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Erro humano provoca 8 em cada 10 vazamentos de dados corporativos

Guilherme Guimarães é advogado, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados e diretor jurídico da Datalege Consultoria Empresarial.
Divulgação
Guilherme Guimarães é advogado, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados e diretor jurídico da Datalege Consultoria Empresarial. Divulgação

Relatório internacional aponta falhas humanas como principal causa de incidentes de segurança; Datalege Consultoria defende capacitação contínua como ferramenta essencial de prevenção

A maior ameaça à segurança digital nas empresas não está nos hackers ou nas falhas dos sistemas: ela está dentro da própria organização. Segundo o relatório “Human Factor in IT Security 2023”, da Kaspersky, 82% dos vazamentos de dados corporativos no mundo envolveram erro humano. No Brasil, mais de seis em cada dez profissionais de TI já enfrentaram incidentes causados por equívocos de colaboradores – como cliques em links maliciosos, senhas fracas ou envio indevido de informações.

O dado acende um alerta para o ambiente corporativo, onde muitas empresas ainda priorizam investimentos em tecnologia, mas negligenciam a preparação de suas equipes. “O fator humano é hoje o maior vetor de risco à segurança da informação. O funcionário mal treinado pode, sem querer, comprometer toda a estrutura de proteção da empresa”, afirma o advogado Guilherme Guimarães, diretor jurídico da Datalege Consultoria Empresarial. “Treinamento não é um diferencial. É parte da blindagem legal e estratégica contra incidentes.”

O relatório da Kaspersky mostra que 41% dos especialistas em segurança consideram o comportamento humano o maior ponto fraco de suas defesas. Essa percepção se reflete no aumento de incidentes que poderiam ser evitados com simples práticas preventivas, como uso de autenticação de dois fatores, cuidado com engenharia social e controle de acessos.

CAPACITAÇÃO CONTÍNUA

Guimarães explica que o primeiro passo para reduzir os riscos é implementar políticas claras de proteção de dados, com destaque para programas de treinamento recorrente. “A cada novo funcionário, mudança de sistema ou atualização de norma, é preciso retomar os protocolos internos e reforçar a cultura da segurança”, salienta.

O diretor destaca que o objetivo dos treinamentos contínuos é transformar cada colaborador em um agente ativo de proteção, não em um risco operacional. Ele ressalta, ainda, que em meio ao crescimento das fiscalizações da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à judicialização crescente de ações baseadas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o preparo das equipes se torna um diferencial competitivo e jurídico. “Uma empresa que consegue demonstrar ações preventivas e programas de treinamento ativos tem muito mais chance de mitigar sanções e preservar sua imagem após um incidente”, conclui.

DESTAQUES DA PESQUISA

O levantamento “Human Factor in IT Security: The 2023 Report”, da Kaspersky, trouxe outros dados preocupantes:

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