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Especialista aponta 5 dicas fundamentais que todo o consumidor deve saber antes de entrar em um consórcio imobiliário

Carlos Fuzinelli - Créditos da foto: Divulgação

Carlos Fuzinelli - Créditos da foto: Divulgação

Com crédito mais caro, modalidade ganha espaço entre famílias investidores e empresas que apostam em planejamento de longo prazo

O consórcio imobiliário ganhou protagonismo no mercado brasileiro ao se consolidar como alternativa para a compra da casa própria e a formação de patrimônio. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios indicam que o volume de créditos do segmento quase quadruplicou desde 2018, com crescimento próximo de 300%. O avanço ocorre em meio a juros elevados, encarecimento do financiamento tradicional e maior restrição ao crédito.

Esse movimento reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Com prestações mais acessíveis e ausência de juros, o consórcio passou a atrair não apenas famílias que planejam sair do aluguel, mas também investidores e empresas interessadas em adquirir imóveis de forma estruturada. A modalidade ganhou espaço como instrumento de organização financeira de médio e longo prazo, especialmente em períodos de incerteza econômica.

Segundo Carlos Fuzinelli, especialista em consórcios imobiliários e sócio-fundador da FVL Consórcios, corretora especializada em consórcios, o crescimento da modalidade está diretamente ligado ao atual cenário de crédito. “Quando o financiamento fica caro e inacessível para parte da população, o consórcio aparece como uma solução viável para quem pode planejar. Ele permite comprar um imóvel sem comprometer a renda com juros elevados”, afirma.

Além do consumidor final, empresas também passaram a utilizar o consórcio como ferramenta estratégica. O modelo tem sido adotado para aquisição de sedes próprias, expansão patrimonial e até como alternativa de investimento. “Muitas empresas usam o consórcio para transformar despesa em ativo, substituindo aluguel por patrimônio ao longo do tempo”, observa.

A expectativa para os próximos anos segue positiva. Mesmo com eventuais ciclos de queda de juros, o consórcio tende a manter espaço relevante no mercado imobiliário. Para Fuzinelli, a modalidade deixou de ser apenas uma alternativa e passou a integrar o planejamento financeiro de diferentes perfis. “O consórcio não compete apenas com o financiamento. Ele ocupa um lugar próprio, voltado a quem pensa no longo prazo e busca previsibilidade”, diz.

Esse avanço também ampliou a oferta de operadores e corretoras especializadas, o que exige atenção redobrada na contratação. A escolha de uma empresa estruturada, com consultoria adequada e administradoras autorizadas, faz diferença no resultado final do plano. “O consórcio é seguro, mas precisa ser bem orientado. A falta de análise pode comprometer o objetivo do cliente”, alerta.

O especialista apresenta cinco pontos essenciais antes de entrar em um consórcio imobiliário

Com a expansão do mercado, alguns cuidados ajudam consumidores e empresas a aproveitar melhor a modalidade e evitar frustrações.

  1. Avaliar o objetivo e o prazoAntes de contratar, é fundamental definir se o foco é moradia, investimento ou expansão patrimonial. O consórcio funciona melhor para quem tem horizonte de médio e longo prazo e não depende de aquisição imediata.
  2. Escolher administradoras autorizadasA administradora do consórcio deve ser autorizada e fiscalizada pelo Banco Central. Esse é um ponto básico de segurança e transparência do contrato.
  3. Analisar a taxa de administraçãoEmbora não haja juros, o consórcio tem taxa de administração, que varia entre os planos. Comparar custos e entender o impacto no valor total é essencial.
  4. Contar com orientação especializadaA contratação por meio de uma consultoria especializada ajuda a escolher o grupo, o valor da carta e a estratégia de contemplação mais adequada. “O consórcio não é um produto de prateleira, ele precisa ser desenhado para cada perfil”, ressalta Fuzinelli.
  5. Entender regras de contemplação e uso do créditoSaber como funcionam sorteios, lances e as regras para uso da carta de crédito evita surpresas ao longo do plano e garante que o imóvel desejado esteja dentro das condições do grupo.

Na avaliação do executivo, o consórcio imobiliário tende a ganhar ainda mais relevância à medida que o brasileiro busca soluções financeiras menos dependentes de juros. “O sonho da casa própria continua vivo, mas agora passa cada vez mais pelo planejamento. E o consórcio se encaixa exatamente nesse novo comportamento”, conclui.

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