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Especialista aponta que setor pet vive crise de gestão mesmo com projeção final de R$ 77,2 bi em 2025

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Ricardo de Oliveira, consultor e mentor de negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, avalia que a dificuldade de retenção não está na falta de profissionais, mas no choque entre gestão antiga e operações cada vez mais complexas

O setor pet brasileiro movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024, figurando entre os maiores do mundo, com a projeção de fechamento em R$ 77,2 bilhões para 2025, segundo levantamento da Abinpet e do Instituto Pet Brasil. Mesmo com esse avanço financeiro e tendo empregado cerca de 3,3 milhões de pessoas em 2023, conforme o mesmo levantamento, o setor enfrenta dificuldades crescentes para contratar e reter equipes operacionais.

Segundo Ricardo de Oliveira, consultor e mentor de negócios pet e CEO da Fórmula Pet Shop, esses números revelam uma crise silenciosa de gestão, que vai além da escassez de mão de obra: “Ao observar os dados de crescimento e emprego, fica claro que a dificuldade de retenção não se deve à falta de profissionais. Muitas pequenas e médias empresas continuam administrando como se estivessem em um negócio simples, sem processos claros ou liderança estruturada. Isso gera desgaste, sobrecarga e saída constante de profissionais”, afirma o executivo.

O especialista destaca que essa crise é reflexo de problemas estruturais mais amplos das PMEs brasileiras. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que cerca de 69% das empresas relatam dificuldade em encontrar e reter mão de obra comprometida, contexto que evidencia como setores intensivos em serviços, como o pet, sentem esse impacto de forma mais aguda.

Além disso, profissões críticas do setor, como veterinários, tratadores e adestradores, enfrentam déficit de profissionais em várias regiões, agravando a rotatividade e a sobrecarga de equipes, conforme levantamento do Robert Half. No varejo pet, por exemplo, o tempo médio para renovação de quadro caiu de 2 anos e 3 meses em 2020 para 1 ano e 7 meses em 2024, segundo FecomercioSP/IBGE, sinalizando aceleração da rotatividade.

Apesar do tamanho do mercado, o avanço financeiro não tem sido acompanhado por investimentos proporcionais em liderança, estrutura organizacional e capacitação de equipes. Ricardo observa que, em operações cada vez mais complexas e dependentes de pessoas, empresas que não profissionalizam sua gestão acabam repetindo o ciclo de rotatividade elevada e equipes instáveis.

Ricardo ressalta a não existência de uma operação profissional sem gestão profissional: “Empresas que se organizam, definem processos e cuidam da liderança conseguem reter pessoas. As demais seguem culpando a mão de obra por um problema que é interno”, conclui o especialista. Para ele, o desafio do setor não é apenas contratar, mas transformar a gestão e estruturar processos internos, de modo a tornar as PMEs mais competitivas, eficientes e capazes de manter talentos.

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