de produtividade, previsibilidade e qualidade. O país caiu da 58ª para a 65ª posição entre 70 economias avaliadas pelo IMD World Competitiveness Center, em estudo elaborado em parceria com a Fundação Dom Cabral. Além disso, o país registrou piora nos quatro pilares analisados, desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.

Para Murilo Matta, presidente da Brose do Brasil e conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), cenários como os do resultado evidenciam a necessidade de as empresas brasileiras tratarem inovação como parte da gestão e da competição internacional. Segundo ele, companhias instaladas no Paraná, especialmente nas cadeias automotiva, agrícola e de manufatura, concorrem com organizações globais que investem de forma contínua em tecnologia, produtividade, digitalização, inteligência artificial, eficiência operacional e novos modelos de negócio.

“Inovação não é mais um diferencial, ela se tornou uma condição para competir globalmente”, afirma o executivo.

Competitividade exige cultura

De acordo com o conselheiro, o conceito de inovação precisa ser aplicado de forma prática no ambiente empresarial. Uma solução não precisa ser inédita no mundo para gerar vantagem competitiva, pois pode representar um avanço quando melhora processos, reduz desperdícios, aumenta eficiência, organiza dados, qualifica a relação com clientes ou cria formas diferentes de atuar em cadeias de suprimentos e logística.

Ele explica que um dos principais entraves está na formação de profissionais preparados para lidar com automação, indústria 4.0, análise de dados e transformação digital.

Além da disponibilidade de mão de obra, o executivo aponta a velocidade de execução como uma dificuldade recorrente, já que muitas companhias ainda operam com áreas pouco integradas, baixa utilização de informações gerenciais e projetos de inovação conduzidos sem conexão suficiente com a estratégia corporativa. “Muitas empresas ainda tratam a inovação como um projeto isolado, quando ela precisa fazer parte da estratégia do negócio”, pontua.

Na Brose do Brasil, a agenda de inovação foi organizada em duas frentes complementares, comenta Matta. A primeira se concentra em eficiência interna, resultado e competitividade, enquanto a segunda olha para mercado, cliente, desenvolvimento de novos produtos e modelos comerciais. Segundo ele, essa divisão ajuda a transformar a inovação em processos mensuráveis, com relação direta com produtividade, crescimento e capacidade de resposta às demandas de compradores internacionais.

A digitalização ocupa um papel de protagonismo nessa agenda, mas o executivo ressalta que a adoção de ferramentas tecnológicas precisa vir acompanhada de uma estratégia de dados. Ele avalia que digitalizar um processo sem revisá-lo, integrá-lo e torná-lo orientado por informação limita os ganhos de gestão, enquanto sistemas bem estruturados permitem identificar riscos, antecipar tendências, reduzir custos, elevar qualidade e dar maior confiabilidade à tomada de decisão.

“Digitalizar não significa apenas transformar um processo existente em digital, porque a transformação precisa estar orientada por dados”, explica.

Paraná precisa elevar padrão de entrega

O debate sobre competitividade ocorre em um momento em que o Paraná mantém desempenho positivo no comércio exterior, o que demonstra um potencial do estado em assumir um protagonismo maior na cadeia Global. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que as exportações paranaenses somaram US$ 11,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com projeção de encerrar o ano próximo de US$ 24 bilhões.

Embora o agronegócio siga com forte peso na pauta exportadora, o avanço de itens industriais, como máquinas de terraplanagem e caminhões, reforça a relevância de cadeias produtivas capazes de atender clientes fora do país. Para Matta, a permanência em mercados exigentes depende de empresas com processos maduros, equipes qualificadas, dados confiáveis, governança de projetos e capacidade de colaboração com fornecedores, centros tecnológicos, universidades e parceiros de negócio.

A AHK Paraná aparece nesse processo como uma ponte entre empresas brasileiras e alemãs e atua na conexão com fornecedores de tecnologia, instituições de ensino, centros de inovação, startups e organizações que buscam soluções para desafios industriais e comerciais. O conselheiro cita eventos, missões empresariais, visitas técnicas, grupos de trabalho e debates sobre transformação digital, indústria 4.0, sustentabilidade e qualificação profissional como ações que favorecem a troca de experiências entre associados. “A AHK Paraná conecta empresas, instituições, tecnologia e oportunidades de negócio entre o Brasil e a Alemanha”, destaca.

Outro ponto avaliado pelo executivo é que o modelo alemão com o qual associados da entidade mantém contato oferece referências relevantes para a indústria local, sobretudo pela excelência industrial, pela cultura de qualidade, pela visão de longo prazo e pelo investimento contínuo em pessoas, tecnologia e inovação. Ele também destaca a relação entre empresas, universidades e centros de pesquisa que integram a rede da AHK Paraná como um fator que contribui para acelerar soluções aplicadas ao setor produtivo.

Matta pondera, contudo, que empresas globais devem observar práticas de diferentes mercados, incluindo China, América do Norte e Europa, já que a competição internacional exige leitura constante de benchmarks e capacidade de adaptação. No caso de companhias paranaenses que buscam crescer em cadeias globais, ele defende maior participação em ecossistemas empresariais para conectar desafios internos a soluções já disponíveis no mercado.

“Uma empresa precisa colocar a estratégia de inovação dentro da estratégia da organização e preparar pessoas, processos e projetos para executar essa visão”, orienta.

Com compradores internacionais mais atentos a risco, custo, prazo e confiabilidade, a competitividade das empresas paranaenses tende a depender cada vez menos apenas da capacidade produtiva instalada e cada vez mais da maturidade de gestão. Para Murilo, quem conseguir transformar inovação em rotina corporativa, fortalecer competências internas e usar dados para orientar decisões terá melhores condições de disputar contratos em cadeias globais que buscam fornecedores previsíveis, eficientes e preparados para padrões internacionais.

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