Levantamento analisa oportunidades e desafios para a indústria goiana nas áreas de comércio exterior, exportações, regulamentação e investimentos. Apresentação será no dia 29 de outubro, às 14h30, no Centro de Convenções de Goiânia
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul-União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026. O tratado envolve um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de US$ 22 trilhões. Seu objetivo é reduzir gradualmente as barreiras comerciais entre os países dos dois blocos, facilitando as relações de importação e exportação. Para a indústria goiana, esse novo cenário representa oportunidades de ampliação do acesso ao mercado europeu, mas também exige preparação para lidar com a concorrência internacional e com as regras estabelecidas para a comercialização de produtos.
Para analisar os impactos desse acordo na economia estadual, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) apresentará um estudo completo durante a Expoind 2026, realizada de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia. O levantamento, elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da entidade, será apresentado no dia 29, às 14h30, e reúne análises sobre as oportunidades e os desafios que o tratado representa para o setor produtivo goiano.
Intitulado Os Impactos do Acordo Mercosul-União Europeia para Goiás, o estudo está organizado em quatro partes. A primeira aborda o contexto histórico e os impactos comerciais do tratado, com projeções para exportações e importações goianas. A segunda analisa as oportunidades de expansão das exportações industriais para o mercado europeu. Já a terceira examina regras e exigências regulatórias que podem facilitar ou restringir o comércio entre os blocos. Por fim, a quarta parte trata de sustentabilidade, propriedade intelectual, investimentos e cooperação internacional.
A apresentação será uma oportunidade para que empresários e profissionais da indústria conheçam as diferentes dimensões do acordo e compreendam os possíveis impactos sobre seus negócios, desde a ampliação das exportações até as exigências para competir no mercado internacional.
Para o analista de desenvolvimento industrial da Fieg Saulo Nogueira, o acordo abre uma nova janela para diversificação das exportações goianas e ampliação da presença da indústria local em cadeias de maior valor agregado. “O acordo melhora as condições de acesso dos produtos goianos ao mercado europeu e reduz custos comerciais que historicamente dificultavam a competitividade brasileira. Isso cria oportunidades tanto para ampliar exportações já consolidadas quanto para inserir novos produtos industriais de Goiás no mercado europeu”, avalia.
Primeira etapa do estudo
Com a conclusão das quatro etapas no novo estudo, a Fieg amplia a discussão iniciada em maio. Nela, é oferecida uma análise que considera os efeitos da redução tarifária e outros fatores que podem interferir na capacidade da indústria goiana de aproveitar as oportunidades do acordo.
A primeira parte do levantamento da Fieg foi divulgada em maio deste ano e apontou que as exportações goianas para a União Europeia poderiam crescer até US$ 218 milhões com a implementação do acordo. Entre os setores com maior potencial de crescimento estavam carne bovina, carne de frango, couro, açúcar, gelatinas e produtos químicos.
A análise também identificou que a União Europeia havia eliminado imediatamente tarifas para cerca de 2,9 mil produtos brasileiros, dos quais 93% eram industriais. Segundo o estudo, o bloco europeu representava 12,5% das exportações goianas, que somaram US$ 1,68 bilhão em 2025.

