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Especialista em reputação, Leandro Herculano aponta autenticidade como antídoto ao risco de padronização provocado pela IA

Leandro Herculano - Créditos da foto: Renatto Nomura

Leandro Herculano - Créditos da foto: Renatto Nomura

Em capítulo do livro “Governança TrendsInnovation”, sócio-diretor da Elementar Comunicação discute por que empresas e lideranças precisam sustentar confiança com verdade, coerência e reputação em um cenário de avanço da inteligência artificial

A inteligência artificial já consegue escrever textos, criar imagens, simular interações e ajudar empresas a produzirem conteúdo em escala. Com isso, ficou mais fácil ocupar espaço, parecer relevante e construir discursos. Mas essa realidade também levanta uma pergunta: o que faz uma empresa ou liderança ser confiável de verdade?

Para Leandro Herculano, sócio-diretor da Elementar Comunicação, a resposta passa pela autenticidade. O tema é o foco do capítulo “A revolução autêntica: liderar, criar e perdurar no mundo pós-IA”, assinado por ele no recém-lançado livro “Governança TrendsInnovation: 22 visões sobre práticas que levam ao crescimento e à longevidade das empresas”.

Não por acaso, o tópico está diretamente alinhado aos relatórios mais atuais sobre o futuro do trabalho. À medida que a IA passa a atuar, as competências mais técnicas são substituídas em parte por capacidades humanas menos replicáveis, como julgamento, confiança, influência, liderança, criatividade e coerência. 

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que empregadores veem habilidades humanas e socioemocionais entre as competências mais relevantes para os próximos anos. Já o Work Trend Index 2025, da Microsoft, descreve um novo modelo organizacional “AI-operated, human-led”, no qual a inteligência de máquina precisa ser orientada por julgamento humano. 

“A autenticidade deixou de ser apenas uma virtude individual para se tornar uma competência estratégica. Empresas que querem atravessar ciclos de mudança precisam saber quem são, o que defendem e como comunicam isso de forma consistente para seus públicos”, afirma Leandro Herculano.

A obra, organizada pelo executivo, é a primeira publicação da Associação TrendsInnovation e reúne artigos de 22 associados, entre conselheiros, advisors e outros executivos com experiência em grandes corporações, startups e empresas familiares. O livro parte das reflexões do relatório What’s Next – Direção 2035, desenvolvido pelo Ecossistema Inova, para discutir como empresas podem se preparar para uma década marcada por transformações tecnológicas, sociais, comportamentais e de gestão.

Para ele, a tecnologia pode replicar formatos, discursos e modelos de interação, mas não substitui a coerência entre identidade, posicionamento e prática. O livro apresenta esse debate dentro do contexto da governança contemporânea, em que conselheiros e lideranças são desafiados a tomar decisões em ambientes complexos e expostos.

A tese dialoga diretamente com o trabalho desenvolvido pela Elementar Comunicação, consultoria especializada em reputação, autoridade executiva, CEO Positioning, comunicação corporativa e ecossistemas de influência. À frente da empresa, Leandro atua na construção de autoridade para líderes e organizações, integrando estratégia de negócios, comunicação e influência.

Autenticidade é antídoto

Para Leandro, a discussão ganha relevância justamente porque a IA ampliou a capacidade de líderes e empresas produzirem conteúdos, narrativas e posicionamentos em escala. O problema, segundo ele, é que presença não é sinônimo de autoridade, e visibilidade não garante confiança.

“No mundo pós-IA, a capacidade de parecer relevante será cada vez mais acessível. O desafio será ser relevante de verdade. E isso passa por autenticidade, reputação e coerência”, complementa. A reflexão também reposiciona o papel da comunicação corporativa. Em vez de atuar apenas como ferramenta de divulgação, a comunicação passa a ser entendida como uma disciplina estratégica para tornar visível aquilo que a organização realmente é, defende e entrega. 

Para Leandro, esse debate é especialmente importante porque a governança do futuro exigirá organizações mais conscientes de sua identidade, mais preparadas para lidar com a complexidade e mais comprometidas com a construção de vínculos de confiança.

O que dizem os dados

O Edelman Trust Barometer 2025, realizado com 33 mil respondentes em 28 países, mostra que a confiança nas instituições segue pressionada, reforçando a necessidade de líderes e empresas atuarem com mais transparência, coerência e responsabilidade pública. Em resumo, a autenticidade deixa de ser apenas um traço individual e passa a funcionar como ativo reputacional, sendo que quanto maior o ceticismo em relação a discursos institucionais, maior o valor de lideranças capazes de demonstrar consistência entre o que dizem, o que fazem e o impacto que entregam.

A mesma lógica aparece nos relatórios sobre transformação do trabalho. O Work Trend Index 2025, da Microsoft, aponta o surgimento das chamadas Frontier Firms, organizações redesenhadas pela IA e por times híbridos em que humanos lideram e agentes de IA operam parte dos fluxos de trabalho. A pesquisa foi baseada em dados de 31 mil trabalhadores em 31 países, tendências do LinkedIn e sinais de produtividade do Microsoft 365. Em um modelo no qual a tecnologia assume cada vez mais tarefas de execução, o papel dos líderes passa a estar na direção, no julgamento, na cultura e na capacidade de sustentar confiança, dimensões diretamente ligadas à autenticidade.

Esse movimento também se conecta ao Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, que destaca competências humanas como liderança, influência social, resiliência, flexibilidade, criatividade e pensamento analítico entre as habilidades mais relevantes para os próximos anos. A leitura estratégica define que, quanto mais a IA amplia a produtividade e torna conteúdos, processos e interações mais replicáveis, mais valor ganham atributos humanos difíceis de automatizar. Para líderes e empresas, autenticidade passa a ser uma competência de diferenciação. Ou seja, é ela que transforma presença em confiança, comunicação em reputação e autoridade aparente em autoridade legítima.

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